Empregados em medicina por seus efeitos sedantes e
hipnóticos e por suas propriedades anestésicas, os barbitúricos são freqüentemente
associados às toxicomanias e aos suicídios, pois se utilizados de forma
inadequada podem conduzir à morte.
Utilizam-se os barbitúricos em medicina por sua ação depressora do sistema nervoso central, efeito que, de acordo com a dose e a natureza do composto ministrado, será sedante, hipnótico ou narcótico. Podem ser de ação prolongada, como o barbital, empregado no tratamento da epilepsia; de ação intermediária, como o amobarbital e o aprobarbital, cujo efeito dura de três a seis horas e é usado contra a insônia; ou de ação curta, que são anestésicos administrados por via intravenosa.
Excetuando-se os de duração prolongada, os demais são
metabolizados rapidamente pelo fígado e excretados pelos rins. Conforme a dose,
a intensidade do efeito varia desde discreta hipnose até o coma profundo e
morte. Esta geralmente ocorre, quando precoce, por paralisia respiratória;
quando retardada, por complicações cardíacas, choque e pneumonia. No caso da
intoxicação aguda, com depressão do sistema respiratório, recomenda-se uma
lavagem de estômago, para expulsão do produto, e uso de oxigênio. A intoxicação
crônica, ou barbiturismo, decorrente da ingestão continuada de tais substâncias,
dá causa à adiccão e à síndrome de abstinência, conjunto de sintomas que
se manifesta quando se deixa de proporcionar o barbitúrico ao indivíduo
dependente.
Preconizado, na década de 1960, pelos profetas do
psicodelismo que buscavam “paraísos artificiais” para onde fugir de uma
realidade social, política e econômica que julgavam opressiva, o consumo de
drogas se transformou num dos problemas mais graves do mundo moderno.
Toxicomania é o estado de intoxicação periódica ou crônica causada pelo consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas, por parte de um indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da degradação física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.
As drogas foram utilizadas desde a antiguidade em
diversas civilizações com varias finalidades, principalmente religiosas e médicas,
mas também como meio de fugir do mundo cotidiano e reduzir o sofrimento ou o
esforço físico. Alguns desses motivos se acham na base do uso secular do ópio
no Oriente, da maconha (cânhamo) em diversas regiões da Ásia e das folhas de
coca entre algumas tribos indígenas da América do Sul.
No Ocidente, o consumo do álcool é aceito
culturalmente há séculos. A ele veio somar-se, após o descobrimento da América,
o fumo. Posteriormente, outras drogas viriam ampliar a gama de produtos dessa
natureza conhecidos e empregados na Europa e na América: ópio, haxixe, cocaína
e outros alucinógenos produzidos sinteticamente, como o LSD (dietilamida do ácido
lisérgico), as anfetaminas e um grande número de produtos farmacêuticos, além
de artigos industriais, como colas, vernizes e tintas. Todas essas substâncias,
e outras mais, podem originar intoxicação crônica.
Assim se resumem as principais características das toxicomanias: (1) invencível impulso para usar a droga, razão por que o intoxicado recorre a todos os meios e paga qualquer preço para obtê-la; (2) tendência do intoxicado a aumentar progressivamente as doses para conseguir os mesmos efeitos que no início eram obtidos com quantidades menores, o que se conhece por tolerância; (3) dependência de ordem psíquica e, às vezes, físicas, sobretudo no período de abstinência.
Entre as drogas mais comuns que dão origem às
toxicomanias se encontram: o ópio e seus derivados, como morfina, heroína e
outros, obtidos da papoula; cocaína, alcalóide extraído das folhas da coca;
haxixe e maconha, derivados do cânhamo; e barbitúricos e anfetaminas.
O uso de determinadas drogas produz no princípio
sensações prazerosas, insensibilidade à dor, distorções sensoriais que
produzem efeitos singulares na percepção, como ocorre com os derivados do ópio;
excitação e momentâneo aumento da lucidez e das faculdades associativas, no
caso da cocaína; e alucinações visuais e sensação de bem-estar, como
acontece com o uso da maconha por determinadas pessoas (em outras origina sensações
de terror).
Na medida em que o tempo passa e o hábito se
estabelece, no entanto, as conseqüências físicas, psíquicas, mentais e
sociais do uso de drogas se tornam negativas. O indivíduo se escraviza a elas,
já que, por um lado, tem de aumentar a dose para obter o mesmo efeito e, por
outro, experimenta sintomas muito desagradáveis, que podem chegar a autênticas
síndromes de abstinência, quando deixa de utiliza-las. O usuário vê-se, então,
impelido a obter por qualquer meio a substância, da qual é inteiramente
dependente, em quantidades crescentes, o que exige o desembolso de grandes somas
de dinheiro. Ao mesmo tempo, sua vida afetiva, familiar, social e profissional
desmorona e seu estado físico e mental degenera.
As toxicomanias se estenderam na segunda metade do século
XX pelos países mais desenvolvidos em velocidade crescente, devido a uma série
de problemas de índole social, moral, cultural, econômica e política.
