CONTRA-EDUCAÇÃO

*M á r i o  C a r a b a j a l

Ao longo de vinte anos prestamos serviços à educação no Brasil. Contudo, nunca deixamos de observar o desserviço contrário à Educação, a Contra-Educação.  

A Contra-Educação de diversas formas se opõe e mesmo desfaz longos anos de dedicada oferta de valores a alimentar o ser em formação.  

Os seres são programados nos meios familiares e externos. Esforços coletivos têm sido empregados em busca de bem “programar” os novos seres que um dia serão os responsáveis pela programação em cadeia evolucional social.  

“...contrariando e opondo-se ao fim da Educação, com muito mais facilidade, a Contra-Educação encontra-se em todos os meios...“ Getúlio Cruz  

Encontramos a Contra-Educação desde os meios familiares através de pais e mães que fumam e bebem e mesmo oferecem estas drogas aos filhos, como nos sociais, na mídia, igrejas, meio militar, e onde não se esperaria, a escola. Todos, com poder psicossugestivo.  

Um exemplo clássico dentro das escolas e meios militares, encontra-se em alguns diretores,  professores e superiores nos quartéis, negarem aos alunos ou militares, o direito à saciar a necessidade fisiológica de tomarem água ou dirigirem-se ao w.c. quando sua fisiologia o exige.

Circulam no Brasil e Mundo, psicossugestões coletivas, capazes de contrariarem o princípio educacional em relação ao alcoolismo. Onde, aconselham e sugerem àqueles com problemas emocionais a “embriaguarem-se em uma mesa de bar”. Como se esta fosse a forma adequada à resolução de problemas. Através de uma “simples música” todo o esforço educacional é contrariado, levando muitos jovens a descaminhos, muitas vezes, irreversíveis.

A Contra-Educação têm fortes aliados, sob os rótulos de liberdade e cultura marcha célere sobre o povo, enriquecendo e conquistando mais e mais espaços a cada dia. Ao contrário, a Educação segue um caminho penoso e difícil. Pois tudo o que faz a Contra-Educação se propõe a desfazer.  

A Contra-Educação, como dissemos, encontra-se também em noticiários de televisão, rádios e jornais. Os pautadores desses veículos optam por matérias que causem impacto na população, na esperança de conduzirem seu público sob um prisma psico-emocional de dramaticidade e sensacionalismo. Para que se obtenha um exato dimensionamento da Contra-Educação pela mídia, imagine-se um rapaz que se orgulhava em retirar do bolso um pedaço de jornal velho e mostrar dizendo “esse sou eu”. Ele aparecia algemado no jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul. O rapaz orgulhava-se por haver aparecido no maior jornal daquele estado. Como ele, milhares de jovens seguem por descaminhos sob o incentivo contra-educacional.

A difusão da Contra-Educação é infinitamente maior que o da Educação. A Contra-Educação circula gratuitamente na mídia. Sobretudo, pela não observância, e mesmo desconhecimento, por àqueles que fazem as pautas e programações dos veículos de comunicação.

A psicossugestão contida em todo o diálogo entre os seres também é parte integrante de reações do conflito Educação x Contra-Educação. Quem mais sabe não podem se omitir em opor-se à Contra-Educação.  

O estupro é outro exemplo. Este nada mais é senão e tão somente um “crime” previsto sua possibilidade pela própria lei. Quantos anos equivalem ao direito de estuprar? Três, cinco, dez! Encontrando-se o estuprador alcoolizado, ou sob o efeito de drogas, a pena é reduzida. Pois, não tinha plena consciência do que fizera.

A Contra-Educação induz os seres a uma malha de atitudes em cadeia. Assim, pelo erro de um, milhares podem ser atingidos multiplicativamente. Conscientes das reações contra-educacionais, àqueles que contam com conhecimentos psicomaturacionais em melhores níveis de clareza, devem interromper o processo, fazendo-se verdadeiros pólos canalizadores dos efeitos contra-educacionais e redistribuidores da legítima educação.

Observemos o tabagismo e o alcoolismo. Sabemos que o tabagismo é responsável por parte significativa de doenças coronárias e pulmonares. No entanto os cigarros, como o álcool, encontram-se na mídia, autorizados pelos Ministérios da Saúde e Fazenda. Com aquiescência governamental, fazem milhares de vítimas. Enganam-se as autoridades públicas que pensam através dos impostos destas indústrias suprir o déficit na saúde. A Contra-Educação que circula sob os auspícios do álcool não é menor. Tivéssemos sensibilidade ouviríamos gemidos de milhares de pessoas vítimas de acidentes automobilísticos propiciados pelo álcool. A Educação, até o presente, não canalizou forças suficientes para fazer com que constem as indústrias da Contra-Educação, como co-autoras nos processos civis onde a causa-morte se comprove embriagues. Espancamentos de esposas e filhos, assim como a perda de identidade social, desemprego e a porta a outras drogas, são outros desdobramentos com a mesma origem contra-educacional.  

Necessitamos estar atentos aos malefícios da Contra-Educação e sob a força da Educação não permitir, “deixar a vida nos levar”.  

Somos todos responsáveis por esta “batalha” constante entre o “bem e o mal”. Os promotores do mal não são também totalmente responsáveis. Como já dissemos, até mesmo o Governo Federal e o Parlamento brasileiro poderiam, sob a ótica de uma justiça também mais evoluída, serem enquadrados como co-autores de diversos males cuja origem conta com a permissibilidade Constitucional.

A Contra-Educação permeia todos os meios e se manifesta das mais distintas formas. Anda sobre os ombros da “legalidade” contra-educacional do cigarro e álcool. Portas estas de entrada a outras drogas. Evolui do usuário de drogas, co-autor inconsciente de incontáveis delitos, à  formas mais eficazes, contra-educacionais, ao instrumentalizar o crime organizado.  

A Contra-Educação deve ser evidenciada e dispositivos legais criados à defesa pública. A responsabilidade civil em oposição a Contra-Educação é de todos!
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Artigo publicado no Jornal Folha de Boa Vista 04 junho de 2004