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Barbitúricos

Empregados em medicina por seus efeitos sedantes e hipnóticos e por suas propriedades anestésicas, os barbitúricos são freqüentemente associados às toxicomanias e aos suicídios, pois se utilizados de forma inadequada podem conduzir à morte.

Barbitúrico é um composto químico orgânico sintético derivado do “ácido barbitúrico”, descoberto por Adolf Von Baeyer em 1864. Essa substância, também chamada “maloniluréia ou hidropirimidina”, é formada pela união do ácido malônico com a uréia, e dela são extraídos numerosos derivados de uso terapêutico.

Utilizam-se os barbitúricos em medicina por sua ação depressora do sistema nervoso central, efeito que, de acordo com a dose e a natureza do composto ministrado, será sedante, hipnótico ou narcótico. Podem ser de ação prolongada, como o barbital, empregado no tratamento da epilepsia; de ação intermediária, como o amobarbital e o aprobarbital, cujo efeito dura de três a seis horas e é usado contra a insônia; ou de ação curta, que são anestésicos administrados por via intravenosa.

Excetuando-se os de duração prolongada, os demais são metabolizados rapidamente pelo fígado e excretados pelos rins. Conforme a dose, a intensidade do efeito varia desde discreta hipnose até o coma profundo e morte. Esta geralmente ocorre, quando precoce, por paralisia respiratória; quando retardada, por complicações cardíacas, choque e pneumonia. No caso da intoxicação aguda, com depressão do sistema respiratório, recomenda-se uma lavagem de estômago, para expulsão do produto, e uso de oxigênio. A intoxicação crônica, ou barbiturismo, decorrente da ingestão continuada de tais substâncias, dá causa à adiccão e à síndrome de abstinência, conjunto de sintomas que se manifesta quando se deixa de proporcionar o barbitúrico ao indivíduo dependente.

Toxicomania

Preconizado, na década de 1960, pelos profetas do psicodelismo que buscavam “paraísos artificiais” para onde fugir de uma realidade social, política e econômica que julgavam opressiva, o consumo de drogas se transformou num dos problemas mais graves do mundo moderno.

Toxicomania é o estado de intoxicação periódica ou crônica causada pelo consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas, por parte de um indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da degradação física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.

As drogas foram utilizadas desde a antiguidade em diversas civilizações com varias finalidades, principalmente religiosas e médicas, mas também como meio de fugir do mundo cotidiano e reduzir o sofrimento ou o esforço físico. Alguns desses motivos se acham na base do uso secular do ópio no Oriente, da maconha (cânhamo) em diversas regiões da Ásia e das folhas de coca entre algumas tribos indígenas da América do Sul.

No Ocidente, o consumo do álcool é aceito culturalmente há séculos. A ele veio somar-se, após o descobrimento da América, o fumo. Posteriormente, outras drogas viriam ampliar a gama de produtos dessa natureza conhecidos e empregados na Europa e na América: ópio, haxixe, cocaína e outros alucinógenos produzidos sinteticamente, como o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), as anfetaminas e um grande número de produtos farmacêuticos, além de artigos industriais, como colas, vernizes e tintas. Todas essas substâncias, e outras mais, podem originar intoxicação crônica.

Assim se resumem as principais características das toxicomanias: (1) invencível impulso para usar a droga, razão por que o intoxicado recorre a todos os meios e paga qualquer preço para obtê-la; (2) tendência do intoxicado a aumentar progressivamente as doses para conseguir os mesmos efeitos que no início eram obtidos com quantidades menores, o que se conhece por tolerância; (3) dependência de ordem psíquica e, às vezes, físicas, sobretudo no período de abstinência.

Entre as drogas mais comuns que dão origem às toxicomanias se encontram: o ópio e seus derivados, como morfina, heroína e outros, obtidos da papoula; cocaína, alcalóide extraído das folhas da coca; haxixe e maconha, derivados do cânhamo; e barbitúricos e anfetaminas.

O uso de determinadas drogas produz no princípio sensações prazerosas, insensibilidade à dor, distorções sensoriais que produzem efeitos singulares na percepção, como ocorre com os derivados do ópio; excitação e momentâneo aumento da lucidez e das faculdades associativas, no caso da cocaína; e alucinações visuais e sensação de bem-estar, como acontece com o uso da maconha por determinadas pessoas (em outras origina sensações de terror).

Na medida em que o tempo passa e o hábito se estabelece, no entanto, as conseqüências físicas, psíquicas, mentais e sociais do uso de drogas se tornam negativas. O indivíduo se escraviza a elas, já que, por um lado, tem de aumentar a dose para obter o mesmo efeito e, por outro, experimenta sintomas muito desagradáveis, que podem chegar a autênticas síndromes de abstinência, quando deixa de utiliza-las. O usuário vê-se, então, impelido a obter por qualquer meio a substância, da qual é inteiramente dependente, em quantidades crescentes, o que exige o desembolso de grandes somas de dinheiro. Ao mesmo tempo, sua vida afetiva, familiar, social e profissional desmorona e seu estado físico e mental degenera.

