ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL
Vânia Moreira Diniz aprendeu desde os sete anos de idade, orientada pelo avô, também escritor, que a literatura bem como as artes são o grande estandarte para que se possa ao menos lutar por um mundo melhor, combatendo a violência, estimulando o amor universal e nada mais rico do que a palavra que sustenta a comunicação entre os povos sejam quais forem suas origens, preferências ou condições biológicas.
"... no meu modo de entender precisamos alertar sem esquecer a ternura. Por isso é importante a poesia em todos os níveis nesse mento universal tão conturbado" Vânia Moreira Diniz.
Procuramos a paz
Vânia Moreira Diniz*
Acho que levantei hoje procurando a paz. Parece até uma ironia! Falarmos
em paz quando o mundo todo sofre com ameaças de guerras. Ameaça de milhões
de pessoas que serão feridas e mortas e a devastação para pessoas que
perderão seus entes queridos. Consultei meu coração encontrando um
desassossego e fiz minha prece interior com pensamentos positivos,
clamando que os detentores do poder sejam mais coerentes e mais humanos.Não se pode ter paz quando se sabe que milhões de pessoas que já estão
passando fome aumentarão a sua miséria em decorrência dessa violência
legal. Pior que a outra forma de atrocidade, porque baseada numa
pseudolegalidade.Sei que os "entendidos" dão suas razões que podem ser até coerentes, mas
para mim não há coerência que sobrepuje os efeitos negativos da
brutalidade humana. Com meu raciocínio leigo, não admito que pessoas
saudáveis que poderiam ter sua vida delineada útil e produtiva, jovens
que irão lutar contra outros jovens se houver a decretação dessa guerra
morrerão ou poderão ficar inutilizados. Isso para mim significa ceifar as
vidas que mal começaram, abusar de seu poder de autoridade e decisão e
presenciar cônscios de que estão fazendo o "melhor", a desgraça de
milhões de seres humanos.Abri os olhos com a sensação da inutilidade de nossos desejos, pedidos,
anseios e com a certeza que o poder é capaz de tudo para que se sinta
confortável , donos absolutos das suas próprias verdades. Isso me
entristeceu porque não há coisa pior do que se sentir enfraquecido diante
de alguém mais forte, que é capaz de decidir a vida alheia.Essa dor pode ocorrer em muitas oportunidades até quando as pessoas são
violentadas porque qualquer tipo de ação e se há coisa pior que até que
a miséria , é essa truculência que é capaz de através da força machucar
pessoas que estão submetidas ao seu poder. E o que é a guerra mais do
que isso? É certo, são alegadas causas nobres, brilhantes motivos dignos
e sublimes, mas não acho que nada justifique o horror e as
conseqüências de pessoas se matando deliberadamente..Não há meio mais rico e precioso que o dom da palavra , fazendo com que
as pessoas possam se entender, harmonizarem, ouvirem-se mutuamente
porque senão teríamos que voltar aos tempos rudes em que se resolvia
tudo pela forçaLevantei-me querendo cantar uma canção romântica, ser inspirada para os
meus poemas ou textos, que me dão uma sensação de plenitude, pensando
no amor instalado em meu coração e que fazia ecos em minha alma. Mas
não me senti feliz sabendo que apesar de tantos pedaços bonitos, a vida
impunha o sofrimento de estarmos sempre ameaçados por guerras insanas.E nessa violência que se encontra a humanidade em que a mídia enfatiza
o nome dos assaltantes e bandidos como Fernandinho Beira-mar, enquanto
as pessoas dignas e ficam do outro lado da vida, pensamos o que um
adolescente vai pensar, quando tudo para se falar de um bandido que se
tornou famoso.Não sou dona da verdade, mas na minha opinião essas notícias deviam ser
dadas apenas para confirmar sua prisão ou punição, não deixando que se
torne uma manchete fascinante a tentar a cabecinha imaginária das
crianças.Estou procurando a paz, a despeito de tantas coisas que nesses últimos
tempos magoam o coração que tem direito de ansiar por um mundo justo,
solidário, compreensivo e equilibrado.Preciso da paz, queremos a paz!
*Escritora Membro da Academia de Letras do Brasil.