Paralelamente, desenvolveu-se um tráfico internacional extraordinariamente
ativo, respaldado por organizações criminosas
que obtêm grandes lucros com o tráfico desses produtos.
A solução é, portanto, complexa, e compreende
medidas globais que ataquem o problema em suas múltiplas frentes: sanitária,
reabilitadora, policial, legal, política, social, educativa, moral e
economicamente. Não se pode esquecer que no fundo desse emaranhado de males se
encontram os mais íntimos conflitos que afetam a sociedade e a civilização,
estes, relacionados com a desumanidade, a perda de valores, a instabilidade
social e econômica, os conflitos de gerações e muitos outros.
Anfetamina
O consumo maciço dos diferentes compostos de
anfetamina durante as décadas de
1960 e 1970, motivado pelo efeito psico-estimulante desse princípio, levou a
maioria dos organismos de saúde pública a baixar normas que procuram reduzir
seu emprego.
Utilizada principalmente como estimulante e nos
regimes de emagrecimento, a anfetamina é o protótipo de uma série de drogas
sintéticas, todas chamadas anfetamina, que atuam sobre o sistema nervoso
central, gerando aumento da atividade mental, euforia e incremento da resistência
à fadiga e da capacidade de concentração, além de melhorar a disposição
geral. Em conseqüência, é utilizada para tratar casos de depressão e de
narcolepsia, doença caracterizada por uma irresistível tendência ao sono.
Outros tratamento em que também se emprega a anfetamina são os de desintoxicação
de alcoólatras e, pela capacidade que tem essa droga de eliminar o apetite, nas
dietas de emagrecimento.
A preparação mais usada é o sulfato de anfetamina.
O sulfato de dextroanfetamina é a mais ativa das duas formas isoméricas (isto
é, que têm a mesma composição química, mas uma distribuição espacial
diferente) da anfetamina produzido os mesmos efeitos terapêuticos, apresenta a
vantagem de provocar menor número de efeitos secundários indesejáveis: entre
outros, náuseas, insônia, contrações abdominais, irritabilidade, hipertensão
e estados maníacos.
Dois dos efeitos fisiológicos produzidos pela
administração da anfetamina são semelhantes aos que se apresentam
naturalmente pela ação do hormônio adrenalina: estimulação dos centros
respiratórios e constrição dos vasos sanguíneos.
Embora não se produza uma típica síndrome de
abstinência quando a administração da droga é suspensa, ocorre desajustes
orgânicos, e o uso prolongado leva a uma grande dependência de origem psíquica.
Alcoolismo
A velocidade de assimilação do álcool e a constância
com que é ingerido são as principais causas do alcoolismo, responsável por sérios
problemas sociais no mundo inteiro.
Alcoolismo é uma intoxicação, aguda ou crônica,
provocada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e constitui um problema médico
quando altera ou põe em risco a saúde física ou mental do indivíduo.
Dsde cedo, o homem descobriu que as bebidas alcoólicas,
por seu efeito tônico e euforizante, permitiam um alívio da angústia e a
liberação de repressões. Esses fatores, entretanto, não são suficientes
para explicar a dependência alcoólica. Assim, devem ser considerados os
motivos mórbidos que levam as pessoas a beber em demasia, bem como a tolerância
e a personalidade de cada individuo.
A tolerância, definida como a relação entre a
concentração de álcool no organismo e o grau de intoxicação, depende de
fatores como idade, sexo, predisposição hereditária, hábitos alimentares,
estado orgânico e o grau de intoxicação etc.
As causas do alcoolismo podem ser esquematicamente
divididas em:
(1)
ocasionais ( quando determinadas pelo próprio meio ambiente);
(2)
secundárias ( quando a ocorrência do hábito se faz após um transtorno
mental, como a epilepsia e a arteriosclerose cerebral),
(3)
alcoolismo de causa psicopata ( quando disposições caracterológicas
congênitas facilitam o vício);
(4)
alcoolismo por conflituacão neurótica ( o desenvolvimento neurótico da
personalidade é que vai condicionar o aparecimento do hábito).
A metabolizacão do álcool ocorre no fígado, onde
é oxidado pela ação da enzima alcooldesidrogenase, transformando-se
inicialmente em aldeído acético e, a seguir, em ácido acético. A energia
liberada por essas reações é assimilada e utilizada posteriormente pelo
organismo, desde que não exceda o nível máximo de 700 calorias. Para uma
pessoa de compleição normal, um litro de álcool, ingerido do decorrer de 24
horas, fornece essa quantidade-limite, de energia. Quando o volume de álcool
ingerido supera esse limite, entram em lenta deterioração do organismo.
Efeitos do alcoolismo. No que diz respeito ao sistema
nervoso, os sintomas que mais chamam a atenção são o tremor e a polineurite (
sensibilidade à pressão dos troncos nervosos, dores nas extremidades e
hipoalgesias ). Com relação ao aparelho digestivo, além da falta de apetite,
que constitui queixa constante, as complicações mais comuns são a gastrite
com vômitos matinais e a cirrose hepática, que pode levar o individuo ao coma
e à morte. No coração pode aparecer uma degeneração adiposa, que se cura
com a abstinência, mas que ressurge com o abuso do álcool. Essa alteração
responde pela insuficiência circulatória que se observa em certos alcoólatras,
nos quais o pulso torna-se irregular e a área cardíaca aumenta.