As toxicomanias se estenderam na segunda metade do século XX pelos países mais desenvolvidos em velocidade crescente, devido a uma série de problemas de índole social, moral, cultural, econômica e política. Paralelamente, desenvolveu-se um tráfico internacional extraordinariamente ativo, respaldado por organizações  criminosas que obtêm grandes lucros com o tráfico desses produtos.

A solução é, portanto, complexa, e compreende medidas globais que ataquem o problema em suas múltiplas frentes: sanitária, reabilitadora, policial, legal, política, social, educativa, moral e economicamente. Não se pode esquecer que no fundo desse emaranhado de males se encontram os mais íntimos conflitos que afetam a sociedade e a civilização, estes, relacionados com a desumanidade, a perda de valores, a instabilidade social e econômica, os conflitos de gerações e muitos outros.

Anfetamina

O consumo maciço dos diferentes compostos de anfetamina  durante as décadas de 1960 e 1970, motivado pelo efeito psico-estimulante desse princípio, levou a maioria dos organismos de saúde pública a baixar normas que procuram reduzir seu emprego.

Utilizada principalmente como estimulante e nos regimes de emagrecimento, a anfetamina é o protótipo de uma série de drogas sintéticas, todas chamadas anfetamina, que atuam sobre o sistema nervoso central, gerando aumento da atividade mental, euforia e incremento da resistência à fadiga e da capacidade de concentração, além de melhorar a disposição geral. Em conseqüência, é utilizada para tratar casos de depressão e de narcolepsia, doença caracterizada por uma irresistível tendência ao sono. Outros tratamento em que também se emprega a anfetamina são os de desintoxicação de alcoólatras e, pela capacidade que tem essa droga de eliminar o apetite, nas dietas de emagrecimento.

A preparação mais usada é o sulfato de anfetamina. O sulfato de dextroanfetamina é a mais ativa das duas formas isoméricas (isto é, que têm a mesma composição química, mas uma distribuição espacial diferente) da anfetamina produzido os mesmos efeitos terapêuticos, apresenta a vantagem de provocar menor número de efeitos secundários indesejáveis: entre outros, náuseas, insônia, contrações abdominais, irritabilidade, hipertensão e estados maníacos.

Dois dos efeitos fisiológicos produzidos pela administração da anfetamina são semelhantes aos que se apresentam naturalmente pela ação do hormônio adrenalina: estimulação dos centros respiratórios e constrição dos vasos sanguíneos.

Embora não se produza uma típica síndrome de abstinência quando a administração da droga é suspensa, ocorre desajustes orgânicos, e o uso prolongado leva a uma grande dependência de origem psíquica.

Alcoolismo

A velocidade de assimilação do álcool e a constância com que é ingerido são as principais causas do alcoolismo, responsável por sérios problemas sociais no mundo inteiro.

Alcoolismo é uma intoxicação, aguda ou crônica, provocada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e constitui um problema médico quando altera ou põe em risco a saúde física ou mental do indivíduo.

Dsde cedo, o homem descobriu que as bebidas alcoólicas, por seu efeito tônico e euforizante, permitiam um alívio da angústia e a liberação de repressões. Esses fatores, entretanto, não são suficientes para explicar a dependência alcoólica. Assim, devem ser considerados os motivos mórbidos que levam as pessoas a beber em demasia, bem como a tolerância e a personalidade de cada individuo.

A tolerância, definida como a relação entre a concentração de álcool no organismo e o grau de intoxicação, depende de fatores como idade, sexo, predisposição hereditária, hábitos alimentares, estado orgânico e o grau de intoxicação etc.

As causas do alcoolismo podem ser esquematicamente divididas em:

(1)          ocasionais ( quando determinadas pelo próprio meio ambiente);

(2)          secundárias ( quando a ocorrência do hábito se faz após um transtorno mental, como a epilepsia e a arteriosclerose cerebral),

(3)          alcoolismo de causa psicopata ( quando disposições caracterológicas congênitas facilitam o vício);

(4)          alcoolismo por conflituacão neurótica ( o desenvolvimento neurótico da personalidade é que vai condicionar o aparecimento do hábito).

A metabolizacão do álcool ocorre no fígado, onde é oxidado pela ação da enzima alcooldesidrogenase, transformando-se inicialmente em aldeído acético e, a seguir, em ácido acético. A energia liberada por essas reações é assimilada e utilizada posteriormente pelo organismo, desde que não exceda o nível máximo de 700 calorias. Para uma pessoa de compleição normal, um litro de álcool, ingerido do decorrer de 24 horas, fornece essa quantidade-limite, de energia. Quando o volume de álcool ingerido supera esse limite, entram em lenta deterioração do organismo.

