ALCA

Mário Carabajal*

É importante que se registre o peso que a economia americana exerce sobre o Brasil. Cerca de 24% do que produzimos é destinado ao mercado estadunidense. Mesma cifra de exportações se somarmos todos os países que consomem a produção brasileira na Europa. Também equivalente a tudo o que o Brasil consegue colocar na América Latina. Os 28% restantes, espalham-se pela Ásia, com 12% e outros países 16%. O que dá enorme vantagem aos Estados Unidos na mesa de negociações. Quaisquer barreiras que se lhe imponham ao Brasil, as conseqüências seriam sentidas imediatamente.

O que bem se evidencia, a continuar a tendência mundial em se formarem blocos ao fortalecimento econômico, é que também os países asiáticos se unam. Passando a ocorrer o mesmo com o continente africano. Assim, passaremos a contar com cinco grandes blocos econômicos no mundo, onde, nesse momento, os Estados Unidos encontra-se-ia naturalmente isolado. Tendendo a formarem um sexto bloco.

Aos países integrantes da ex-União Soviética prospecta-se, ao lado da União Européia e Alcsa (países sul-Americanos) três dos seis blocos há que tende se dividir o mundo econômico. Pea (Pacto Econômico Asiático) e Umea (Unificação do Mercado Econômico Africano) somam os outros dois, ficando os Estados Unidos praticamente isolados. Consigo, aglutinará os países da América Central, subordinando-os totalmente e os tornando ainda mais dependentes. Estes, impostamente, haverão de aceitar passivamente a ingerência norte-americana.

Ainda que difícil sejam as negociações no atual estágio de re-organização da economia mundial, a partir da re-aglutinação de interesses, é preciso que se mantenham posturas de união ao fortalecimento dos países com desvantagem econômica. Caso contrário, correrão o risco de um retrocesso colonialista, com infindáveis cortejos aos detentores do capital.

Nesta primeira metade do século XXI, a ampliação dos mercados consumidores e o atendimento às demandas internas de alimentos, educação, saúde, vestuário e habitação, dispensando-se especial atenção à pesquisa e desenvolvimento tecnológico, sem que preciso seja trocar a cor da bandeira, são os grandes desafios a todos os países pobres e em desenvolvimento.

Ao Brasil, em especial, compete, além de resistir as imposições e pressões americanas na mesa de negociações para a implantação da Alca, ampliar as relações econômicas com a União Européia. Ainda, fomentar a criação da Unificação do Mercado Econômico Africano. E, se com um pouco mais de comprometimento, endossar a necessidade de criação de um bloco econômico asiático.

Uma forte tendência de novos ensaios à reestruturação dos países socialistas dão sinais de vida. Isto, a partir do presidente venezuelano Hugo Chávez. Certamente nos mesmos modelos que o mundo conhece. Onde, o socialismo só é observado nas classes trabalhadoras, tendo como senhores, capitalistas, nas cúpulas governantes. Não podemos contudo, negar avanços significativos em sociedades socialistas, como as observadas em Cuba de Fidel Castro e posteriormente de Raul Castro, irmão do lider Fidel. A educação, saúde e índices de desenvolvimento humano em Cuba, encontram-se entre os melhores do mundo. Os objetivos do Milênio, de redução da fome em 50% até o ano de 2015, encontram em Cuba, as maiores possibilidades de serem alcançados. O Brasil, encontra-se entre os poucos países do mundo onde a meta foi alcançada antecipadamente. Ainda que em 2007, a mortalidade infantil brasileira, mantinha-se na terceira posição entre os países de maiores índeces na América do Sul.

 

* Jornalista. Especialista em Pesquisa Científica. Analista Internacional. Presidente da Academia de Letras do Brasil. (Professor/Ph.D.)