ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

SISTEMA DE GOVERNO
PÚBLICO CIENTÍFICO


Mário Carabajal*

"...estado perfeito, em que a ética, a virtude e a razão
encontrem-se em equilíbrio..." (Platão 'A República').

São inequívocos e irrefutáveis os erros, contradições, injustiças e desvios dos sistemas que se propõem à administração pública ainda nos anos iniciais do III Milênio. De seus formatos à aplicação dos recursos públicos resultam em Estados incapazes de suprirem a crescente demanda por alimentos, bens e serviços, sem apontar-se aos fatores emocionais, decorrentes de climas organizacionais mundiais em franco declínio.

Improvável o Estado encontrar respostas aos problemas internos e de relações externas em seres e meios desprovidos dos conhecimentos necessários a estes fins.

Corrupção, improbidade administrativa, ineficácia, criminalidade e constantes conflitos de interesses, são resultados de uma falha crucial dos sistemas político-administrativos públicos dos governos presidencialistas, imperialistas e ditatoriais. Independentemente se democráticos, socialistas ou monárquicos em suas bases de organização, aponta-se ao não ordenamento das ciências às tomadas de decisões do executivo como a grande lacuna, que se preenchida, completará a gestão pública, provendo-a de um projeto amplo e integrado, só possível se otimizadas as ciências.

A História Humana civilizadora aponta às ciências como o meio seguro e transparente à oferta de respostas aos problemas sociais, econômicos e de exploração racional e equilibrada dos potenciais hídricos, minerais e vegetais. Logo, às ciências deve-se também confiar os desígnios de condução Político-administrativa das Nações.

A ciência é o resultado da busca humana sob a máxima da verdade. Logo, é um patrimônio público universal. Seus resultados devem ser socializados, ultrapassando as barreiras constituídas em fronteiras e divisas geográficas de interesses especulativos. Servindo, isto sim, como objeto das metas a serem perseguidas e conquistadas pelos governos. Como exemplo, a fome mundial, que ultrapassa, nos anos 2000, o contingente de 1 bilhão de pessoas, já encontrando nas ciências, hipóteses avançadas a sua reversão e mesmo erradicação. Contudo, por não haverem elos de obrigatoriedade, via judicial, nas esferas nacionais e internacionais, ao aproveitamento sistêmico das observações e avanços científicos, optam os governos por administrações tímidas, fundadas em limites pessoais, sem contextualização núcleo-científica embasatória à condução das células, representadas em países, estados ou municípios, constitutivos do Planeta. Também timidamente a ONU - Organização das Nações Unidas, tem considerado os resultados científicos como parâmetros à adoção de diretrizes pelos Estados Membros.

Se cientificamente é irrefutável que o agrônomo é o profissional habilitado para melhor orientar à cultura dos solos, entende-se que um colegiado, em níveis crescentes de pesquisas, em suas respectivas áreas, são os profissionais habilitados à condução das políticas públicas às assertivas implementatórias mais ajustadas à correta e ideal consecução operacional. Como aos cientistas em Colegiados Nacionais de economia, saúde, direito e administração e demais ciências, apontar onde e como melhor aplicar os recursos públicos, com probidade e segurança, abandonando-se os frágeis, viciados e limitados modelos políticos de administrações públicas instaladas ao redor do Mundo. Onde homens, com alguns assessores, de duvidosas capacitações, juntamente com Ministros, por laços de amizade e interesses, decidem sobre a vida e os destinos públicos, sem nenhum comprometimento com a verdade perseguida nas ciências. Não obstante, ocorrendo o mesmo nos demais segmentos da organização social.

Se ao contrário, não haveria motivos para preocupações quando da troca de governos em quaisquer níveis das esferas Nacionais. Pois, sob a máxima de uma Administração Pública Científica, os aguardaria uma cuidadosa e sistêmica lista de prioridades bem definidas pelas ciências, quando certamente contemplar-se-ia a erradicação da fome; hospitais, escolas e universidades com pessoal, meios e recursos as suas altas finalidades; maiores disponibilidades em financiamentos à implementação de projetos empresariais, industriais e de pesquisas; substituição das favelas por condomínios, com amplas ofertas de cursos, orientações, financiamentos e acompanhamentos de novos empreendimentos.   

Toda e qualquer decisão do executivo, sob essa nova ordem administrativa, se fará fundamentada em caminhos cientificamente testados, eliminados os ensaios e erros político-partidários, onde por interesses pessoais e não públicos, decidem, à margem das reais necessidades dos países e de suas populações, os fins do capital nacional.

Em algum momento, próximo, da história humana, em um novo Sistema de Governo Público Científico minimizar-se-á as distâncias entre os seres, por força de seus interesses coletivos delimitados e identificados pelas ciências. Elegendo-se os resultados de comprovações científicas, na voz de Grandes Conselhos Nacionais, respectivos a cada segmento de pesquisa, reunidos para fins objetivos e específicos em busca de alternativas à resolução dos Problemas Nacionais e Internacionais, a exemplo da Organização Mundial de Saúde, como caminho seguro, humano e ideal. Isto, a partir da confrontação científica, sob pressupostos e embasamentos de comprovadas forças assertivas, abandonando-se a especulação partidária nos moldes que se encontram, de lacunas indesejáveis à construção de uma sociedade que almeja representatividade em expoentes máximos de verdade. Encontrando-se a verdade, nesses níveis de exigências, somente nas ciências, as quais, devem evoluir em expansão, ultrapassar os campos universitários e firmarem-se também em defesas de propostas aos cargos públicos eletivos, nos meios partidários, sob rigorosos métodos científicos. Ainda, às demais esferas segmentares da organização social.

Somente através da total organização das classes e segmentos constitutivos das Nações, sob bases científicas de resultados, se materializará os sonhos e ideais de Estados Humanos, por força dos laços, primeiramente fraternos entre seus povos, refletindo-se nos Estados, como elos seguros de relações e interesses multinacionais. Elegendo-se como base à união internacional, a busca de soluções aos problemas sócio-existenciais de maiores significados, como a miséria e a fome, que resultam na morte diária de 25 mil pessoas no Mundo. Só assim, pelo redirecionamento dos interesses do Estado às causas Humanas de necessidades prioritárias, serão conquistadas e justificadas as altas finalidades da organização sócio-governamental.

*Cientista Social. Escritor. Professor. Jornalista. Psicanalista. Mestre em Relações Internacionais. Doutor em Psicanálise Clínica. Doutorando em Ciências Educacionais. Presidente da ALB (carbajal@technet.com.br).