Efeitos do alcoolismo. No que diz respeito ao sistema nervoso, os sintomas que mais chamam a atenção são o tremor e a polineurite ( sensibilidade à pressão dos troncos nervosos, dores nas extremidades e hipoalgesias ). Com relação ao aparelho digestivo, além da falta de apetite, que constitui queixa constante, as complicações mais comuns são a gastrite com vômitos matinais e a cirrose hepática, que pode levar o individuo ao coma e à morte. No coração pode aparecer uma degeneração adiposa, que se cura com a abstinência, mas que ressurge com o abuso do álcool. Essa alteração responde pela insuficiência circulatória que se observa em certos alcoólatras, nos quais o pulso torna-se irregular e a área cardíaca aumenta.

Nos casos mais avançados de alcoolismo, é comum a diminuição da potência sexual. Os testículos se atrofiam e a excreção hormonal diminui. A atrofia testicular e a lesão hepática provocam, em geral, a  queda dos pêlos axilares e pubianos. Nas mulheres estabelece-se, em alguns casos, amenorréia. Os efeitos do alcoolismo na saúde mental são ainda mais graves. O individuo vive num estado de tensão que o leva progressivamente a manifestações regressivas no sentido da falta de domínio emocional.

Dentre as funções intelectuais, a memória, a percepção e a crítica são as mais comprometidas. No principio, as alterações ocorrem em virtude da tensão emocional e da atitude egocêntrica do alcoólatra. Depois surgem transtornos ditos psico-orgânicos, que levam a um déficit irreversível dessas funções. O alcoólatra equivoca-se facilmente nas leituras, confunde-se e não capta as imagens. Com o tempo, passa a haver decadência do caráter em função de diminuição da critica.

Os transtornos psíquicos provenientes do alcoolismo, conforme sua intensidade e ocorrência, configuram quadros psiquiátricos. Um deles é a chamada embriaguez patológica, ou dipsomania, que constitui forma especial de intoxicação alcoólica aguda, na qual o individuo é levado a estados de excitação psicomotora, alucinações ou fabulações. Ocorre sobretudo em personalidades psicopáticas  e doentias.

O alcoolismo crônico representa o quadro mais freqüente. O psiquismo se compromete progressivamente, no sentido de alteração de afetividade e das funções psíquicas superiores. Um fenômeno característico, que afeta o alcoólatra crônico após certo período de abstinência, é o delirium tremens. O quadro caracteriza-se por inquietude visuais, sobretudo zoopsias (visões de animais e insetos, geralmente repgnantes) tudo isso acompanhado por tremores, aumentos da temperatura e depleção hídrica. Se não tratado, o delirium tremens pode levar à morte.

As condições de vistas impostas pela sociedade moderna têm provocado um aumento sensível do número de alcoólatras. Devido aos efeitos físicos e psíquicos do excesso de álcool, eles não conseguem levar uma vida normal, tanto no âmbito familiar quanto no profissional, comprometendo sua própria segurança e também a daqueles que os cercam.

Assim, os efeitos sociais do alcoolismo deram lugar, em inúmeros paises, a programas de prevenção, educação do público, principalmente o adolescente, por meio de campanhas esclarecedoras, e reeducação dos alcoólatras, por meio de técnicas socioterápicas e sociedades de “alcoólatras anônimos”, são medidas importantes em qualquer campanha antialcoólica.

Tratamento

A primeira fase do tratamento consiste na desintoxicação, que deve ser sempre precedida por um exame complexo no sentido de investigar os fatores causais, sejam eles biológicos, sociais ou psicológicos. De maneira geral, o tratamento é longo e exige muita tenacidade por parte do paciente e do médico. A recaída é prevista na evolução terapêutica normal. A desintoxicação se faz por meio de complexos vitamínicos e energéticos. A hospitalização é obrigatória, uma vez que a abstinência, essencial para o inicio do tratamento, pode provocar reações inesperadas.

Após a desintoxicação há sempre necessidade de tratamento psicoterápico. Em certos casos, a chamada “cura pela intolerância”, uma repugnância pelo álcool, pode surti resultados satisfatório. Para a realização desse tipo de tratamento, é preciso que o paciente tenha sido previamente alertado.

Nos quadros de delirium tremens, psicoses, encefalopatias e outras formas especiais de alcoolismo, os tratamentos são diversos e devem ser sempre realizados por especialistas, em ambiente hospitalar adequado.

Fumo

Tabagismo. Dá-se o nome de tabagismo ao consumo do fumo e à intoxicação, aguda ou crônica, decorrente desse hábito. O efeito nocivo do tabaco ocorre sobretudo nos aparelhos respiratórios, circulatório e digestivo, assim como no sistema nervoso. Na mucosa brônquica, a fumaça do cigarro provoca lesões do epitélio cilíndrico ciliado, das células secretoras do muco, alterações da dinâmica etc.