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Comentário do professor doutor Mário Carabajal*
Nossa! Que interior belíssimo é o seu, notável Imortal Vânia Moreira Diniz. Elogiar sua sensibilidade e eloqüência seria redundância. Sua escrita Vânia, é uma escrita a qual reconheço como "Escrita Ativa, Participativa, Responsável e Comprometida, por esta razão, Imortal".
Mas saiba que mesmo em uma manhã como esta, falando de problemas humanos e internacionais complexos, sua sensibilidade, pureza e poesia, desejo e paixão, encontram-se presentes na escrita.
"Levantei-me querendo cantar uma canção romântica, ser inspirada para os meus poemas ou textos, que me dão uma sensação de plenitude, pensando no amor instalado em meu coração e que fazia ecos em minha alma. Mas não me senti feliz sabendo que apesar de tantos pedaços bonitos, a vida impunha o sofrimento de estarmos sempre ameaçados por guerras insanas".
Inequivocamente o seu pensamento em outros trechos tratam de assertivas irrefutáveis, como o destaque e valorização de valores negativos enquanto exemplos.
Tenho dedicado atenção especial a assuntos como este. A contra-educação é forte e operante. Enquanto pais e professores, solitariamente, esforçam-se para oferecer bons valores aos filhos, a contra-educação chega através de músicas, jornais e mesmo através de alguns país e professores. Em letras de músicas encontramos absurdos como "...morrendo com uma corda no pescoço..." (algo assim) do cantor Amado Batista que, em passado próximo, levou um rapaz ao enforcamento. Eu fui analista da família. Não podiam ouvir esse cantor. O rapaz no dia do suicídio, passou a manhã ouvindo e repetindo esta letra psicossugestiva que o conduziu a morte.
Muitos pais, fumam e bebem frente aos filhos, e até mesmo os insentivam a estas práticas. Isto também ocorre nas escolas, hospitais... Lembro que em dado momento um juíz ao palestrar sobre drogas, em um intervalo, acendeu um cigarro (como você se refere às guerras) "pseudolegais".
Outro cantor pede ao garçon para que o deite no chão se dormir à mesa, embreagado. Dessa forma, aponta e elege a mesa de bar para a resolução de problemas emocionais complexos.
Dois jovens cantores com forte poder psicossugestivo sobre seus fãns, também gritam fazendo-se ouvir nos mais remotos lugares em nosso país e creio que também em toda a América Latina... dizem algo como: "...é de latinha na mão..."
E assim caminha a "pseudocultura" brasileira e universal, fazendo adéptos e destruindo vidas.
A guerra, bem... é um livro de páginas intermináveis e conseqüências que repercutem sobre todos nós. Sobretudo, refletem-se na desordem interna dos países, fracassos dos sistemas de saúde, educação e produtividades, miséria e fome populacionais. A desespenrança, descredibilidade e desespero assumem como normalidades as diretrizes conducionais dos seres e das sociedades quando sob o paradigma da querra. E dizer que em grande maioria são desencadeadas tão somente como reflexo de instabilidades internas do líder, que, sob pressão, motivado em problemas pessoais, deflagra guerras em busca equevalências, inconscientes, que o estabilizem. Lembro sempre de Bill Clínton quando presidente dos Estados Unidos. Ao sofrer as ameaças de Mônica Lewisck (estagiária com quem teve caso amoroso dentro da Casa Branca), repercutindo em pressões do Congresso americano com possibilidades do impedimento do mandato presidencial, o então Presidente, passou simplesmente a ordenar sucessivos ataques e bombardeios ao Golfo. Bastava a mídia internacional noticiar o aumento da pressão sobre Clínton para, em momento imediato, notadamente, observarmos novo ordenamento de bombardeio ao Golfo.
Perdo-me, gostei tanto de seu texto que acabei motivando-me à escrita.
Encaminhei o belíssimo artigo para publicação no site de nossa Academia de Letras do Brasil.
Um forte, eterno e Imortal abraço!
Prof. Dr. Mário Carabajal - Ph.D.
ALB/Presidência
*Professor universitário e de pós-graduação. Ph.D. Psicanalista. Jornalista, Presidente da ALB e Mestre em Relações Internacionais (analista internacional).