2002, O INÍCIO DE UM NOVO ANO!

O QUE NOS AGUARDA?

Dr. Mário Carabajal – Ph.D.

Sabemos sobre tudo quanto encontre-se sob os paradigmas científicos, sob a mais estreita vontade humana. Mas, e o que encontra-se fora destes limites...

Até mesmo os aviões que chocaram-se contra as torres gêmeas de Mahatan eram partes constitutivas de um planejamento do próprio homem. Assim, quantos planos e projetos, neste exato momento, estarão em vias de organização, envolvendo nossas vidas e a de tantos outros seres sobre o nosso planeta!

Quantos desses mesmos ideais, supra, encontram-se em linha de consecução, exatamente enquanto assimilamos estas palavras – que mentes encontram-se por trás do futuro da Humanidade, deste ano que inicia e de tantos “por virem”?

Por que alguns homens mexem decisivamente nos cursos a nortear a trajetória de milhares de pessoas, enquanto outros, tão somente, viram as costas para os destinos de toda a nossa espécie?

Como? Como tocar os corações empedrecidos pela obstinada busca de estabilidade, poder e riquezas? Onde está a lógica dos sistemas sociais, quando, em primeiro plano, não encontrarmos a criança, o idoso – se não formos capazes de priorizarmos a fome, o descanso, a moradia – Onde, onde está a lógica dos nossos modelos sociais, que, sob uma organização absurda, permitem que glebas de terras que pertencem ao mundo e a todos que nele habitam, possam ter títulos de propriedade, privilegiando uns, e arrastando outros, para sub-morros, sub-lixo...sub vida!

Que sistemas econômicos são esses, onde alguns poucos comem e a grande maioria passa fome?

Que organização social é esta, onde aqueles que mais trabalham, tirando das ruas, com suas próprias mãos, o lixo colocado por todos, são os que menos ganham?

O que falta para que objetivamente acabemos com a fome? O que custaria para cada cidadão plantar, apenas três mudas de árvores frutíferas, frente a sua residência? Dá para imaginar os trilhões de frutas em cada bairro? Dá para visualizar as milhares de toneladas de frutas que teríamos para alimentar, gratuitamente, a toda população? Dá para imaginar a capacidade exportadora de um País que adotasse esse modelo? Precisaríamos dessas campanhas sensacionalistas promovidas por entidades que enriquecem marchando com bandeiras de solidariedade, encortinadas por alguns poucos “miseráveis” escolhidos como “garotos propaganda” – enquanto a realidade de milhões continuam inalteradas...

Até quando vamos mentir e iludirmo-nos com nossas próprias mentiras? Até quando vamos aceitar o “engodo” como forma de convivência social?

Vamos continuar cobrindo, indefinidamente,  o déficit da saúde, enquanto sabemos que os maiores responsáveis por 90 por cento das doenças crônico-degenerativas, e seus desdobramentos sociais, com crimes, acidentes e degradação moral, encontram-se sob os auspícios das indústrias produtoras do fumo e do álcool – o que falta para que comecemos a condenar, como co-autoras, a estas indústrias, sempre que comprovadamente encontrarem-se, seus princípios ativos, influenciando, alterando e distorcendo a personalidade humana...fazermos com que paguem, contas em hospitais, funerais, indenizações em acidentes, e mesmo tratamentos de reorientação, danos e perdas, pela inaptidão natural acarretada pela alteração cíclica cerebral, decorrente da introdução do “etanol” no organismo...

Quem dentre todos os seres, não é sabedor que o cigarro provoca tuberculose e câncer? Poderia um sistema responsável de saúde permitir a inserção de propaganda que induzam as populações ao uso de drogas letais como essas? Que grande mentira vivemos? Quantos milhões são gastos pelo sistema público de saúde, com pacientes, vítimas dessas indústrias?

Até quando vamos fechar os olhos para aquelas plaquinhas dos açougues, onde lemos: coração, fígado, rins, peito, coxa, miolo, bucho - o que você pensa dizer “coração”? O que falta para vermos que o coração é parte de um animal morto – nos acordarmos para a realidade dos corpos em decomposição, esquartejados, publicamente expostos e negociados, como se a vida desses animais fossem inferiores, ou, não tivessem nenhuma importância...

Os seres evoluíram em diversos ramos – na escrita, saíram dos papiros e chegaram a composição eletrônica e mesmo a sistemas de capitação e digitalização de sons – na locomoção, deixaram a roda de pedra e já ultrapassaram a velocidade do som, chegando até mesmo a pisar na lua e tocar, com sondas, o solo de Marte – nas artes de guerra, ultrapassamos a pedra lascada e encontramo-nos em bombas digito-persceptivas (evolução?) – a igreja deixou de perseguir e matar cientistas e pesquisadores para colocar-se como conselheira da paz – as arenas onde homens eram devorados por leões, ao menos, foram substituídas por luvas, não havendo mais a obrigatoriedade da morte, embora muitos boxeadores fiquem com lesões cerebrais irreversíveis – no vestuário, já conseguimos evoluir muito, reduzimos significativamente as chacinas de animais, encontrando-nos em franca utilização de produtos sintéticos, micro-fibras e outros avanços mais recentes – nas comunicações, deixamos os mensageiros de ligação, bilhetes mão-a-mão e chegamos ao telégrafo, telegrama, telefone, fax, celular. Chegamos às comunicações de massa; rádio, televisão, internet – na cultura e educação, saímos das escolas filosóficas para as escolas interdisciplinares multimídicas...E nós perguntamos: - e na alimentação? Continuaremos primitivos, comendo carne de outros animais e bebendo o seu sangue, até quando?

2002 pode ser um ano especial, desde que sejamos capazes de fazermos opções, decidirmos por um modelo de vida mais saudável, e não termos vergonha de modificarmos, para melhor,  tudo quanto esteja ao nosso alcance. Força! Coragem e Fé!

Doutor em Psiconeurofisiologia – Educador Físico, Psicanalista Clínico, Especialista em Pesquisa Científica, Mestre em Métodos e Técnicas da Psicanálise, Vice-Presidente da Academia Roraimense de Letras e Presidente da Academia de Letras do Brasil – autor  de 23 livros.