O tabaco pode causar bronquite crônica, enfisema pulmonar e, embora não existam ainda provas cabais, o câncer, sobretudo de pulmão. Entre os que fumam cachimbo ou mascam fumo picado, também parece haver maior incidência de câncer dos lábios, da boca e da faringe. Em vários paises, sobretudo a partir da década de 1980, desencadearam-se campanhas destinadas a reduzir o aparecimento de novos fumantes na população jovem. Na Itália, proíbe-se toda e qualquer publicidade do fumo; no Reino Unido, interditou-se a propaganda na televisão. Nos Estados Unidos e, a partir de 1989, no Brasil, são obrigatórias advertências nos maços de cigarros, em anúncio e em pontos de venda. Uma grande contradição na moderna visão psicanalítica, onde coloca o vício de cigarro como sendo uma “Neurose do Fumo”, a contradição é que Freud era um neurótico do fumo, o consumo de Freud o revelou um neurótico, dentro de sua própria teoria (Teoria da fase Oral) Na teoria psicanalítica de Freud, primeiro estágio da evolução da efetividade, em que a boca é o órgão central do prazer do bebê e seu contato mais importante com o mundo exterior a sucção do seio materno. Freud mesmo disse na prática “quando fui bebê, tive problemas de afetividade”. Vejamos as razões que levam a neurose do tabaco:

1-     Um problema de afetividade em sua fase oral – Quando criança, precisa afirmar o contato com mundo exterior, para compulsão nervosa de segurar algo ou satisfazer algo, ou seja todo fumante é um bebê em potêncial.

2-     Um problema de projeção psicológica – Todo fumante, psicologicamente tem a tendência ao Sadomasoquismo, sente prazer na auto destruição do corpo –  também dentro deste contexto caracteriza “segurança social”, todo fumante é extremamente impaciente com ele e com o meio em que vive.

Maconha

Mencionada num livro de botânica chinês do ano 2700 a . C., a maconha foi utilizada durante muito tempo como anestésico ou analgésico. Modernamente tornou-se uma das drogas de uso mais generalizado, em virtude do baixo preço e da relativa facilidade de obtenção.

Maconha é o nome vulgar do cânhamo (Cannabis sativa) quando usado para dele se extrair a droga de mesmo nome, preparada por secagem e trituração de suas folhas e flores. Consome-se geralmente por aspiração da fumaça proviniente da combustão de erva em cachimbos ou cigarros, mas também pode se mascada ou adicionada a alimentos e bebidas. Todas as partes da planta, seja ela feminina ou masculina, contêm o principio ativo, o tetraidrocanabinol (THC). Da resina das flores da planta feminina onde há maior concentração de THC, se extrai o haxixe, droga mais potente. A planta cresce em qualquer parte do mundo, exceto nos lugares muito frios.

Os efeitos da maconha variam conforme a experiência do usuário, a quantidade e o ambiente em que é consumida, além da potência da droga. Quando fumada, os efeitos fisiológicos se manifestam em minutos e incluem tontura, distúrbio de coordenação e de movimento, sensação de peso nos braços e pernas, secura na boca e na garganta, vermelhidão e irritação nos olhos, aumento da freqüência cardíaca, sensação de apetite voraz, entre outros. A maconha não leva à dependência física e a suspensão de seu uso não provoca sintomas. Em certos tipos de usuários, porém, pode causar dependência psicológica.

Muitos variáveis, os efeitos psicológicos tendem a predominar. O usuário pode experimentar leve euforia, bem como alterações da percepção com distorções de espaço, tempo, distância e do senso de organizações do próprio corpo. Os processos mentais também podem ficar desorganizados, com distúrbios de memória e freqüentes desvios de atenção que afetam o fluxo ordenado de idéias. Pelo lado positivo, pode ocorrer fortalecimento do sentido do valor próprio e da sociabilidade.

Há mais de dois mil anos os chineses usavam a maconha como anestésico em cirurgias, prática repetida no Renascimento por alguns cirurgiões europeus. Empregada como alucinógeno pelos muçulmanos, seu uso aos poucos estendeu-se ao Ocidente, onde acentuou-se a partir de meados do século XX. O uso generalizado da maconha e do haxixe em todo o mundo levantou muitas questões médicas e sociais, cuja pesquisa teve impulso na década de 1960, quando se conseguiu isolar e produzir sinteticamente o THC. Até a década de 1990, embora fossem poucos os dados que levassem a conclusões definitivas, resultados confiáveis sugeriam que os efeitos da maconha sobre o organismo eram menos perniciosos que os do álcool. Pesquisas médicas revelaram efeitos terapêuticos da maconha e do THC, úteis na redução da pressão interna dos olhos em pacientes com glaucoma e no alívio da náusea decorrente das drogas quimioterápicas usadas no tratamento do câncer.

O comércio internacional de maconha e haxixe foi primeiramente normalizado em 1925, numa convenção internacional. No fim da década de 1960, a maioria dos paises reforçou o controle do tráfico e do uso impôs punições por posse, venda e fornecimento ilegal dessas drogas. A partir da década de 1970, porém, alguns paises reduziram as penas pela posse de pequenas quantidades.

