INIMIGOS HUMANOS
*Mário Carabajal
Como se não bastassem as guerras religiosas e toda a disputa e ambição pelo poder, a Humanidade enfrenta outros inimigos, bem mais poderosos e aterrorizantes.
Todos os inimigos humanos são resultantes de sua desmedida e ignota evolução. Dentre os quais, encontra-se a eminência catastrófica, cientificamente prevista para 2.025, quando 3,3 bilhões de pessoas, ou seja, a metade da atual população mundial, não terá mais água doce para irrigação.
Se com todo o desperdício e utilização inconseqüente atual da água, já é suficiente para contamos com a falta de alimentos no Mundo, onde não menos de três bilhões de pessoas, segundo a Comissão Mundial de Água da ONU, vivem em péssimas condições sanitárias, imagine o que se esperar para 2.025.
O Brasil não deverá ser atingindo tão rapidamente, por contar com imensas reservar de água doce. Não obstante, haveremos de confrontarmo-nos com a necessidade e carência que assombrará muitos países. Na Venezuela, Colômbia e demais países sul-americanos, já é gritante essa realidade.
Na América Central, a exemplo do Haiti, a falta de saneamento básico e uma horrível carência de água, somam à desnutrição, problemas políticos e outros fatores, como a recente humilhação imposta pelo futebol milionário brasileiro.
A África, Ásia Central e Oriente Médio, deverão continuar sendo assolados pelos piores males, de todas as ordens. Prevê-se estas regiões, como as áreas a serem mais atingidas pela falta de água. Hoje já o é. Mas deverá alcançar níveis insuportáveis nos próximos vinte anos. Do 1 milhão de pessoas que sequer têm acesso à água potável, mais da metade vive naquela região.
Doenças como diarréia, esquistossomose, hepatite e febre tifóide, grandes vilãs da vida humana, chegando a matar até 5 milhões de pessoas por ano, em todo o Mundo, encontram na carência de água.
Problemas sanitários, por lixos, esgotos, exploração de minérios (garimpagem) e dejetos químicos, têm origem basicamente nestes elementos, que chegam aos rios e mares, reduzindo, consideravelmente, a expectativa da existência de vida sobre a Terra. Sobretudo, e em índices e progressões ainda não mensuradas pelas ciências, se confirma esta assertiva, do nosso fim na Terra, e também de toda a vida biológica, pelo maior vilão de todos, o lixo atômico.
Como outros grandes inimigos humanos, encontramos; falta de alimentos, poluição do ar, poluição do solo, efeito estufa e as alterações climáticas, com seus conseqüentes desdobramentos, como maremotos e ciclones. Podemos unir a este "exército natural", o potencial destruidor de milhões de raios que se precipitam sobre o nosso planeta periodicamente.
Falta à Humanidade, ainda, ações concretas que correspondam diretamente ao conhecimento já acumulado em milênios de experiências empíricas e laboratoriais. Milhares foram os ensaios e erros até que chegássemos aos acertos de sistematização científica. Números astronômicos bem sustentam as endemias e epidemias, resultando em doenças e mortes, quando erramos ao interagir com a Natureza.
O título que utilizamos para este esclarecimento, não condiz efetivamente com o que realmente a Natureza nos oferece. Este retorno negativo e destruidor que estamos colhendo, é fruto de nossa falta de trabalho conjunto e responsável em todas as frentes ao conduzimos os destinos de nosso planeta. A ambição por poder e riquezas, faz com que maus governantes, eleitos pela ignorância e despreparo das populações, quando não ditadores, utilizem-se dos resultados das ciências em benefício próprio.
O que falta ao nosso tempo, são posturas não apenas governamentais, como também individuais, em busca de um convívio pacífico e harmonioso com a Natureza. Se continuarmos a destruindo-a, como temos feito até aqui, estaremos delimitando mais e mais o futuro da espécie humana.
Para que se tenha uma idéia simplificada, nos inseticidas encontramos o produto químico DDT, retorna em câncer, danos ao fígado. Um outro exemplo é o produto químico Benzina, encontrado em solventes, produtos farmacêuticos e detergentes, que retorna à humanidade em dores de cabeça, náusea, perda de coordenação dos músculos e mesmo a leucemia. Alguns tipos de plásticos, por serem impermeáveis ao processo de biodegradação resultante da ação de microorganismos. Esse elemento, o plástico, pela ação do produto químico de sua constituição, denominado Cloro vinil, provoca o câncer do fígado e do pulmão, além de atingir o Sistema Nervoso Central. Os hebicidas, por força do elemento químico Dioxin, provoca também câncer, além de defeitos congênitos e doenças de pele.
Até mesmo elementos como componentes eletrônicos, fluidos hidráulicos e a simples luz fluorescente, devido a ação do PCBs, retorna aos seres em danos à pele e ao sistema gastrintestinal, além de pesquisas atuais apontarem para seus efeitos carcinógenos.
Milhares de pessoas sofrem com dores de cabeça. Outros milhares encontram-se sempre irritados. E tantos estão acometidos de danos no fígado e rins. Todos estes seres, aparentemente desprivilegiados da sorte, parecendo que a doença vem sempre em sua direção, mantém estreito contado com o elemento Chumbo, encontrado em tintas e gasolina. O Chumbo também é um dos grandes vilões de destruição do sistema neurológico humano. Até mesmo a simples telha que está cobrindo a casa de milhares de pessoas, em todo o mundo, se de zinco, pela ação do Cádmio, provoca câncer, além de afetar o fígado e os rins.
Nos cosméticos, ar condicionado e garimpo, encontramos o mercúrio, nocivo ao Sistema Nervoso Central, além de incontáveis prejuízos à saúde humana. Na carne, encontramos a toxina Putrefina, respondendo por significativo percentual de câncer, cefaléias, além da obesidade e desequilíbrios gerais orgânicos. Todos os meus pacientes, ao abandonarem a carne, livram-se de dores de cabeças que os acompanharam por 5, 10 e até 15 anos.
À evolução humana, mister é a utilização das ciências com critério e responsabilidade.
* Educador Físico, Psicanalista Clínico, Especialista em Pesquisa Científica, Ms. e Ph.D.