MALES DO DIA-A-DIA

* M á r i o C a r a b a j a l

Conhecer a origem e como combater alguns males do dia-a-dia das populações, como a febre, bronquite, cefaléias e a insônia, é de fundamental importância.

Iniciemos com a "febre". Esta, na realidade, é um dispositivo de cura. Normalmente é confundida como sendo ela própria a doença. Antes de ser apenas um sintoma, é a reação de elevação da temperatura corpórea, programada na fisiologia humana, para combater seus invasores..

Cientificamente já bem conhecemos o Hipotálamo como centro controlador da temperatura corpórea. As bactérias, vírus e demais microorganismos, nocivos aos seres, têm baixa resistência à temperatura alta. Se tão somente preocuparmo-nos com a diminuição da temperatura, por antitérmicos, estaremos, isto sim, oferecendo as condições ideais para o desenvolvimento das colônias invasoras.

Os nossos avós bem dominavam estes conhecimentos. Tratavam o enfermo (febril), a partir de "escalda-pés" – deixando-o bem abafadinho (coberto) e ofereciam-lhe chás quentes. Auxiliavam assim, as funções fisiológicas de defesa do organismo. A temperatura do enfermo era verificada de trinta em trinta minutos. Chegando a quarenta graus, era oferecido-lhe um bom banho morno e roupas pessoais e de cama, secas e limpas. Esse processo ocorria enquanto perdura-se a febre. Passadas algumas horas, o foco infeccioso era vencido, destruído pelo calor. Toda e qualquer febre, necessita ser mensurada por instrumentos de investigação laboratoriais. Seus agentes devem ser identificados e muito criteriosamente combatidos. Não basta o combate a febre. Um médico deve ser consultado.

Observemos agora as cefaléias. Milhares de pessoas no mundo sofrem com dores de cabeça. Isto, mesmo após a visita a diversos especialistas. Estes pacientes, quando nos consultam, querem encontrar uma origem inconsciente psicossomática ao seu mal. Contudo, antes de adentrarmos no contexto psicológico, nos deparamos hábitos alimentares errôneos. Claro que inconscientes. Mas um inconsciente por falta de conhecimento científico.

Todos estes pacientes são consumidores de carne (gado, ave e peixe). O tabaco e o álcool também geram cefaléias. Na carne encontramos a Putrefina – uma toxina infinitamente nociva à saúde. A dor de cabeça evidencia a intoxicação por quaisquer destas substâncias.

Resumidamente, cito três a casos clínicos. O primeiro, uma empresária, que chegou a submeter-se ao eletro-choque, perdurando o seu sofrimento por longos quinze anos. O segundo, uma antropóloga, que há sete anos não tinha paz e bem estar, devido a dores crônicas de cabeça. O terceiro, uma pedagoga e especialista em saúde pública, que sofrera com fortes dores de cabeça desde a adolescência. Pela psicanálise, não mais foram acometidas pelas crises. Abandonaram a carne, substituindo a fonte de proteínas por amêndoas - castanhas e nozes. O Omega 3 (dos peixes) encontraram no espinafre. Conscientizaram-se também quanto a necessidade de uma maior absorção de líquidos durante o dia.

O organismo, e nele o cérebro, necessita de oxigênio para bem funcionar e mesmo viver. Na carência e eminência de falta de oxigênio, a fisiologia humana responde com cefaléias. Assim, nas cefaléias, é evidenciamos baixa da oxigenação cerebral. Imediata é a necessidade de sua reposição. A água e a respiração são as principais fontes de oxigênio.

Raramente encontraremos cefaléias no seguinte perfil de conduta: - não fuma e não ingere bebida alcoólica; não se alimenta a base de carnes; pratica exercícios físicos; tem bons hábitos alimentares, a base de cereais, frutas, legumes e verduras; ingere dois litros de líquidos diários; trabalha equilibradamente com intervalos regulares para laser e descanso; planeja a vida econômica, metas e objetivos.

O ambiente inadequado sustenta muitas doenças, como bronquite, asma e alergias. Algumas destas "doenças" podem encontrar expansão no uso de ar condicionado, ventiladores e higiene pessoal e ambiental. Um simples ventilador direcionado para uma criança, poderá gerar crises de tosse e mal estar, cujo diagnóstico, erroneamente, confundir-se-á com bronquite.

Passemos à insônia: - trata-se de um reflexo comportamental provocado pelos costumes e modus vivendi dos seres. A insônia evidencia encontrar-se o ser em uma freqüência cíclica cerebral acima de sete ciclos por segundo. Assim, fatores inconscientes do dia-a-dia, ou do passado, e mesmo de expectativas futuras, mantém os insônemes em um estado alterado da condição elementar e ideal ao sono. Também hábitos alimentares indevidos interferem diretamente na química do sono. Além dos efeitos colaterais, pelos princípios ativos de medicações. O conflito entre o relógio biológico natural próprio do indivíduo e as exigências à subsistência advinda dos meios externos, respondem por grande parte das insônias.

Trabalhar clinica e terapeuticamente à estabilização da saúde, significa dizer, aprofundar-se no histórico de vida do ser, sugerindo mudanças a partir do aflorar à consciência, dos fatores inconscientes que atuam ao desequilíbrio.

Mudar a fisiologia do sono, por exemplo, sem que se nos proponhamos em mudanças de hábitos alimentares e comportamentais, diverge ao objetivo. Como se quiséssemos mudanças sociais sem a troca dos políticos que por elas respondem.

As mudanças interiores só ocorrem à medida que nos propomos modificar nossa relação com os meios externos. Toda a doença se nos ocorre quando nossos hábitos, conceitos e realidades, conflitam com a psiconeurofisiologia humana de integração com a natureza.

Mudanças só se efetivam ao confrontarmos nossos mais sublimes ideais às realidades em que nos encontramos inseridos, redimensionando posturas e hábitos, com um conseqüente redirecionar de ações.

Toda doença tem uma origem, plausível de ser detectada e seus efeitos minimizados.

*Educador Físico. Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica. Professor. Ms e Ph.D. em Psicanálise Clínica com especialização em Psicossomatologia e Tese em Psiconeurofisiologia.