Do ponto de vista dos que defendem a legalização da maconha, a droga é um alucinógeno leve, em nada semelhante aos narcóticos. Afirmam haver suficientes evidências de que seu uso induz ao consumo de drogas mais potentes, como a heroína, e que não está associado à criminalidade. Como meio para reduzir a tensão e adquirir sensação de bem-estar, acreditam que a maconha é provavelmente mais benéfica e bem menos perigosa que o álcool. Usuários entendem que as medidas exageradas contra o uso da maconha são uma ameaça maior à sociedade do que uma abordagem mais racional e realística do uso de drogas.                                               

Plantas Alucinógenas:

A influência de substâncias contidas em determinadas plantas sobre a atividade cerebral do homem, ou seja, o efeito psicotrópico produzido pela ingestão desses vegetais, pode provocar anomalias da percepção ou alucinações.

A tais plantas se dá o nome de alucinógenas. São espécies, como o cânhamo ou maconha, o peiote e o estramônio, são capazes de induzir quem as usa a estados de grande excitação cerebral, marcados pelo distanciamento da realidade aparente e uma apreensão mais vivida dos sons, formas e cores.

Classificação. Do ponto de vista sistemático, as plantas alucinógenas distribuem-se em dois grandes grupos: ou são fungos superiores, ascomicentes ou basidiomicentes, ou plantas do grupo das dicotiledôneas, pertencentes a famílias muito pouco relacionadas na seriação sistemática.

O quadro motivado pelo uso desses matérias alucinógenos caracteriza-se por intensa excitação cerebral, acompanhada de visões coloridas, sonhos agradáveis, sensações inusitadas e êxtases profundos que induzem as pessoas a sentirem-se distanciadas da realidade aparente. A impressão de viver em outros planos é ampliada por noções radicalmente diferentes do espaço e do tempo.

Há um grupo de plantas alucinógenas que se relaciona à pretensa faculdade de previsão e ganha enorme importância em comunidades primitivas que buscam, através de visões mágicas, desvendar o futuro. São as chamadas plantas divinatórias, usadas muitas vezes em rituais marcados por fortes sentimentos de religiosidade.

Entre as plantas superiores, ou dicotiledôneas, com propriedades alucinógenas encontram-se moráceas como o cânhamo; malpighiáceas como o caapi ou auasca; cactáceas como o peiote; e solanáceas como o meimendro e o estramônio. O cânhamo(Cannabis sativa), popularmente conhecido como maconha, designação de origem africana, é uma planta importante como produtora de fibras que há milênios também tem sido usada por seus efeitos medicinais, como sedativo, e por suas propriedades alucinógenas.

Origem e efeitos do haxixe. Com o nome de haxixe (do árabe hashish, que significa “erva seca”), são usadas várias preparações derivadas do cânhamo, que podem ser fumadas, bebidas ou mascadas. É curioso que a palavra “assassino” derive do árabe hashishin, que significa “comedores de cânhamo”. A origem desse nome liga-se a uma antiga seita muçulmana, a dos ismaelianos ou assassinos, que existiu na Síria, no tempo das cruzadas, no século XII.

Difundiu no Brasil como maconha, diamba ou marijuana, e cultivado sobretudo no Nordeste, o cânhamo é a resposta do ser humano ao seu uso. As extremidades floridas das plantas femininas, sobretudo se cultivadas em regiões quentes e secas, têm em geral efeito mais potente.

O quadro mais comum da intoxicação pelo cânhamo compreende: profundo relaxamento muscular; ausência de preocupações; alterações perceptuais (visuais, auditivas, tácteis) e sentimento de despersonalização; impressão de retardamento do tempo e de alongamento do espaço; idéias fugazes e incoerentes; perda da capacidade de atenção e da memória imediata; euforia, sonolência e, por vezes, aumento do desejo sexual.

Usos religiosos. Cipós de várias malpighiáceas dos gêneros Banisteriopsis e Tetrapterys, conhecidos por nomes como caapi, auasca ou iagé, são usados em cerimônias de cunho religioso, por suas propriedades alucinógenas, por tribos indígenas da Amazônia e seitas de inspiração sincrética como a do Santo Daime. A ação  de tais cipós, traduzindo-se por um estado de grande excitação, produz efeitos semelhantes ao da intoxicação por haxixe, se bem que mais acentuados. Só ou, como em geral acontece, associado a outras plantas, o caapi é tomado sob a forma de infusão ou decocto. 

A cactácea conhecida como peiote (Lophophora williamsii), nativa de pequena área da fronteira entre os Estados Unidos e o México, é uma das mais curiosas e mais bem estudadas plantas alucinógenas. Ainda nos dias atuais é objeto de um culto por tribos mexicanas e americanas, não obstante a pressão das autoridades dos dois paises.

O caule do cacto é cortado em fatias transversais que, uma vez secas, constituem os “botões de mescal”. Cada participante do culto masca certo número de botões, secos ou mesmo frescos, amolecendo-os e triturando-os antes de os engolir aos pedaços. Atinge-se em seguida um estado de intensa excitação ou transe. Doses demasiado fortes resultam às vezes em alucinações de caráter desagradável.

