REFLEXÃO, BASE À CORRETA TOMADA DE DECISÃO
* Dr. Mário Carabajal
Se nós resolvermos simplificar um pouco a vida, podemos deixar para trás buracos sem que neles necessitemos pisar. É tremendamente comum, nós passarmos por determinadas experiências e mais tarde, voltarmos a vivenciar o mesmo conjunto já experimentado. Como se não tivéssemos assimilado tal aprendizado. Na evolução psicomaturacional da consciência, vivemos por diversas vezes os mesmos pontos já ultrapassados, somente, eles se nos apresentam, com uma nova roupagem, pequenas inversões fazem com que os vejamos como se novos fossem.
Imaginem, para simplificarmos, a tabuada de 1 a 10. Os números se repetem diversas vezes, contudo, em uma ordem nova, o que cria a sensação do novo. A tabuada do nove por exemplo, toda ela está contida nas tabuadas anteriores. Contudo, não somos capazes de observar nem mesmo isto. Estudamos 8x7, sem percebermos que já vimos isto quando estudamos 7x8.
Se nos propusermos em evoluirmos efetivamente, devemos limpar nossas mentes e tirarmos o máximo de aprendizado das lições que se nos chegam, sem que necessário seja termos que vivenciarmos repetidas vezes aquele mesmo conjunto de experiências.
São bem poucos os elementos novos que surgem no decurso da vida. Quase tudo já o vivenciamos com roupagens diferentes. É preciso que urgentemente, lancemos mãos de forma mais objetiva, desse nosso imenso e indescritível cérebro que possuímos. Se formarmos os elos corretamente, ligando o nosso presente com lembranças passadas, menor se torna a possibilidade de erros futuros enquanto de nossa escalada psicomaturacional.
É bastante comum, reagirmos aos estímulos externos sem nenhuma reflexão. O correto, ponto de vista da psicanálise, é não tomarmos nenhuma decisão de forma instintiva. Estamos sempre frente a seres que podem estar reagindo a estímulos outros sem nenhum comprometimento pessoal, deixando-se tão somente levarem-se. No momento em que paramos para distribuirmos, ou melhor, redistribuirmos os estímulos que se nos fazem reagir, podemos dar o máximo de nós sem o desgaste existente nos comuns erros por tomada de decisões reflexas, incondicionadas, sem o uso da razão.
Vivemos e somos criados em meios que, em sua maioria, como em tudo que nos cerca, têm potenciais latentes positivos e negativos, vícios conceituais e mesmo práticos, cuja origem, encontra-se muito distante. Não têm culpados ou inocentes, apenas elementos condicionadores que se arraigam de tal forma nos meios axiológicos(externos) e por força da convivência são “plantados” – codificados no âmago de todos cujo raio de ação destas experiências alcançam. À estes valores, internamente codificados, chamamos “catéxicos”. Assim, somos vulneráveis a conceitos e práticas que não correspondem aos ideais humanos de evolução.
É preciso desprender algum esforço pessoal para identificarmos os conceitos que indevidamente interiorizamos e sob os quais utilizamos nossos referenciais à tomada de decisões. Por isso aconselhamos que nenhuma decisão seja tomada de forma reflexa, sem profundas reflexões. Isto, independentemente de como seremos considerados. A prudência, garante um maior direcionamento, colocando-nos em linha de acertos objetivos. Ainda que um pouco tardia nossas atitudes, mas por conterem um maior conjunto de elementos pró-acertos, tendem em superar, em eficácia, àquelas levianas, por impulso reativo reflexo. Contudo, diante a necessidades extremas de tomada de decisões, onde não tenhamos tempo para incursões quanto ao melhor caminho a seguir, optemos por decisões a beneficiarem o maior número de pessoas envolvidas no processo. Benefícios estes, de ordem subsistencial.
Devemos considerar a flexibilidade como um dos potentes instrumentos dos seres que propostos estejam à evoluir. Contudo, devemos fazer uma dicotomia entre “flexibilidade e flexibilidade” – ser flexível, não significa curvar-se, ser subserviente ou deixar-se levar de forma aleatória. Os galhos novos se curvam com facilidade suportando cargas imensas sem que se quebrem. Porém, à medida em que vamos amadurecendo, suportamos estas mesmas cargas e muito mais, sem que necessário seja nos curvarmos, mas, por um aumento de nossas capacidades em resistirmos, acumularmos e até por melhor suportarmos as pressões dos meios. Assim, devemos ser flexíveis sem nos curvarmos, mas pelo acúmulo de experiências, de onde, ampliaremos os paradigmas a uma maior aceitação e absorção de conceitos e experiências. Devemos, à medida em que julguemos necessário, oferecermos elementos à performance e apuração dos valores quando confrontando-se com os ideais humanos, de paz, evolução e prosperidade.
Refletir, encontra-se na escala paradigmática psicomaturacional da consciência humana, em estágios anteriores à Meditação. A diferença entre ambos, simplificadamente, utilizando-nos do reducionismo, encontra-se em que na Meditação, todos os elementos sob análise, perdem o caráter de reflexão puro e simples, dando lugar a pensamentos mais elaborados. A reflexão precede ao “devaneio” – associações de erros e acertos de nossa reproduções, sem muita organização mental.
A Reflexão, compreende ao sexto estágio, ou primeiro da Segunda Grande Rede Sináptica Psicomaturacional da Consciência Humana, enquanto o Devaneio, encontra-se como o quinto estágio da primeira rede de “reprodução de movimentos e palavras”. Já a Meditação, é outro marco psicomaturacional, correspondendo a quarta grande rede. A Reflexão, sinaliza a formação efetiva da consciência, e a Meditação, propicia ao ser em crescimento, ou evolução, uma testagem, como uma prova mental, de tudo quanto tenha, até a este estágio, sido por ele experimentado. São quarenta e seis os estágios da evolução.
A psicanálise clínica, além de tratar de casos patológicos e distúrbios mentais, pânico e depressão, localiza o ser que busque a evolução psicomaturacional, quanto ao estágio em que se encontra, oferecendo-lhe, elementos ao avanço à estágios seguintes.
* Psicanalista Clínico/Esp. em Pesquisa Científica/Mestre em Técnica de Psicanálise/Ph.D. em Clínica Psicossomática/V.Pres. da Acad. Roraimense de Letras/ Presidente da Academia de Letras do Brasil. Consultas: 623 6388