Mário Carabajal*
Será inconsciente, negligência ou cumplicidade a participação da justiça na crescente marginalização dos processos eleitorais em todo o Mundo... Essa permissibilidade de corruptos poderem se candidatar, será inconsciente ou, estamos frente a um crime maior, de indiferença, logo, cumplicidade com o estágio medíocre de eleição de representantes populares.
Os eleitores são obrigados a engolir a eleição de marginais publicamente reconhecidos. Se obriga respeitar. Mas por quê, se somos sabedores de seus crimes públicos... Isto só ocorre, porque estes inconscientes e mal criados cidadãos, aproveitadores e usurpadores da ordem social, contam com o aval do estágio fútil e pilatiano da Justiça Eleitoral. A seleção prévia que deveria se fazer primeiramente pela Justiça Eleitoral, não ocorre. Fica a população, com a sujeira toda nas mãos. Assim, confundem-se ou melhor, por necessidades pessoais, como o pão ou o gás de cozinha, uma luz ou água, por imperiosidade, votam em marginais que furtam em grandes escalas, oferecendo-lhes migalhas, que para o cidadão necessitado, é seu tudo momentâneo.
Mas como mudar tudo isto... Antes, necessitamos de consciência política, e isto não se adquire tão facilmente. Existe todo um histórico de dependência dos seres, o qual não modifica com o esclarecimento ou a palavra. É preciso a experimentação, e esta não está disponível aos olhos distantes dos eleitores. Para as populações e mesmo para muitos que pensam ser esclarecidos, bons projetos são apenas utopia, sem força implementatória.
A Justiça Eleitoral haverá de evoluir, facilitando aos eleitores uma escolha mais apurada, menos sujeita àqueles que já estão viciados em saquear o dinheiro público, que as custas de muito sacrifício é reunido para investimentos e infraestrutura, saúde, educação e políticas alimentares. E não para seus enriquecimentos, ilícitos.
Mas nem só de corruptos fazem-se os nossos problemas. Temos políticos inconseqüentes que vão para a televisão defender a bebida alcoólica, responsável direta por crimes de espancamentos de mulheres e crianças, motoristas embreagados, perda de emprego, milhares de mortes por acidentes automobilísticos, esfaqueamentos, doenças como cirrose... contidos por trás do uso da bebida alcoólica.
Quem, em sua opinião, são os maiores responsáveis pelo resultado das eleições, sempre trazendo, meio aos eleitos, pessoas sem princípios, caráter, que aproveitam o cargo ou função para assaltar os cofres públicos ou utilizam mal o mandato que recebem...
Precisamos que, mesmo lentamente, se promovam evoluções do processo eleitoral. Necessitamos que a Justiça Eleitoral assuma maior responsabilidade com o processo de seleção de candidatos, alijando da concorrência, pessoas como Neudo Campos, Paulo Maluf, Messias de Jesus, Jalser Renier, entre tantos outros que estão aí, respondendo por imensos desvios financeiros públicos e formação de quadrilha... Estas próprias pessoas deveriam envergonharem-se e afastarem-se da política. O objetivo político, não é para o auto-enriquecimento. Mas, isto sim, encontrar soluções aos problemas coletivos das populações, cuidando de sua evolução conjunta e ampliação das possibilidades e acessos ao emprego, produções, moradia, transportes, lazer, cultura, tecnologias, saúde, educação e alimentos, .
Estes cidadãos, antes de serem candidatos, deveriam passar por cursos obrigatórios. E isto deveria ser exigência da Justiça Eleitoral. Suas vidas e finanças serem mapeadas e acompanhadas.
* Professor doutor. Presidente da Academia de Letras do Brasil. Estudante de
Especialização em Controle da Gestão Pública/Ufsc.
Aluno de Ms. e doutorado em Relações Internacionais/Uaa..