GOVERNO INTERMINISTERIAL

Mário Carabajal*

Não adianta trocarmos ministros, presidentes, senadores, governadores ou secretários. O erro ou falha, não é humana, e sim administrativa. É a visão parcial e independente dos setores públicos que os impede do grande salto evolutivo.

Se na medicina tratarmos os sintomas, jamais alcançaremos a cura. Sob esta mesma assertiva, em educação, tem-se a interdisciplinariedade. Na administração, até mesmo os fatores intercorrentes são considerados a uma inferência.

Exatamente estas simples visões da medicina, educação e administração, faltam aos governos municipais, estaduais e federal. A solução da previdência brasileira, que para o despreparado presidente lula, encontra-se em Romero Jucá, tem sua equação definitiva em diversos outros segmentos ministeriais. Parte, por exemplo, encontra-se nas atuais convenções internacionais de comercialização de grãos e outros produtos. Milhões de pessoas, dependentes da previdência, o são por haverem carregado ao longo de anos, sacas de 40, 50 e 60 Kg, nos próprios ombros, ou mesmo pedras, como o paralelepípedo, que pesa 70 Kg. Até duzentas pedras destas são carregadas e descarregadas de caminhões por homens, mal pagos e mal alimentados. Estes homens, juntamente com os pequenos agricultores, sofrerão eminentemente problemas de coluna, acabando por aumentarem o déficit previdenciário. A solução, como se vê, para diminuir-se os dependentes da previdência, é dependente de se regulamentar (humanamente) o peso dos produtos que circulam e mesmo entram no país, que dependam da mão de obra humana.

Os ministérios da fazenda e saúde são co-responsáveis pelo déficit previdenciário. O primeiro, autoriza o funcionamento das indústrias do fumo e álcool, que a cada dia, leva milhares de pessoas aos leitos hospitalares. Essas indústrias ficam com os lucros de seu vanpírico comércio, lançando os incapacitados para a previdência, aumentando o défit público. A solução, estaria certamente na conscientização pelo Ministério da Saúde, à população, quanto aos males destes produtos, mesmo a desarticulação destas indústrias. Contudo sabemos que isto é dependente da evolução humana e social. Portanto, isto ainda perdurará por centenas de anos. Mas de imediato, competiria ao governo apresentar ao congresso, um conjunto de medidas que condenem estas indústrias, a pagar, despesas fúnebres, tratamentos hospitalares, indenizações à familiares, e sobretudo as pensões, responsáveis pelo desgoverno previdenciário.

É tremendamente simples levantarmos estatisticamente os males e causas que levam a população a incapacidade para o trabalho e dependência da previdência. Daí, mais simples ainda seria a formulação de leis e adoção de medidas à minimizar e ou mesmo erradicar os focos irradiadores de déficit. Inversamente, estaríamos elevando diretamente a saúde média da população, expectativa de vida e poder de produção da Nação. Sob o Ministério da Economia repercutiria o superávit de uma população sadia e producente. Também as gerações futuras herdariam, pela genética, menos predisposições para doenças.

As novas tecnologias devem ser melhor aproveitadas pelos governos. Ao exigir-se câmeras nos parques industriais, evitaremos que trabalhadores que propositadamente cortem os dedos, elevem a carga previdenciária.

Nós elegemos. Nós mudamos.

*Educador. Jornalista e Psicanalista. Especialista em pesquisa científica. Ms. e Ph.D. Presidente da ALB.