DEUS - O ÚLTIMO MITO
Mário Carabajal*
O que é a fé senão uma inequívoca busca de auxílio aos problemas gerados pela complexidade existencial; ficções sânticas inconsistentes, apoiadas na ignota esperança de um por vir divino; de uma esperança à interferência e ingerência de um deus sobre a própria vida; a isenção de responsabilidade e culpa sobre os desígnios da humanidade.
Irrefutáveis se nos apresentam as descobertas científicas que tratam sobre a energia qüântica de Einsten; a ordem de atrações de campos gravitacionais e eletromagnéticos; a transformação do hidrogênio (elemento mais abundante do universo) em energia núcleo-atômica, cujo espectro, pela reação nos vegetais, se fará energia química, e na neurofisiologia animal, eletroquímica, dessa seqüência transcodificando-se em pensamentos e movimentos.
A vida é dependente das reações núcleo-químio-atômicas. Em nada depende dos mitos gerados pelos babilônios, gregos ou hebreus em seus livros; Enuma Elish, Teogonia ou Gênesis, respectivamente. Fontes essas de pseudo-criações à ilusões coletivas.
A religiosidade, com culto a entidades inexistentes e mitológicas, como deus ou diabo, sem um controle e dosagem do homem sobre a fé, gera fanatismos e coorporativos. Seus líderes, também iludidos em momento de carência afetiva ou de auto-estima, ou por outros interesses, repassam falsas ilusões; impõem suas doutrinas; ameaçam alijar do céu quem pense por conta própria; condenam ao fogo do inferno e ou propõem guerra na Terra àqueles que não se encontrem sob a mesma sigla mística.
Os seres, cegos por uma fé compensatória das frustrações, desencontros, descaminhos e incapacidades, pessoais ou familiares, optam pela alo-condução místico-divina, por julgarem-se incapazes à auto-condução.
Como caminho mais curto, necessário e imediato de aspiração a um novo estágio social evolucional, comum e sustentável, ainda que sob influência mística e religiosa, é necessário que os seres adotem um modelo de vida ativo, co-partícipe e comprometido com a saúde de seu corpo e mente; flora e fauna; sociedade e ambiente em que vive.
O ser que foge de sua vida e realidade, ou não à domina e nem a entende, inconscientemente busca nos céus, substitutivos fictícios que o iluda e o mantenha sob pseudo-realidades.
Algumas religiões, mesmo sob uma tônica mito-mística, desempenham o papel fundamental de suporte psico-integrativo e regenerativo de milhares de seres. Sem essa ilusão, ainda em nossos dias, muitos se entregariam as suas naturezas puramente animais.
O grande desafio, encontra-se; antes de crermos em deus, sermos Homens. E só então, passarmos a aceitar a ilusão da pseudo-assertiva de que fomos feitos a sua imagem e semelhança. Antes de um deus criar o homem, foram os deuses criados pela fértil imaginação humana em resposta as suas próprias necessidades.
Todos os deuses do passado foram derrubados por Jesus. Falta-nos agora o uso da razão, e para muitos um pouquinho de coragem, para olharmos também sem fantasia para o último mito que mantém a humanidade refém do misticismo; – Deus, e com ele, o Diabo. E com ambos, todas as guerras e disputas religiosas. De onde, pela consciência e auto-responsabilidade total, sem mitos e ilusões, adentraremos em uma Era, nem atômica, nem faraônica, mas simplesmente harmônica da humanidade.
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*Professor, Jornalista e Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica. Ph.D. Presidente da ALB.