FANTOCHES DO PODER

Mário Carabajal*

Os donos dos partidos decidem o destino da Nação. Nada ou muito pouco vale elegermos os Deputados Federais e Senadores.

Além de temas regionais, nada mais é facultado à consciência dos Deputados e Senadores do país. Os líderes partidários, juntamente com os presidentes dos partidos (e estes com seus grupos reservados de amigos) ditam os temas a receberem aprovação ou desaprovação pelo Congresso. Muito pouco interessa, naquela esfera, o que pensam e gostariam os eleitores e verdadeiros mandatários do poder – o povo brasileiro.

Não temos visto, ao longo da história evolutiva de nosso país, parlamentares verdadeiramente comprometidos com o pensamento popular. Da forma como tudo é decidido em Brasília, nem mesmo necessitariam as centenas de Deputados que lá se encontram. Os donos dos partidos, previamente apontam para onde deve seguir à vontade dos ilustres Deputados. São verdadeiras marionetes.

Certamente não se resume, os mandatos nacionais, à vãos pronunciamentos no Congresso, sem nenhuma repercussão constitucional. Centenas foram os tempos ocupados pelos representantes de Roraima no parlamento quanto a questão demarcação indígena. No entanto, a revelia, o resultado bem conhecemos.

A população brasileira precisa exercitar-se quanto a sua parte a um aproveitamento com excelência do poder do voto. A democracia é viável. Urgente faz-se a politização de todos nós, eleitores e principais responsáveis por esta lama de sujeira que permitimos se manter. Fala-se em todos os meios que a tendência, a cada nova eleição, é que nenhum candidato, com mandato, venha a se reeleger. Não acreditamos nessa possibilidade. Àquele que bater à porta do eleitor, com a maior oferta econômica, sempre será bem recebido, e a gratidão e honestidade dos mais humildes, se lhes outorgarão novos mandatos. Contudo, precisamos acreditar que é possível mudar o Brasil. Sem esta esperança, desfariam-se todos os nossos ideais e esperanças. Entregar o país sem lutar por mudanças, seria como entregar a vida à própria sorte, sem a menor possibilidade de vencer. Culturalmente nosso povo é carente. Economicamente mais ainda. Esperar que votem em candidatos com projetos que se lhes retornaria em benefícios sociais, é quase utopia. Da mesma forma agem os Deputados e Senadores. Em Brasília, além de seus interesses pessoais, econômicos, coadunam-se aos interesses dos líderes partidários, também econômicos, desconsiderando totalmente, quaisquer possibilidades de representarem seus eleitores.

Particularmente, somos favoráveis a uma reforma libertadora na Lei Eleitoral, onde o próprio cidadão, independente de filiação ao sigla partidária, venha a gozar do direito de inscrever-se como candidato. Somente dessa forma, sem atravessadores do poder, poderiam os Deputados, fazer valer a vontade de quem os elegeu. Este direito de Candidaturas Livres, defenderei até os últimos dias de minha vida, materializando ou não o sonho (objetivo) de conquistar uma vaga meio aos lobos que atualmente corrompem até a alma do cidadão.

Persistir, insistir e não desistir, com vontade inquebrantável, mesmo contra todas adversidades, é a única arma que temos, representada no voto, contra as desgraças que tentam nos destinar.

É possível mudar! Precisamos acreditar! Como grãos de areia, sustentamos montanhas inertes. Sem cada um de nós, elas se tornam frágeis. Sem base, seu imponente status desmorona.

* Professor, jornalista e psicanalista. Especialista em pesquisa científica. Ph.D. Presidente da Academia de Letras do Brasil.