Uma longa série de alcalóides foi isolada do peiote; entre eles a mescalina, apontada como responsável pelas alucinações visuais, a lofoforina, a analamina e a pelotina. As propriedades do peiote, com seus efeitos sobre os fenômenos da percepção, já atraíram a atenção  de psicólogos, escritores e filósofos. Aldous Huxley foi um dos que mais se interessaram pelo assunto, submetendo-se inclusive a experiência pessoais com esse cacto.

Sabe-se também da existência de propriedades alucinógenas em plantas como o estramônio ou trombeta (Dautura stramonium) e o meimendro (Hyosoyamus niger). Várias espécies de Datura são empregadas ainda hoje por tribos da bacia amazônica. O meimendro tem uma longa história através dos séculos. Foi usado por feiticeiros, envenenadores, mágicos e profetas como capaz de produzir um estado propício à experimentação das visões. Já os fungos ou cogumelos alucinógenos tornaram-se de uso corrente sobretudo no México, onde se associaram desde cedo, como o peiote, a práticas religiosas.

                TOXICOLOGIA COMO CIÊNCIA

Toxicologia

Vária das substâncias tóxicas mais comuns são conhecidas e utilizadas desde a antiguidade com diversas finalidades – na caca, na guerra e até mesmo para cometer homicídios.

Toxicologia é a ciência que estuda as substâncias tóxicas, comumente denominadas venenos, obtidas de diferentes animais e vegetais, e seus efeitos sobre o organismo . Os tóxicos produzem, quando introduzidos no corpo ou, em certos casos, postos em contato com a pele, diferentes alterações causam a morte do indivíduo.

Princípios gerais. A função da toxicologia é determinar a origem e procedência das substâncias tóxicas, sua natureza e propriedades físicas, químicas e biológicas, seu mecanismo de ação e os transtornos fisiológicos que produzem. Compete também a essa disciplina detecta tais substâncias, avaliar sua atividade, em função da dose, e procurar meios de neutralizar e reparar sua ação nociva, pela aplicação de diferentes medidas terapêuticas ou pela adoção de sistemas preventivos eficazes e seguros.

Os venenos podem penetrar no organismo por via oral, digestiva, respiratória e cutânea. A essas se somam, no caso de tratamentos médicos, outras formas excepcionais de introdução, como hipodérmica, intravenosa e intramuscular. Por via respiratória entram não só substâncias tóxicas gasosas mas também as líquidas e as sólidas, na forma de aerossóis, que não são retidas nas vias superiores do aparelho respiratório e chegam assim até os alvéolos pulmonares.

A penetração pela pele e mucosa ocorre no caso de inúmeras substâncias solúveis em gorduras, as quais podem espalhar-se e ser absorvidas por meio dos lipídios cutâneos. É o que ocorre com os derivados orgânicos do chumbo, com os solventes clorados (tricloroetileno e tetracloreto de carbono) ou com as aminas aromáticas (anilinas).

Diferenciação dos venenos. A lista de substâncias que podem ocasionar alteração orgânica mais ou menos grave, e em muitos casos a morte, é bastante extensa e nela se incluem agentes das mais diversas procedências. Dentre os mais conhecidos destacam-se os seguintes grupos(1) Metais pesados, como chumbo, mercúrio e cádmio, que provocam graves intoxicações e doença; (2) composto químicos, inorgânicos e orgânicos, como cianetos de sódio e potássio, derivados do flúor, cloro, fósforo, arsênio, monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, metanol etc.; (3) pesticidas e produtos da indústria química, muitos deles com efeito incapacitante ou letal a longo prazo, por se acumularem em certos tecidos; (4) certos remédios em determinadas doses ou em circunstâncias específica, alguns dos quais podem provocar mal formação no feto e outros problemas graveis; (5) estupefacientes e substância afins, como o ópio e seus derivados, a cocaína etc.; (6) toxinas bacterianas, como as do botulismo, tétano ou difleria; (7) venenos vegetais, procedentes sobretudo de fungos e muitas plantas herbáceas; e (8) venenos animais, principalmente os de ofídios, certos peixes e alguns aracnídeos, moluscos e celenterados (medusas).

Muitos desses agentes tóxicos apresentam um toxicidade aguda ou subaguda, isto é, a alteração sobrevém com rapidez, transcorrido um intervalo muito breve a partir do momento em que a substância penetrou pela boca, pele ou pulmões. Freqüentemente o resultado é a morte, mas em qualquer caso as manifestações são notáveis.

Outros tóxicos atuam a longo prazo, em conseqüência da ingestão ou absorção repetida em doses freqüentes, ainda que muito pequenas. Isso ocorre com os venenos cumulativos, como o metanol, os metais pesados ou derivados do arsênio, que se depositam no corpo em virtude de interações físicas (elevada solubilidade nos lipídios, o que permite sua acumulação no tecido gorduroso), químicas (união com algum componente da célula) ou pela impossibilidade de elimina-los (metais pesados).

