O elo perdido
Mário Carabajal*
Não há um só ser sobre o mundo que não encontre-se em busca do elo que acredita leva-lo à plena realização. A complexidade da existência é tamanha, que bilhões de pessoas ajoelham-se diante a padres e pastores, na esperança de que fossem esses os seus elos perdidos.
Fundamental foi o primeiro passo experimental dado pelo astrônomo Galileu à formatação de uma postura concreta às ciências. No mundo atual, mesmo com todo o avanço científico e desmistificação de pseudodivindades, encontramos 88% da humanidade, aproximados 5,4 bilhões de pessoas, ligadas a alguma religião ou seita. E isso não limita-se aos seguimentos menos privilegiados sócio-educacionais e econômicos - para quem os deuses foram criados. Encontramos nesses meios, pessoas "teoricamente" esclarecidas, com nível superior, e até mesmo, doutores, com Ph.D. Não é raro representantes do direito, da política e agronomia, entre outras ciências, manifestarem pseudoentidades espirituais em seus psiquismos. Há bem pouco, magistrados solicitavam juramento em nome de deus às testemunhas.
Desde que se registrou as primeiras páginas da história das civilizações, vemos a trágica herança dos deuses; guerras sobre guerras, discórdia, sangue, fome e destruição. Mesmo em nossos dias, o doente presidente americano fundamenta-se da bíblia para lançar seus mísseis sobre os povos do oriente. Bush, para quem não sabe, é evangélico. Não é católico ou ateu.
A continuar essa perspectiva doentia para a humanidade, de adoração a pseudodivindades, sem que os homens assumam suas reais cotas de responsabilidade para com o futuro do planeta, haveremos de involuir a tempos cavernários. Igrejas como a Universal já estão criando os seus próprios partidos. A Assembléia de Deus, e tantas outras siglas já contam com representantes em câmaras municipais e federais, assembléias e senado. O que veremos à seguir, nessa linha fantasmagórica de pseudorrealidades, será o embate mitológico entre os representantes dessas variadas linhas extra-terrestres. E o pior! Com tendências bélicas, na tentativa doentia de provar a superioridade de seu deus. Testemunhas de Jeová são tidos como seita em outros meios religiosos. Católicos e protestantes disputam a posse do pseudodeus inventado pelos babilônios, aprimorado pelos gregos e, com os hebreus, ganhado vida na neurose psicossugestiva (mandato parental) assumida por Jesus.
É interessante de acompanhar a evolução psicomaturacional dos seres. Basta trocar de religião para que a outra se torne ultrapassada e não mais leve a deus. Imaginem a leveza que é encontrar-se totalmente fora de quaisquer dessas fantasias! No mundo, apenas 12% ou algo em torno de 7 milhões de pessoas são totalmente conscientes, sem quaisquer vínculos com meios místicos ou mítico religioso. Somente em Roraima, pesquisas do ICPP/ALB indicam aproximadas 30 mil pessoas que declaram não crer em deus e não pertencerem ou freqüentarem a nenhuma religião e seita. Alarmante para um Estado tão pequeno e com tantas dificuldades econômicas, políticas e sociais. Parece que as dificuldades têm contribuído para a elevação da consciência coletiva. Aliás, curiosamente, os pastores religiosos herdaram um nome nada amistoso. Quem eram os pastores do passado senão mercenários de suas próprias ovelhas. Às alimentavam e criavam apenas para contarem com um melhor preço, por cabeça no mercado.
*Professor. Jornalista e Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica. Presidente da ALB.