Nos casos mais avançados de alcoolismo, é comum a
diminuição da potência sexual. Os testículos se atrofiam e a excreção
hormonal diminui. A atrofia testicular e a lesão hepática provocam, em geral,
a queda dos pêlos axilares e
pubianos. Nas mulheres estabelece-se, em alguns casos, amenorréia. Os efeitos
do alcoolismo na saúde mental são ainda mais graves. O individuo vive num
estado de tensão que o leva progressivamente a manifestações regressivas no
sentido da falta de domínio emocional.
Dentre as funções intelectuais, a memória, a
percepção e a crítica são as mais comprometidas. No principio, as alterações
ocorrem em virtude da tensão emocional e da atitude egocêntrica do alcoólatra.
Depois surgem transtornos ditos psico-orgânicos, que levam a um déficit
irreversível dessas funções. O alcoólatra equivoca-se facilmente nas
leituras, confunde-se e não capta as imagens. Com o tempo, passa a haver decadência
do caráter em função de diminuição da critica.
Os transtornos psíquicos provenientes do alcoolismo,
conforme sua intensidade e ocorrência, configuram quadros psiquiátricos. Um
deles é a chamada embriaguez patológica, ou dipsomania, que constitui forma
especial de intoxicação alcoólica aguda, na qual o individuo é levado a
estados de excitação psicomotora, alucinações ou fabulações. Ocorre
sobretudo em personalidades psicopáticas e
doentias.
O alcoolismo crônico representa o quadro mais freqüente.
O psiquismo se compromete progressivamente, no sentido de alteração de
afetividade e das funções psíquicas superiores. Um fenômeno característico,
que afeta o alcoólatra crônico após certo período de abstinência, é o
delirium tremens. O quadro caracteriza-se por inquietude visuais, sobretudo
zoopsias (visões de animais e insetos, geralmente repgnantes) tudo isso
acompanhado por tremores, aumentos da temperatura e depleção hídrica. Se não
tratado, o delirium tremens pode levar à morte.
As condições de vistas impostas pela sociedade
moderna têm provocado um aumento sensível do número de alcoólatras. Devido
aos efeitos físicos e psíquicos do excesso de álcool, eles não conseguem
levar uma vida normal, tanto no âmbito familiar quanto no profissional,
comprometendo sua própria segurança e também a daqueles que os cercam.
Assim, os efeitos sociais do alcoolismo deram lugar,
em inúmeros paises, a programas de prevenção, educação do público,
principalmente o adolescente, por meio de campanhas esclarecedoras, e reeducação
dos alcoólatras, por meio de técnicas socioterápicas e sociedades de “alcoólatras
anônimos”, são medidas importantes em qualquer campanha antialcoólica.
Tratamento
A primeira fase do tratamento consiste na desintoxicação,
que deve ser sempre precedida por um exame complexo no sentido de investigar os
fatores causais, sejam eles biológicos, sociais ou psicológicos. De maneira
geral, o tratamento é longo e exige muita tenacidade por parte do paciente e do
médico. A recaída é prevista na evolução terapêutica normal. A desintoxicação
se faz por meio de complexos vitamínicos e energéticos. A hospitalização é
obrigatória, uma vez que a abstinência, essencial para o inicio do tratamento,
pode provocar reações inesperadas.
Após a desintoxicação há sempre necessidade de
tratamento psicoterápico. Em certos casos, a chamada “cura pela intolerância”,
uma repugnância pelo álcool, pode surti resultados satisfatório. Para a
realização desse tipo de tratamento, é preciso que o paciente tenha sido
previamente alertado.
Nos quadros de delirium tremens, psicoses,
encefalopatias e outras formas especiais de alcoolismo, os tratamentos são
diversos e devem ser sempre realizados por especialistas, em ambiente hospitalar
adequado.
Fumo
Tabagismo. Dá-se o nome de tabagismo ao consumo do
fumo e à intoxicação, aguda ou crônica, decorrente desse hábito. O efeito
nocivo do tabaco ocorre sobretudo nos aparelhos respiratórios, circulatório e
digestivo, assim como no sistema nervoso. Na mucosa brônquica, a fumaça do
cigarro provoca lesões do epitélio cilíndrico ciliado, das células
secretoras do muco, alterações da dinâmica etc.