As intoxicações devidas a venenos cumulativos são chamados de crônicas afetam, como o fígado, os rins, o sistema nervoso ou as glândulas endócrinas. Se a pessoa se encontra em fase de crescimento, a formação do organismo pode ser prejudicada. No caso de certas substâncias, o efeito adverso pode não se manifestar ou é detectado apenas depois de transcorrida mais de uma geração, como ocorre, por exemplo, com os pesticidas e agentes cancerígenos e mutagênicos (suscetíveis de provocar mutações no material genético do organismo ao qual contaminaram).

Áreas de pesquisas. São numerosos os campos relacionados direta ou indiretamente com a toxicologia, dado o elevado número de agentes tóxicos que existem e à variedade de sua procedência e meio de penetração. A toxicologia medida propriamente dita compreende diferentes setores, como a avaliação toxicológica em si; toxicologia legal, de importância fundamental nas investigações criminais; toxicologia pública sanitária, referente àqueles aspectos que interessam a uma população ou à coletividade em seu conjunto, do ponto de vista da prevenção de intoxicações em massa, controle de agentes tóxicos (pela utilidade terapêutica que apresentam certos venenos animais e vegetais em baixas doses) e a pesquisa de antídotos.

A expansão industrial em escala planetária e a fabricação de inúmeros produtos industriais com o possíveis repercussões negativas para a saúde humana ampliaram de forma considerável o campo de atuação da toxicologia, até abarcar diversos aspectos da higiene industrial e do trabalho, com evidente incidência na saúde pública. Metais, solventes, gases e substâncias em forma de pó ou aerossóis expõem a população a risco, às vezes muito sérios. O estudo da toxicidade de novos produtos lançados no mercado, assim como o aprimoramento de processos de detecção e avaliação fazem da toxicologia um valioso auxiliar para a medicina do trabalho.

São também importantes as pesquisas toxicológicas nos campos agrícola e alimentar, em particular pela maciça utilização de pesticidas ou os numerosos produtos adicionados a alimentos como conservantes, flavorizantes etc. Um dos exemplos mais característicos do perigo que os pesticidas podem representar é o DDT, de uso proibido em todos os paises avançados.

Inseticidas, raticidas, herbicidas, fungicidas, desfolhantes e muitos outros compostos similares são com freqüência venenos muito persistentes, de elevada toxicidade e cumulativos, que contaminam seriamente as cadeias alimentares dos ecossistemas. A ecotoxicologia, de surgimento recente, estuda o efeito dos múltiplos agentes poluentes que o homem despeja em grandes quantidades na atmosfera, na água e na terra em forma de gases, líquidos ou resíduos sólidos. A alteração da quantidade do ar e da água são de capital importância para a saúde humana, como demonstra o aumento no número de infecções respiratórias e digestivas observando nas últimas décadas nos grandes aglomerados urbanos.

TOXICOMANIA

Preconizado, na década de 1960, pelos profetas do psicodelismo que buscavam “ paraísos artificiais”para onde fugir de uma realidade social, política e econômica que julgavam opressiva, o consumo de drogas se transformou num dos problemas mais graves do mundo moderno.

Toxicomania é o estado de intoxicação periódica ou crônica causada pelo consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas, por parte de um indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da degradação física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.

Característica gerais. As drogas foram utilizadas desde a antiguidade em diversas civilizações com várias finalidades, principalmente religiosas e médicas, mas também como meio de fugir do mundo cotidiano e reduzir o sofrimento ou o esforço físico. Alguns desses motivos se acham na base do uso secular do ópio no Oriente, da maconha (cânhamo) em diversas regiões da Ásia e das folhas de coca entre algumas tribos indígenas da América do Sul.

No Ocidente, o consumo do álcool é aceito culturalmente há séculos. A ele veio somar-se, após o descobrimento da América, o fumo. Posteriormente, outras drogas viriam ampliar a gama de produtos dessa natureza conhecidos e empregados na Europa e na América: ópio, haxixe, cocaína e outros alucinógenos produzidos sinteticamente, como o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), as anfetaminas e um grande número de produtos farmacêuticos, além de artigos industriais, como colas, vernizes e tintas. Todas essas substâncias, e outras mais, podem originar intoxicação crônica.

Assim se resumem as primeiras características das toxicomanias: (1) invencível impulso para usar a droga, razão por que o intoxicado recorre a todos os meios e paga qualquer preço para obtê-la; (2) tendência do intoxicado a aumentar progressivamente as doses para conseguir os mesmos efeitos que no início eram obtidos com quantidades menores, o que se conhece por tolerância;(3) dependência de ordem psíquica e, às vezes, física, sobretudo no período de abstinência.

Entre as drogas mais comuns que dão origem às toxicomanias se encontram: o ópio e seus derivados, como morfina, heroína e outros, obtidos da papoula; cocaína, alcalóide extraído das folhas da coca; haxixe e maconha, derivados do cânhamo; e barbitúricos e anfetaminas.

Efeitos e incidência. O uso de determinadas drogas produz no princípio sensações prazerosas, insensibilidade à dor, distorções sensoriais que produzem efeitos singulares na percepção, como ocorre com os derivados do ópio; excitação e momentâneo aumento da lucidez e das faculdades associativas, no caso da cocaína, e alucinações visuais e sensações de bem-estar, como acontece com o uso da maconha por determinadas pessoas (em outras origina sensações de terror).

