ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

Extrato Memorial

Imortal NESTOR KIRJNER - ALB/DF

 

1.    Dados Pessoais

. Brasileiro, casado, poeta musical (letrista), compositor, professor de acordeon,
violonista autodidata, jornalista cultural e agente cultural.

. É formado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e
aposentou-se como engenheiro da TELEBRÁS, estatal que implantou no Brasil o Sistema
Brasileiro de Telecomunicações.

. Nascido em Santiago do Boqueirão (atual Santiago), no Rio Grande do Sul, no dia 20
de março de 1944.

. Tem, atualmente, 65 anos de idade.

. Filho de Jacob e Maria da Conceição Kirjner, ambos já falecidos. Tem três filhos,
todos com formação universitária.

. Reside em Brasília há 37 anos.

 

2.    Trajetória musical

. Professor de Música e Acordeon, diplomado no ano de 1959 pela Escola de Música
“Cabral de Mello Borges”, de Porto Alegre – RS, onde foi solista por vários anos.
Graduado por essa Academia de Música, teve seu título confirmado, ainda aos 14 anos,
 por aprovação no exame do Ministério de Educação e Cultura.

. Como acordeonista profissional, foi líder do conjunto de baile “Nestor e seu
Conjunto”, no período de 1960 a 1962, atuando basicamente na cidade de Porto Alegre,
capital do Rio Grande do Sul. Nesse grupo, desempenhava as funções de solista e
arranjador.

. Cursou a Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
formando-se em Engenharia Elétrica no ano de 1966. Nesse período, devido a problemas
de saúde (dores na coluna herdadas de sua atuação como acordeonista de baile),
trocou de instrumento, passando do acordeon para o violão. Autodidata, complementou
sua formação no novo instrumento com vários professores particulares, entre eles o
maestro José Gomes (da banda de Almir Sáter e Diana Pequeno) e os destacados
professores instrumentistas Eustáquio Grillo (da Universidade de Brasília) e Raul
Santiago (um dos fundadores da Escola de Música de Brasília). Atualmente é aluno do
professor Nélson Carega, da Academia ArtMed.

. Já em Brasília, exercendo a Engenharia Elétrica na área de telefonia, dedicou sua
veia artística basicamente à atividade de composição, tendo escrito inclusive música
para cinema. Fundou vários conjuntos alternativos, entre eles o Grupo “Vôo Livre”,
patrocinado pela empresa onde trabalhava. Foi também Diretor do Grupo de Teatro
“Sala de Espera”, quando procurou especializar o Grupo na montagem e releitura de
peças musicais, suplementando-as com músicas originais e textos poéticos por ele
criados.

. Aposentou-se como engenheiro no ano de 1997, dedicando-se, a partir daí, somente a
atividades culturais.

. Como microempresário, fundou e dirigiu por dois anos a Academia Kirjner, escola de
violão para principiantes, onde procurou implantar um modelo próprio e original no
ensino do instrumento.

. Tem três CDs gravados. O primeiro, de cunho profissional, denominado “Sinfonia da
Cidade Nova”, foi lançado no Dia Nacional da Poesia do ano de 2003. Gravou também
dois Cartões de Natal Sonoros, uma criação sua, ambos editados em tiragem restrita,
para distribuição gratuita nos Natais dos anos de 2007 e 2008.  

3.    Atividades como compositor de letra e música

. Revelou-se compositor precocemente, aos sete anos de idade, compondo
principalmente marchas de carnaval e sambas-canções. Como Diretor de Blocos de
Clubes, venceu carnavais por duas vezes (melhor bloco e melhor compositor, ambas em
concursos do interior gaúcho).

. Com a conclusão do Curso de Acordeon, teve uma fase como músico profissional,
quando formou o já citado grupo de baile e passou a compor MPB propriamente dita de
uma forma mais elaborada. Aos 17 anos, compôs “Canção da Esperança”, que caracteriza
o início de uma fase mais madura do compositor.

. A partir daí, classificou-se em diversos festivais, tendo em vários deles chegado
à condição de finalista. Teve duas notas máximas como compositor em carnavais do
interior do RS, mas foi em Brasília, onde chegou no ano de 1973, que viria a vencer
pela primeira vez um Festival de Música Popular. Em 1975, com a música “Pensamento”,
parceria com Lenine Rocha, foi escolhido melhor compositor no hoje histórico
Primeiro Encontro Brasiliense de Compositores, promovido pela Rádio Planalto.

. Na fase brasiliense, sem deixar de compor letra e música de suas próprias canções,
Nestor Kirjner começou a desenvolver diversas parcerias, tanto fazendo melodias para
amigos poetas como fazendo letras para músicos com quem convivia. Uma dessas
parcerias deu origem a “Canto-Brasília”, feita sobre uma melodia do compositor
Tiãozinho Rodrigues, fundador do também histórico conjunto brasiliense “Squema
Seis”. A música foi lançada em 1982 pelo próprio Squema Seis, constituindo-se na
primeira tentativa de compositores de Brasília no sentido de popularizar canções de
amor à cidade, à maneira de “Cidade Maravilhosa”, canção que ainda hoje caracteriza
a cidade do Rio de Janeiro. O tema do “Canto-Brasília” é bastante popular, de fácil
assimilação, e o poema utiliza-se das sete notas musicais, para cantar sete
sentimentos sobre a cidade-milagre em que vivemos, concluindo-se com forte refrão,
no oitavo movimento da melodia. O projeto de divulgação do “Canto-Brasília” nas
escolas de nível médio do Distrito Federal foi aprovado pelo Fundo de Apoio à Arte e
à Cultura – FAC e pelo Conselho de Cultura do Distrito Federal no ano de 2001, tendo
sido executado ao longo do ano de 2002.