O tabaco pode causar bronquite crônica, enfisema
pulmonar e, embora não existam ainda provas cabais, o câncer, sobretudo de
pulmão. Entre os que fumam cachimbo ou mascam fumo picado, também parece haver
maior incidência de câncer dos lábios, da boca e da faringe. Em vários
paises, sobretudo a partir da década de 1980, desencadearam-se campanhas
destinadas a reduzir o aparecimento de novos fumantes na população jovem. Na
Itália, proíbe-se toda e qualquer publicidade do fumo; no Reino Unido,
interditou-se a propaganda na televisão. Nos Estados Unidos e, a partir de
1989, no Brasil, são obrigatórias advertências nos maços de cigarros, em anúncio
e em pontos de venda. Uma grande contradição na moderna visão psicanalítica,
onde coloca o vício de cigarro como sendo uma “Neurose do Fumo”, a contradição
é que Freud era um neurótico do fumo, o consumo de Freud o revelou um neurótico,
dentro de sua própria teoria (Teoria da fase Oral) Na teoria psicanalítica
de Freud, primeiro estágio da evolução da efetividade, em que a boca é o órgão
central do prazer do bebê e seu contato mais importante com o mundo exterior a
sucção do seio materno. Freud mesmo disse na prática “quando fui bebê,
tive problemas de afetividade”. Vejamos as razões que levam a neurose do
tabaco:
1-
Um problema de afetividade em sua fase oral – Quando criança, precisa
afirmar o contato com mundo exterior, para compulsão nervosa de segurar algo ou
satisfazer algo, ou seja todo fumante é um bebê em potêncial.
2-
Um problema de projeção psicológica – Todo fumante,
psicologicamente tem a tendência ao Sadomasoquismo, sente prazer na auto
destruição do corpo – também
dentro deste contexto caracteriza “segurança social”, todo fumante é
extremamente impaciente com ele e com o meio em que vive.
Mencionada num livro de botânica chinês do ano 2700
a . C., a maconha foi utilizada durante muito tempo como anestésico ou analgésico.
Modernamente tornou-se uma das drogas de uso mais generalizado, em virtude do
baixo preço e da relativa facilidade de obtenção.
Maconha é o nome vulgar do cânhamo (Cannabis
sativa) quando usado para dele se extrair a droga de mesmo nome, preparada por
secagem e trituração de suas folhas e flores. Consome-se geralmente por aspiração
da fumaça proviniente da combustão de erva em cachimbos ou cigarros, mas também
pode se mascada ou adicionada a alimentos e bebidas. Todas as partes da planta,
seja ela feminina ou masculina, contêm o principio ativo, o tetraidrocanabinol
(THC). Da resina das flores da planta feminina onde há maior concentração de
THC, se extrai o haxixe, droga mais potente. A planta cresce em qualquer parte
do mundo, exceto nos lugares muito frios.
Os efeitos da maconha variam conforme a experiência
do usuário, a quantidade e o ambiente em que é consumida, além da potência
da droga. Quando fumada, os efeitos fisiológicos se manifestam em minutos e
incluem tontura, distúrbio de coordenação e de movimento, sensação de peso
nos braços e pernas, secura na boca e na garganta, vermelhidão e irritação
nos olhos, aumento da freqüência cardíaca, sensação de apetite voraz, entre
outros. A maconha não leva à dependência física e a suspensão de seu uso não
provoca sintomas. Em certos tipos de usuários, porém, pode causar dependência
psicológica.
Muitos variáveis, os efeitos psicológicos tendem a
predominar. O usuário pode experimentar leve euforia, bem como alterações da
percepção com distorções de espaço, tempo, distância e do senso de
organizações do próprio corpo. Os processos mentais também podem ficar
desorganizados, com distúrbios de memória e freqüentes desvios de atenção
que afetam o fluxo ordenado de idéias. Pelo lado positivo, pode ocorrer
fortalecimento do sentido do valor próprio e da sociabilidade.
Há mais de dois mil anos os chineses usavam a
maconha como anestésico em cirurgias, prática repetida no Renascimento por
alguns cirurgiões europeus. Empregada como alucinógeno pelos muçulmanos, seu
uso aos poucos estendeu-se ao Ocidente, onde acentuou-se a partir de meados do século
XX. O uso generalizado da maconha e do haxixe em todo o mundo levantou muitas
questões médicas e sociais, cuja pesquisa teve impulso na década de 1960,
quando se conseguiu isolar e produzir sinteticamente o THC. Até a década de
1990, embora fossem poucos os dados que levassem a conclusões definitivas,
resultados confiáveis sugeriam que os efeitos da maconha sobre o organismo eram
menos perniciosos que os do álcool. Pesquisas médicas revelaram efeitos terapêuticos
da maconha e do THC, úteis na redução da pressão interna dos olhos em
pacientes com glaucoma e no alívio da náusea decorrente das drogas quimioterápicas
usadas no tratamento do câncer.
O comércio internacional de maconha e haxixe foi
primeiramente normalizado em 1925, numa convenção internacional. No fim da década
de 1960, a maioria dos paises reforçou o controle do tráfico e do uso impôs
punições por posse, venda e fornecimento ilegal dessas drogas. A partir da década
de 1970, porém, alguns paises reduziram as penas pela posse de pequenas
quantidades.
Do ponto de vista dos que defendem a legalização da
maconha, a droga é um alucinógeno leve, em nada semelhante aos narcóticos.
Afirmam haver suficientes evidências de que seu uso induz ao consumo de drogas
mais potentes, como a heroína, e que não está associado à criminalidade.
Como meio para reduzir a tensão e adquirir sensação de bem-estar, acreditam
que a maconha é provavelmente mais benéfica e bem menos perigosa que o álcool.
