ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO
DAS AMÉRICAS
*M á r i o C a r a b a j a l
A implantação da Alca – Área de Livre Comércio das Américas, prevista sua implantação a partir de janeiro de 2005, promete uma grande quebra de braço entre Brasil e Estados Unidos. Pode-se até mesmo notar o início da pressão norte-americana ao acusarem o Brasil de não estar cooperando á inspeção da Comissão da ONU sobre as imensas reservas de urânio (principal ingrediente da bomba atômica). A ONU, como bem sabemos, vem sendo manipulada por interesses unilaterais americanos. Frente a quaisquer entraves aos seus propósitos econômicos de expansão, o governo americano lança mãos de suas comissões, passando a exigir enquadramento dos países contendores. Assim, manipulam, por fortes ameaças, quem lhes faça oposição.
Muito antes de se falar em União Européia, liderada pela França, ou Alca, pelos Estados Unidos, o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, já discutiam a implantação do Conesul, objetivando alavancar a economia desses países a partir de facilitações alfandegárias. O tratado à criação do Mercosul foi assinado em 1991 em Assunção/Paraguai, e quatro anos depois, 90% das mercadorias fabricados pelos membros, passaram a contar com isenção nas tarifas alfandegárias. Saltando de 4 para 20 bilhões de dólares anuais, em apenas oito anos (1990/1998) as transações comerciais entre os quatro países.
Atualmente, o laço comercial entre os países integrantes do Mercosul, conta com a total liderança do Brasil. Dessa forma, quaisquer negociações que pese sobre os produtos desse bloco, para a implantação da Alca, necessariamente, encontra no Brasil, seu maior representante. O objetivo final encontra-se na criação da Alcsa – Área de Livre Comércio Sul-Americana, passando a congregar, além dos já integrantes do mercosul, também os países andinos.
O interesse americano, antes de fortalecer as Américas, encontra-se em garantir mercado para a produção de seus produtos, já que o mercado europeu fecha-se a cada dia mais e mais, em busca de auto-suficiência, estabilidade e total independência de ingerências americanas.
Antecipando-se à uma grande crise econômica eminente, o governo estadunidense, freneticamente, dá tiros para todos os lados, força uma maior dependência dos países das Américas, como que agonizando por um futuro incerto. Ainda que não bem evidenciado para o mundo menos atento, mas notório aos críticos de economia internacional.
Ao contrário, os maiores países do mundo, em população, e por conseqüência, consumidores, China, Índia e Brasil, liderados por este último, aproximam-se rapidamente, prevendo a necessidade de uma maior união para fazerem frente ás grandes demandas internas. E mais uma vez, esboçam-se traços de um futuro mais difícil aos ditames e pretensões de domínio americano.
A preocupação dos países sul-americanos encontra-se em terem seus mercados internos dominados pelos produtos americanos, sem que a contra-partida seja recíproca. Tanto pela superprodução americana, a partir de incentivos econômicos internos, quanto por exigências sanitárias, sociais e qualitativas, constituindo-se em barreiras aos produtos externos. Dessa forma, com a Alca, no modelo em que se encontra, os países membros ocupariam um papel de consumidores passivos, sem possibilidades reais de concorrência com os Estados Unidos.
* Jornalista. Especialista em Pesquisa Científica. Analista/Ph.D. Presidente da Academia de Letras do Brasil.