Na medida em que o tempo passa e o hábito se estabelece, no entanto, as conseqüências físicas, psíquicas, mentais e sociais do uso de drogas se tornam negativas. O indivíduo se escraviza a elas, já que, por um lado, tem de aumentar a dose para obter o mesmo efeito e, por outro, experimenta sintomas muito desagradáveis, que podem chegar a autênticas síndromes de abstinência, quando deixa de utiliza-las. O usuário vê-se, então, impelido a obter por qualquer meio a substância, da qual é inteiramente dependente, em quantidades crescentes, o que exige o desembolso de grandes somas de dinheiro. Ao menos tempo, sua vida afetiva, familiar, social e profissional desmorona e seu estado físico e mental degenera.

As toxicomanias se estenderam na segunda metade do século XX pelos paises mais desenvolvidos em velocidade crescentes, devido a uma série de problemas de índole social, moral, cultural, econômica e política. Paralelamente, desenvolveu-se um tráfico internacional extraordinariamente ativo, respaldado por organizações criminosas que obtêm grandes lucros com o tráfico desses produtos.

A solução do problema é, portanto, complexa, e compreende medidas globais que ataquem o problema em sua múltiplas frentes: sanitária, reabilitadora, policial, legal, política, social, educativa, moral e econômica. Não se pode esquecer que no fundo desse emaranhado de males se encontram os mais íntimos conflitos que afetam a sociedade e a civilização modernas, relacionados com a desumanidade, a perda de valores, a instabilidade social e econômica, os conflitos de gerações e muitos outros.

INTOXICACÃO

A  rapidez no diagnóstico de uma intoxicação tem importância crucial pois, dependendo da substância tóxica e das condições de saúde do paciente, ela pode provocar até a morte em curto espaço de tempo.

Intoxicação é o estado provocado no organismo pela ação de uma substância. A gravidade das alterações orgânicas decorrentes de uma intoxicação varia muito e depende de diversos fatores relacionados ao tipo, dose e via de penetração da substância, grau e intensidade da exposição, idade da pessoa etc. As intoxicações, que podem ser causadas por alimentos deteriorados, agentes químicos e substâncias tóxicas provenientes de atividades industriais, poluição, uso de barbitúricos e vários outros elemento, constituem o campo de estudo da toxicologia.

Em geral os tóxicos provêm do exterior do organismo, mas em certos casos podem ser gerados por ele, como ocorre em algumas doenças, entre elas distúrbios do metabolismo, como a uremia, doença provocada pelo excesso de uréia e corpos nitrogenados no sangue. Esse processo é chamado intoxicação endógena, em oposição às intoxicações exógenas, representadas pelos envenenamentos criminosos, acidentais ou profissionais, intoxicações medicamentosas ou devidas ao consumo excessivo de produtos nocivos como álcool, fumo etc.

Conforme a velocidade com que se manifestam os efeitos da substância tóxica, a intoxicação pode ser aguda ou crônica. No primeiro caso, a pessoa intoxicada pode morrer em questão de dias ou menos. Já as intoxicações crônicas evoluem mais lentamente, às vezes durante anos, pois a quantidade diária de tóxico ingerida ou absorvida é muito pequena.

As formas de penetração  das substância tóxicas no corpo variam muito. A via de intoxicação mais freqüente é a digestiva, seguindo-se a respiratória (inalação de gases venenosos), a cutânea (através da pele) e a da mucosa.

Tipos de intoxicação. São muitas as substâncias tóxicas para o homem. Procedem de fontes diversas, como os produtos de uso industrial, os metais, alimentos estragados, barbitúricos, bebidas alcoólicas, medicamentos, drogas, poluição ambiental, cogumelos, picadas de animais etc.

A indústria moderna tem produzido uma quantidade impressionante de substâncias e artigos de maior ou menor toxicidade, como vernizes, lacas, tintas, pesticidas, inseticidas, detergentes etc., e até aerossóis. Neles se encontram compostos e elementos químicos como sulfetos, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono, nitratos, fluoretos, sulfatos, derivados de petróleo, cloro ou fósforo. Grande parte dessas substâncias é lançada diretamente na água ou no ar, ou se acumula no solo, de onde passa para organismo vivos e não atinge população humanas.

O monóxido de carbono expelido pelos canos de descarga de veículos, fruto da combustão incompleta de derivados de petróleo, deve sua toxidade à afinidade pela hemoglobina do sangue (proteína à qual se liga o oxigênio, o que possibilita a respiração), muito superior à do próprio oxigênio. Sua inalação provoca náuseas, vômitos  e outros distúrbios. Em alta quantidade, pode acarretar parada respiratória. Muitos solventes orgânicos, como o tetracloreto de carbono ou o benzol, causam lesões no sistema nervoso e não raro também no respiratório e cardiovascular.