ALICERCES DO CAPITALISMO
Mário Carabajal*
Os mercados internacionais, as bolsas de valores e o poderoso capitalismo mundial dependem do simples borracheiro ou estivador, costureira e mesmo do lixeiro.
Se refletirmos sobre a vida a nossa volta, podemos imaginar a quantidade de profissionais responsáveis pela manutenção do sistema ao qual estamos inseridos. Sem reflexão, não há evolução.
Poucas são as pessoas que conseguem valorizar o pedreiro, carpinteiro, pintor, borracheiro, estivador, motorista, lavrador, sapateiro, costureira, doméstica, encanador, oleiro, lixeiro... A sociedade em quase nada insere estes profissionais, senão na hora de resolver os problemas que se lhes apresentam e daqueles dependam a solução por alguns míseros trocados.
Eliminemos de suas atividades um dentre os profissionais supra; - o aparentemente simples borracheiro. Em sua falta, o mundo entraria em colapso devido ao caos que isto representaria para os transportes coletivos, individuais e de cargas. As economias e bolsas de valores do mundo inteiro seriam atingidas.
Experimentemos agora tirar do cenário o operário, seja ele da indústria ou da construção. E novamente resultaria em um novo colapso dos mercados mundiais. Indústrias com suas produções paralisadas, construções inacabadas, desemprego em massa e quebra total do sistema financeiro.
E se o profissional desprezado fosse o estivador. Também veríamos a ruína do capitalismo. Cargas nos portos do mundo inteiro ficariam acumuladas, inviabilizando a exportação e importação. Com isso, a quebra do mercado de capitais, atingindo todos os demais sistemas; transportes, comércio... O desemprego, fome e o caos mundial mais uma vez se instalariam.
Sem as costureiras, o atual modelo econômico sofreria o efeito dominó de abalo, com desemprego em massa e profundas mudanças sócio comportamentais. Estariam os seres psicologicamente preparados para andarem nus? Continentes inteiros como a Europa seriam inviáveis à vida, pela falta de roupas apropriadas para suportar o rigoroso inverno.
Observemos os lixeiros. Sem eles, em seis meses, a humanidade daria os primeiros sinais de um grande colapso. Pestes, endemias e epidemias ainda não vividas pela humanidade, rapidamente ultrapassariam os limites de tolerância e controle. A ordem social e o atual status hierárquico e econômico se renderiam à importância desses profissionais, que a todo o dia, privados de conforto e mesmo escravizados por salários de fome, promovem o saneamento essencial à perpetuação da espécie humana. Sem eles como alicerces, o caos se faria em pragas, resultando em toda espécie de doença. Ruína do capitalismo. Os próprios médicos se curvariam em reconhecimento da essencialidade desses verdadeiros e não reconhecidos agentes de saúde. Os governos do mundo, aterrorizados pela sombra da podridão a sua volta, rapidamente reconheceriam o exato lugar em importância dos lixeiros, renegociando ótimos salários e toda ordem de assistência, a estes e seus familiares. Provavelmente até mesmo se lhes reconheceriam em condição inequívoca, como os verdadeiros doutores do mundo, com salários e tratamento compatíveis.
Esperamos que os alicerces da grande pirâmide capitalista, com as mesmas mãos calejadas pela ingratidão, removam as bases que sustentam e enriquecem seus malfeitores.
*Professor, Jornalista e Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica. Ph.D. Presidente da ALB.