Usuários entendem que as medidas exageradas contra o uso da maconha são uma
ameaça maior à sociedade do que uma abordagem mais racional e realística do
uso de drogas.
Plantas
A influência de substâncias contidas em
determinadas plantas sobre a atividade cerebral do homem, ou seja, o efeito
psicotrópico produzido pela ingestão desses vegetais, pode provocar anomalias
da percepção ou alucinações.
A tais plantas se dá o nome de alucinógenas. São
espécies, como o cânhamo ou maconha, o peiote e o estramônio, são capazes de
induzir quem as usa a estados de grande excitação cerebral, marcados pelo
distanciamento da realidade aparente e uma apreensão mais vivida dos sons,
formas e cores.
Classificação. Do ponto de vista sistemático, as
plantas alucinógenas distribuem-se em dois grandes grupos: ou são fungos
superiores, ascomicentes ou basidiomicentes, ou plantas do grupo das dicotiledôneas,
pertencentes a famílias muito pouco relacionadas na seriação sistemática.
O quadro motivado pelo uso desses matérias alucinógenos
caracteriza-se por intensa excitação cerebral, acompanhada de visões
coloridas, sonhos agradáveis, sensações inusitadas e êxtases profundos que
induzem as pessoas a sentirem-se distanciadas da realidade aparente. A impressão
de viver em outros planos é ampliada por noções radicalmente diferentes do
espaço e do tempo.
Há um grupo de plantas alucinógenas que se
relaciona à pretensa faculdade de previsão e ganha enorme importância em
comunidades primitivas que buscam, através de visões mágicas, desvendar o
futuro. São as chamadas plantas divinatórias, usadas muitas vezes em rituais
marcados por fortes sentimentos de religiosidade.
Entre as plantas superiores, ou dicotiledôneas, com
propriedades alucinógenas encontram-se moráceas como o cânhamo; malpighiáceas
como o caapi ou auasca; cactáceas como o peiote; e solanáceas como o meimendro
e o estramônio. O cânhamo(Cannabis sativa), popularmente conhecido como
maconha, designação de origem africana, é uma planta importante como
produtora de fibras que há milênios também tem sido usada por seus efeitos
medicinais, como sedativo, e por suas propriedades alucinógenas.
Origem e efeitos do haxixe. Com o nome de haxixe (do
árabe hashish, que significa “erva seca”), são usadas várias preparações
derivadas do cânhamo, que podem ser fumadas, bebidas ou mascadas. É curioso
que a palavra “assassino” derive do árabe hashishin, que significa
“comedores de cânhamo”. A origem desse nome liga-se a uma antiga seita muçulmana,
a dos ismaelianos ou assassinos, que existiu na Síria, no tempo das cruzadas,
no século XII.
Difundiu no Brasil como maconha, diamba ou marijuana,
e cultivado sobretudo no Nordeste, o cânhamo é a resposta do ser humano ao seu
uso. As extremidades floridas das plantas femininas, sobretudo se cultivadas em
regiões quentes e secas, têm em geral efeito mais potente.
O quadro mais comum da intoxicação pelo cânhamo
compreende: profundo relaxamento muscular; ausência de preocupações; alterações
perceptuais (visuais, auditivas, tácteis) e sentimento de despersonalização;
impressão de retardamento do tempo e de alongamento do espaço; idéias fugazes
e incoerentes; perda da capacidade de atenção e da memória imediata; euforia,
sonolência e, por vezes, aumento do desejo sexual.
Usos religiosos. Cipós de várias malpighiáceas dos
gêneros Banisteriopsis e Tetrapterys, conhecidos por nomes como caapi, auasca
ou iagé, são usados em cerimônias de cunho religioso, por suas propriedades
alucinógenas, por tribos indígenas da Amazônia e seitas de inspiração sincrética
como a do Santo Daime. A ação de
tais cipós, traduzindo-se por um estado de grande excitação, produz efeitos
semelhantes ao da intoxicação por haxixe, se bem que mais acentuados. Só ou,
como em geral acontece, associado a outras plantas, o caapi é tomado sob a
forma de infusão ou decocto.
A cactácea conhecida como peiote (Lophophora
williamsii), nativa de pequena área da fronteira entre os Estados Unidos e o México,
é uma das mais curiosas e mais bem estudadas plantas alucinógenas. Ainda nos
dias atuais é objeto de um culto por tribos mexicanas e americanas, não
obstante a pressão das autoridades dos dois paises.
O caule do cacto é cortado em fatias transversais
que, uma vez secas, constituem os “botões de mescal”. Cada participante do
culto masca certo número de botões, secos ou mesmo frescos, amolecendo-os e
triturando-os antes de os engolir aos pedaços. Atinge-se em seguida um estado
de intensa excitação ou transe. Doses demasiado fortes resultam às vezes em
alucinações de caráter desagradável.
Uma longa série de alcalóides foi isolada do
peiote; entre eles a mescalina, apontada como responsável pelas alucinações
visuais, a lofoforina, a analamina e a pelotina. As propriedades do peiote, com
seus efeitos sobre os fenômenos da percepção, já atraíram a atenção
de psicólogos, escritores e filósofos. Aldous Huxley foi um dos que
mais se interessaram pelo assunto, submetendo-se inclusive a experiência
pessoais com esse cacto.
