POLÍTICA: ELOS HERDADOS

Mário Carabajal*

A herança política é uma realidade. Neudo campos não só herdou os privilégios de Ottomar como governador, quanto responde por crimes deflagrados por governos anteriores ao seu. A roubalheira em Roraima não teve início no governo Neudo. Isto é uma assertiva irrefutável. Ottomar ofereceu Neudo à população roraimense e o serviu simultaneamente à justiça.

Não fosse Ottomar, ninguém votaria e nem mesmo conheceria politicamente Neudo Campos. Este não tinha expressão política. Era um candidato de 300 a 1000 votos. Um bem sucedido empresário do ramo imobiliário. Evandro Moreira, irmão de Marluce, cunhado de Ottomar, em nosso ver, foi o principal responsável por Neudo chegar ao governo. Ele fez o grande elo entre Neudo e Ottomar.

A população roraimense, não se propunha a mudanças. Só existiam os Jucás e Ottomar (como até hoje). Os poucos candidatos que os enfrentaram, expuseram-se como heróis, sem reconhecimento e retorno algum por parte da população. Até mesmo o Dr. César Dias, após uma carreira política de ascensão relâmpago, após sagrar-se vereador e imediatamente senador, colocou seu nome à população como candidato a governador, sendo praticamente queimado vivo. Nunca mais elegeu-se a nada. Neste mesmo universo, surge-nos Neudo Campos. Contudo, servido por Ottomar. Fiéis ao governador, todos os seus escudeiros passam a render devoção ao seu sucessor. Como, por exemplo o José Maria Carneiro, que ocupou diversos cargos no governo Neudo.

Flamarion, aparece no contexto político da mesma forma como surgira Neudo. Do nada, ou melhor, da amizade com a "realeza". E assim vão formando-se os elos. Mais uma vez, os fiéis de Ottomar, agora de Neudo, são repassados à Flamarion, e lá, José Maria Carneiro, profissional, subsistindo nesse lamaçal, assume alguns cargos no governo Flamarion.

Nessa sucessão de elos políticos herdados, repentinamente completa-se um ciclo, e Ottomar retorna a white house, e simplesmente resolve desconsiderar toda a trajetória de seus fiéis súditos, que obrigaram-se, por força de sobrevivência, a engulirem o seu candidato. Neudo não teria existido politicamente não fosse o próprio Ottomar. Logo, também Flamarion não teria chegado ao poder. E José Maria? Foi demitido. Foi julgado pelo grão-rei por sua fidelidade aos elos criados, alimentados e servidos à população por ele próprio.

Centenas de companheiros de Ottomar, que tiveram suas vidas profissionais ligadas a Neudo, por força do deliberado arranjo político de faze-lo governador, hoje são vítimas da trajetória político-profissional que se lhes foi imposta e as suas famílias. Como se um projétil tivesse responsabilidade por seu curso, desconsiderando-se totalmente quem o disparou. Ottomar serviu Neudo a Roraima. Neudo serviu Flamarion. E assim os elos têm sido herdados.

Pouco ou nenhum alimento têm chegado a mesa do roraimense sem que este seja servido por alguém. Da mesma forma na política. O discernimento e politização é quase inexistente.

A verdade nua e crua, é que Roraima ainda não tem um só político. Continuam, Ottomar no governo, Jucá (anos a fio como senador) agora Ministro, e Tereza na prefeitura. Roraima é isso! Tente imaginar quem será o próximo governador desse povo ainda sem identidade política; - que como pobres vagabundas, pedem e pedem aos políticos, para só então darem seus vendidos votos.

ALÔOH! TEM ALGUM BOM RORAIMENSE EM RORAIMA, COM ÉTICA, QUE SEJA HONESTO E COMPETENTE, E ACEITE SER GOVERNADOR?

*Professor. Psicanalista e Jornalista. Especialista em Pesquisa Científica. Ms. e Ph.D. Presidente da ALB.