. Nestor Kirjner possui cerca de 80 músicas próprias e cerca de 20 composições em
parceria. Entre suas músicas mais conhecidas estão, além das já citadas
“Canto-Brasília” e “Pensamento”, o samba de raiz “Minuto Vagabundo”, o irônico e
alegre “Forró Brasiliense”, e a “Valsa do Pierrot” (todas compostas com parceiros
brasilienses); e também o “Hino Para o Ano Novo”, a utópica “A Lenda de Vila Branca”
e a homenagem que o compositor fez ao Coral que ajudou a fundar, a marcha-rancho “Se
o Coral Alegria Passasse por Mim”, estas últimas com letra e música do autor.

. A mais importante realização de Nestor Kirjner como compositor foi a concepção e
realização do CD “Sinfonia da Cidade Nova”, lançado em 14 de março de 2003, no Dia
Nacional da Poesia, há 5 anos passados. O lançamento aconteceu nos significativos
espaços brasilienses do Pátio Brasil, sede da Feira do Livro, e da UnB -
Universidade de Brasília. Trabalho de dois anos de duração, entre composição,
gravação e lançamento, a “Sinfonia da Cidade Nova” é uma homenagem a Brasília que
parte da idéia que moveu Tom Jobim e Vinícius de Morais a compor, em pleno
Catetinho, no ano de 1959, a “Sinfonia da Alvorada”, música-tema da inauguração de
Brasília. A “Sinfonia da Cidade Nova” pretende ser uma tradução popular dessa
importante obra poético-musical. Apoiado pela participação de sete talentosos
parceiros, a “Sinfonia da Cidade Nova” está estruturada com um Prólogo e três
Movimentos, onde surgem canções épicas ao lado de choro, samba, xóte, forró,
marcha-rancho e valsa brasileira, num retrato musical de Brasília que entendemos ser
fiel a sua história de convivência e miscigenação. E, na letra do “Samba da Cidade
Nova”, música-tema dessa “Sinfonia” popular, Brasília é preconizada utopicamente
como a futura “Capital da Paz”.

4.    Atividades culturais

. É Diretor Musical do Coral Alegria, há 8 anos. Esse Coral, que nasceu na
Administração de Brasília, é atualmente patrocinado pela Codeplan, e foi convidado
pela Academia de Letras de Brasília para participar da abertura dos festejos do
Cinquentenário da cidade, festividade ocorrida em novembro último no Museu Nacional
da República.

. Diretor Cultural também licenciado da Sociedade Amigos da BDB - Biblioteca
Demonstrativa de Brasília. Nessa instituição, foi, por vários anos, Secretário da
Comissão de Seleção do Projeto Bibliomúsica, patrocinado pela BDB, que conta com o
apoio da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Foi também pioneiro desse Projeto,
como participante, no ano de 1995. Licenciou-se dessas funções em agosto do ano
passado, por problemas de saúde e recomendação médica.

. Seresteiro e cantor eventual, é membro de várias confrarias musicais, cultor
abnegado que é de nossa MPB mais tradicional.

5.    Atividades literárias

. Embora ainda não tenha publicado nenhum livro totalmente seu, Nestor Kirjner
publicou poemas em diversas antologias, cabendo destacar as da Casa do Poeta
Brasileiro e as do Sindicato dos Escritores (do qual tornou-se membro por convite
dos ex-Presidentes Gustavo Dourado e Meireluce Fernandes).

. Agraciado pelo INBRASCI – Instituto Brasileiro das Culturas Internacionais, como
uma das 13 personalidades que mais contribuiu para a cultura de Brasília no ano de
2007.

. Prefaciou obras de diversos escritores brasilienses (Ydê Afonso, Isolda Marinho,
Luci Afonso e Alen Guimarães).

. Colunista cultural do jornal “Lago Notícias”, com tiragem média de 10.000
exemplares. A coluna “Toques Culturais”, que é publicada desde julho de 1998,
completará, em agosto de 2010, 12 anos de publicação ininterrupta, sendo
provavelmente a mais antiga coluna cultural de nossa imprensa alternativa.

. Diretor Cultural licenciado da Casa do Poeta Brasileiro, onde já foi, por duas
vezes, Vice-Presidente da Casa.

. Atuou como revisor de textos, fazendo esse trabalho em obras de vários escritores
brasilienses.

. Tornou-se parceiro de Alfonsina Storni, a grande poeta argentina, ao musicar, em
forma de bolero, o belíssimo poema “Oye!”, em que Alfonsina prenuncia seu suicídio,
que realmente viria a ocorrer.

6.    Principais comendas e premiações

. Medalha do Centenário de Bernardo Sayão, outorgada em solenidade realizada no
Catetinho, recebida das mãos de Léa Sayão, filha de Bernardo, e de Ana Cristina
Kubitschek, neta do fundador de Brasília.

. Como já citado anteriormente, obteve nota máxima no Primeiro Encontro Brasiliense
de Compositores, promovido pela Rádio Planalto em 1995, com a música “Pensamento”,
em que compôs a melodia e grande parte da letra da canção. Foi um evento histórico,
por ter sido o primeiro festival aberto de música popular realizado em Brasília.

. Nota dez do poeta Mário Quintana, num festival de música realizado no Rio Grande
do Sul. Foi a única nota dez dada pelo poeta, entre 770 letras concorrentes.

. Inclusão, como representante do Distrito Federal, na Antologia do Centro de
Cultura da Região Centro-Oeste – CECULCO, publicada no ano de 2005, sob o título de
“Chuva de Poesias, Cores e Notas no Brasil Central”.

. Essa trajetória culmina, na data de 11 de fevereiro de 2010, com o convite da
Presidente Vânia Moreira Diniz, para integrar a Academia de Letras do Brasil.