Sabe-se também da existência de propriedades alucinógenas
em plantas como o estramônio ou trombeta (Dautura stramonium) e o meimendro
(Hyosoyamus niger). Várias espécies de Datura são empregadas ainda hoje por
tribos da bacia amazônica. O meimendro tem uma longa história através dos séculos.
Foi usado por feiticeiros, envenenadores, mágicos e profetas como capaz de
produzir um estado propício à experimentação das visões. Já os fungos ou
cogumelos alucinógenos tornaram-se de uso corrente sobretudo no México, onde
se associaram desde cedo, como o peiote, a práticas religiosas.
TOXICOLOGIA
COMO CIÊNCIA
Toxicologia
Vária das substâncias tóxicas mais comuns são
conhecidas e utilizadas desde a antiguidade com diversas finalidades – na
caca, na guerra e até mesmo para cometer homicídios.
Toxicologia é a ciência que estuda as substâncias
tóxicas, comumente denominadas venenos, obtidas de diferentes animais e
vegetais, e seus efeitos sobre o organismo . Os tóxicos produzem, quando
introduzidos no corpo ou, em certos casos, postos em contato com a pele,
diferentes alterações causam a morte do indivíduo.
Princípios gerais. A função da toxicologia é
determinar a origem e procedência das substâncias tóxicas, sua natureza e
propriedades físicas, químicas e biológicas, seu mecanismo de ação e os
transtornos fisiológicos que produzem. Compete também a essa disciplina
detecta tais substâncias, avaliar sua atividade, em função da dose, e
procurar meios de neutralizar e reparar sua ação nociva, pela aplicação de
diferentes medidas terapêuticas ou pela adoção de sistemas preventivos
eficazes e seguros.
Os venenos podem penetrar no organismo por via oral,
digestiva, respiratória e cutânea. A essas se somam, no caso de tratamentos médicos,
outras formas excepcionais de introdução, como hipodérmica, intravenosa e
intramuscular. Por via respiratória entram não só substâncias tóxicas
gasosas mas também as líquidas e as sólidas, na forma de aerossóis, que não
são retidas nas vias superiores do aparelho respiratório e chegam assim até
os alvéolos pulmonares.
A penetração pela pele e mucosa ocorre no caso de
inúmeras substâncias solúveis em gorduras, as quais podem espalhar-se e ser
absorvidas por meio dos lipídios cutâneos. É o que ocorre com os derivados
orgânicos do chumbo, com os solventes clorados (tricloroetileno e tetracloreto
de carbono) ou com as aminas aromáticas (anilinas).
Diferenciação dos venenos. A lista de substâncias
que podem ocasionar alteração orgânica mais ou menos grave, e em muitos casos
a morte, é bastante extensa e nela se incluem agentes das mais diversas procedências.
Dentre os mais conhecidos destacam-se os seguintes grupos(1) Metais pesados,
como chumbo, mercúrio e cádmio, que provocam graves intoxicações e doença;
(2) composto químicos, inorgânicos e orgânicos, como cianetos de sódio e potássio,
derivados do flúor, cloro, fósforo, arsênio, monóxido de carbono, óxido de
nitrogênio, metanol etc.; (3) pesticidas e produtos da indústria química,
muitos deles com efeito incapacitante ou letal a longo prazo, por se acumularem
em certos tecidos; (4) certos remédios em determinadas doses ou em circunstâncias
específica, alguns dos quais podem provocar mal formação no feto e outros
problemas graveis; (5) estupefacientes e substância afins, como o ópio e seus
derivados, a cocaína etc.; (6) toxinas bacterianas, como as do botulismo, tétano
ou difleria; (7) venenos vegetais, procedentes sobretudo de fungos e muitas
plantas herbáceas; e (8) venenos animais, principalmente os de ofídios, certos
peixes e alguns aracnídeos, moluscos e celenterados (medusas).
Muitos desses agentes tóxicos apresentam um
toxicidade aguda ou subaguda, isto é, a alteração sobrevém com rapidez,
transcorrido um intervalo muito breve a partir do momento em que a substância
penetrou pela boca, pele ou pulmões. Freqüentemente o resultado é a morte,
mas em qualquer caso as manifestações são notáveis.
Outros tóxicos atuam a longo prazo, em conseqüência
da ingestão ou absorção repetida em doses freqüentes, ainda que muito
pequenas. Isso ocorre com os venenos cumulativos, como o metanol, os metais
pesados ou derivados do arsênio, que se depositam no corpo em virtude de interações
físicas (elevada solubilidade nos lipídios, o que permite sua acumulação no
tecido gorduroso), químicas (união com algum componente da célula) ou pela
impossibilidade de elimina-los (metais pesados).
As intoxicações devidas a venenos cumulativos são
chamados de crônicas afetam, como o fígado, os rins, o sistema nervoso ou as
glândulas endócrinas. Se a pessoa se encontra em fase de crescimento, a formação
do organismo pode ser prejudicada. No caso de certas substâncias, o efeito
adverso pode não se manifestar ou é detectado apenas depois de transcorrida
mais de uma geração, como ocorre, por exemplo, com os pesticidas e agentes
cancerígenos e mutagênicos (suscetíveis de provocar mutações no material
genético do organismo ao qual contaminaram).
