XVIII SEMANA FARROUPILHA DE RORAIMA (Parte II)

Mário Carabajal*

Na revolução Farroupilha (1935/45), os guerreiros gaúchos, sem roupas, munições e famintos, lançavam mãos de sacos de estopas para faze-los de vestes. Andavam aos farrapos. Suas botas, não passavam de uma sola de couro com amarras nas pernas (garrão de potro). Na cabeça, uma vincha, impedia que o suor chegasse aos olhos, e um lenço amarrado ao pescoço, tinha toda utilidade, servindo desde filtro, até o torniquete, frente a ferimentos. Assim, lutavam os gaúchos pela independência do Rio Grande do Sul, já que o governo central insistia em taxar o charque com percentuais superiores ao das importações, inviabilizando a base da economia de mercados riograndense que se faziam sob as criações de gado.

Motivados pela necessidade imediata econômica e de equilíbrio interno da balança comercial de criações animais, os gaúchos lutaram por dez longos anos (35/45), com facões, boleadeiras e armas de caça, contra os exércitos do governo central. Em verdade, os grandes criadores lançavam à revolução os peões, desprovidos de toda sorte. Um grande acordo, com concessões ofertados por Caxias aos Farrapos, marca o fim da Revolução. O equilíbrio de mercados e a paz voltam a reinar nos Pampas gaúchos. Milhares morreram (em sua maioria peões – muitos, escravos africanos). A estes, os CTG’s, em todo o Brasil e Mundo, rendem suas homenagens em 20 de Setembro.

Histórias que marcaram...

Em 1986, quando eu, Murat e o Clemente Sokolowicz, constatarmos que o governador da época mandara colocar três fios de arame fechando o portão do CTG... passamos na oficina do Vicente Sokolowicz, perto da rotatória do Ibama, onde conseguimos um alicate, dirigindo-nos até o portão e, contrariando a ordem do Governador, cada um cortou um dos fios. Nesta noite, Murat tirou do próprio bolso alguns trocados e autorizou o então pedreiro e posteriormente Senador João França, a dar início a uma casa de apoio e não mais paramos, até passarmos a Patronagem (Presidência) para o grande materializador do CTG, Luiz Afonso Faccio.

Mas e até que se consolidasse o CTG... Bem, aí entrava o Flavio Rosa. O Flávio?

Sim, era ele quem comandava por onde a serenata passava perpetuando a tradição. O Mariano e seu violão traziam a emoção do pago até este rincão. O Sartor, com sua cancha de bocha e osso (de barro), em seu pátio, manteve altivo, junto com o Nativo, nossa tradição, até que essa ganhasse vida na sede do CTG. Não poderíamos esquecer o nome da jovem Mônica Albuquerque, Filha do gaiteiro Ramos, responsável pelas aulas de dança das prendas da invernada Sinuelo. Também, do gaudério Cuzer Machado, presidente do Conselho Fiscal da patronagem Murat.

Anísio Fernandes; Leocádio Vasconcelos e Gauchi (da invernada Sinuelo), não são gaúchos, mas suas contribuições, fizeram e fazem a diferença na história do CTG.

Em livro próprio, estamos escrevendo a História da Colonização Gaúcha em Roraima.
Participe. Escreva-nos: carbajal@technet.com.br

 

*Professor. Jornalista e Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica. Ph.D. Presidente da Academia de Letras do Brasil.