ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL PARANÁ

Presidente Dr. José Feldman - Ph.I.

DISCURSO DO IMORTAL - Dr. ANDRÉ CARNEIRO - Ph.I. / CADEIRA 69/ALB/PR.
MEMBRO FUNDADOR VITALÍCIO

PATRONO - OSWALD DE ANDRADE

Escolhi Oswald de Andrade como patrono, homenageando não só sua reconhecida
importância na historia de nossa literatura, mas também a amizade que eu
tive o prazer de desfrutar da sua rica personalidade.

Não fazia muito tempo que ele tinha chegado de uma de suas prolongadas
estadias na Europa, principalmente em Paris.

Conheci Oswald durante o celebre Congresso Nacional de Literatura ocorrido
em São Paulo, do qual nasceu a denominação da chamada “geração de 45”.
Oswald (cuja pronuncia correta é com acento no “a”, e jamais com acento na
primeira sílaba, como na língua inglesa).

O Congresso ocorreu no auditório da Biblioteca Municipal de São Paulo,
naquele tempo dirigida por Sergio Milliet, que brilhantemente desenvolvia a
herança do grande Mario de Andrade.

Como centralizador de atenções e admirações,

a inteligência e a agudeza mental do Oswald era um ponto destacado do
Congresso.

Uma tese por ele apoiada, tinha votação favorável garantida. Outra por ele
combatida não conseguia reunir defensores suficientes para contrapor seu
cabedal de argumentação e oratória brilhante.

Quando terminei a leitura da minha tese, Oswald pediu a palavra. Eu
estremeci. Morava em Atibaia, acho que eu era o único escritor participante
vindo do interior. Minha atuação naquele Congresso era uma estréia no mundo
literário paulista, naquela época o mais erudito e destacado em todo o
Brasil. Se Oswald fizesse a mais leve objeção aos meus argumentos eu estaria
liquidado. Acho que eu tremia. Oswald me apontou com o braço, fez uma
brincadeira, pois eu era um jovem desconhecido. E, em seguida, me elogiou,
destacou qualidades que eu jamais imaginara. Para mim foi uma consagração. A
“Gazeta de São Paulo” publicou minha foto ao lado de Oswald.

Ficamos amigos. Oswald me visitava em Atibaia, onde ele sonhava patrocinar
uma grande Universidade. Escreveu artigos no “Correio da Manhã” do Rio,
sobre esse assunto. Mas essa já é outra historia sobre este notável
escritor.

André Carneiro