Áreas de pesquisas. São numerosos os campos
relacionados direta ou indiretamente com a toxicologia, dado o elevado número
de agentes tóxicos que existem e à variedade de sua procedência e meio de
penetração. A toxicologia medida propriamente dita compreende diferentes
setores, como a avaliação toxicológica em si; toxicologia legal, de importância
fundamental nas investigações criminais; toxicologia pública sanitária,
referente àqueles aspectos que interessam a uma população ou à coletividade
em seu conjunto, do ponto de vista da prevenção de intoxicações em massa,
controle de agentes tóxicos (pela utilidade terapêutica que apresentam certos
venenos animais e vegetais em baixas doses) e a pesquisa de antídotos.
A expansão industrial em escala planetária e a
fabricação de inúmeros produtos industriais com o possíveis repercussões
negativas para a saúde humana ampliaram de forma considerável o campo de atuação
da toxicologia, até abarcar diversos aspectos da higiene industrial e do
trabalho, com evidente incidência na saúde pública. Metais, solventes, gases
e substâncias em forma de pó ou aerossóis expõem a população a risco, às
vezes muito sérios. O estudo da toxicidade de novos produtos lançados no
mercado, assim como o aprimoramento de processos de detecção e avaliação
fazem da toxicologia um valioso auxiliar para a medicina do trabalho.
São também importantes as pesquisas toxicológicas
nos campos agrícola e alimentar, em particular pela maciça utilização de
pesticidas ou os numerosos produtos adicionados a alimentos como conservantes,
flavorizantes etc. Um dos exemplos mais característicos do perigo que os
pesticidas podem representar é o DDT, de uso proibido em todos os paises avançados.
Inseticidas, raticidas, herbicidas, fungicidas,
desfolhantes e muitos outros compostos similares são com freqüência venenos
muito persistentes, de elevada toxicidade e cumulativos, que contaminam
seriamente as cadeias alimentares dos ecossistemas. A ecotoxicologia, de
surgimento recente, estuda o efeito dos múltiplos agentes poluentes que o homem
despeja em grandes quantidades na atmosfera, na água e na terra em forma de
gases, líquidos ou resíduos sólidos. A alteração da quantidade do ar e da
água são de capital importância para a saúde humana, como demonstra o
aumento no número de infecções respiratórias e digestivas observando nas últimas
décadas nos grandes aglomerados urbanos.
TOXICOMANIA
Preconizado, na década de 1960, pelos profetas do
psicodelismo que buscavam “ paraísos artificiais”para onde fugir de uma
realidade social, política e econômica que julgavam opressiva, o consumo de
drogas se transformou num dos problemas mais graves do mundo moderno.
Toxicomania é o estado de intoxicação periódica
ou crônica causada pelo consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas,
por parte de um indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da
degradação física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.
Característica gerais. As drogas foram utilizadas
desde a antiguidade em diversas civilizações com várias finalidades,
principalmente religiosas e médicas, mas também como meio de fugir do mundo
cotidiano e reduzir o sofrimento ou o esforço físico. Alguns desses motivos se
acham na base do uso secular do ópio no Oriente, da maconha (cânhamo) em
diversas regiões da Ásia e das folhas de coca entre algumas tribos indígenas
da América do Sul.
No Ocidente, o consumo do álcool é aceito
culturalmente há séculos. A ele veio somar-se, após o descobrimento da América,
o fumo. Posteriormente, outras drogas viriam ampliar a gama de produtos dessa
natureza conhecidos e empregados na Europa e na América: ópio, haxixe, cocaína
e outros alucinógenos produzidos sinteticamente, como o LSD (dietilamida do ácido
lisérgico), as anfetaminas e um grande número de produtos farmacêuticos, além
de artigos industriais, como colas, vernizes e tintas. Todas essas substâncias,
e outras mais, podem originar intoxicação crônica.
Assim se resumem as primeiras características das
toxicomanias: (1) invencível impulso para usar a droga, razão por que o
intoxicado recorre a todos os meios e paga qualquer preço para obtê-la; (2)
tendência do intoxicado a aumentar progressivamente as doses para conseguir os
mesmos efeitos que no início eram obtidos com quantidades menores, o que se
conhece por tolerância;(3) dependência de ordem psíquica e, às vezes, física,
sobretudo no período de abstinência.
Entre as drogas mais comuns que dão origem às
toxicomanias se encontram: o ópio e seus derivados, como morfina, heroína e
outros, obtidos da papoula; cocaína, alcalóide extraído das folhas da coca;
haxixe e maconha, derivados do cânhamo; e barbitúricos e anfetaminas.
Efeitos e incidência. O uso de determinadas drogas
produz no princípio sensações prazerosas, insensibilidade à dor, distorções
sensoriais que produzem efeitos singulares na percepção, como ocorre com os
derivados do ópio; excitação e momentâneo aumento da lucidez e das
faculdades associativas, no caso da cocaína, e alucinações visuais e sensações
de bem-estar, como acontece com o uso da maconha por determinadas pessoas (em
outras origina sensações de terror).
Na medida em que o tempo passa e o hábito se
estabelece, no entanto, as conseqüências físicas, psíquicas, mentais e
sociais do uso de drogas se tornam negativas. O indivíduo se escraviza a elas,
já que, por um lado, tem de aumentar a dose para obter o mesmo efeito e, por
outro, experimenta sintomas muito desagradáveis, que podem chegar a autênticas
síndromes de abstinência, quando deixa de utiliza-las. O usuário vê-se, então,
impelido a obter por qualquer meio a substância, da qual é inteiramente
dependente, em quantidades crescentes, o que exige o desembolso de grandes somas
de dinheiro. Ao menos tempo, sua vida afetiva, familiar, social e profissional
desmorona e seu estado físico e mental degenera.
As toxicomanias se estenderam na segunda metade do século
XX pelos paises mais desenvolvidos em velocidade crescentes, devido a uma série
de problemas de índole social, moral, cultural, econômica e política.
Paralelamente, desenvolveu-se um tráfico internacional extraordinariamente
ativo, respaldado por organizações criminosas que obtêm grandes lucros com o
tráfico desses produtos.
A solução do problema é, portanto, complexa, e
compreende medidas globais que ataquem o problema em sua múltiplas frentes:
sanitária, reabilitadora, policial, legal, política, social, educativa, moral
e econômica. Não se pode esquecer que no fundo desse emaranhado de males se
encontram os mais íntimos conflitos que afetam a sociedade e a civilização
modernas, relacionados com a desumanidade, a perda de valores, a instabilidade
social e econômica, os conflitos de gerações e muitos outros.
INTOXICACÃO
A rapidez
no diagnóstico de uma intoxicação tem importância crucial pois, dependendo
da substância tóxica e das condições de saúde do paciente, ela pode
provocar até a morte em curto espaço de tempo.
Intoxicação é o estado provocado no organismo pela
ação de uma substância. A gravidade das alterações orgânicas decorrentes
de uma intoxicação varia muito e depende de diversos fatores relacionados ao
tipo, dose e via de penetração da substância, grau e intensidade da exposição,
idade da pessoa etc. As intoxicações, que podem ser causadas por alimentos
deteriorados, agentes químicos e substâncias tóxicas provenientes de
atividades industriais, poluição, uso de barbitúricos e vários outros
elemento, constituem o campo de estudo da toxicologia.
Em geral os tóxicos provêm do exterior do
organismo, mas em certos casos podem ser gerados por ele, como ocorre em algumas
doenças, entre elas distúrbios do metabolismo, como a uremia, doença
provocada pelo excesso de uréia e corpos nitrogenados no sangue. Esse processo
é chamado intoxicação endógena, em oposição às intoxicações exógenas,
representadas pelos envenenamentos criminosos, acidentais ou profissionais,
intoxicações medicamentosas ou devidas ao consumo excessivo de produtos
nocivos como álcool, fumo etc.
Conforme a velocidade com que se manifestam os
efeitos da substância tóxica, a intoxicação pode ser aguda ou crônica. No
primeiro caso, a pessoa intoxicada pode morrer em questão de dias ou menos. Já
as intoxicações crônicas evoluem mais lentamente, às vezes durante anos,
pois a quantidade diária de tóxico ingerida ou absorvida é muito pequena.
As formas de penetração das substância tóxicas no corpo variam muito. A via de
intoxicação mais freqüente é a digestiva, seguindo-se a respiratória (inalação
de gases venenosos), a cutânea (através da pele) e a da mucosa.
Tipos de intoxicação. São muitas as substâncias tóxicas
para o homem. Procedem de fontes diversas, como os produtos de uso industrial,
os metais, alimentos estragados, barbitúricos, bebidas alcoólicas,
medicamentos, drogas, poluição ambiental, cogumelos, picadas de animais etc.
A indústria moderna tem produzido uma quantidade
impressionante de substâncias e artigos de maior ou menor toxicidade, como
vernizes, lacas, tintas, pesticidas, inseticidas, detergentes etc., e até
aerossóis. Neles se encontram compostos e elementos químicos como sulfetos, óxido
de nitrogênio, monóxido de carbono, nitratos, fluoretos, sulfatos, derivados
de petróleo, cloro ou fósforo. Grande parte dessas substâncias é lançada
diretamente na água ou no ar, ou se acumula no solo, de onde passa para
organismo vivos e não atinge população humanas.
O monóxido de carbono expelido pelos canos de
descarga de veículos, fruto da combustão incompleta de derivados de petróleo,
deve sua toxidade à afinidade pela hemoglobina do sangue (proteína à qual se
liga o oxigênio, o que possibilita a respiração), muito superior à do próprio
oxigênio. Sua inalação provoca náuseas, vômitos e outros distúrbios. Em alta quantidade, pode acarretar
parada respiratória. Muitos solventes orgânicos, como o tetracloreto de
carbono ou o benzol, causam lesões no sistema nervoso e não raro também no
respiratório e cardiovascular.