DICIONÁRIO CARABAJAL DE PSICANÁLISE CLÍNICA
Principais termos utilizados em Psicanálise

Publicação: 2001. Editora, ALB - Boa Vista, Roraima.

 

ABORRECIMENTO

Sensação de perda, impotência, descontentamento, pesar, derrota, leve depressão, falta de ânimo e de motivação. (MC).

AB-REAÇÃO

É muito comum ouvir-se falar em ab-reação, quando se falando de psicanálise clínica, mas, o que significa? Trata-se de uma descarga emocional pela qual um indivíduo se liberta do afecto * ligado à recordação de um acontecimento traumático, permitindo-lhe assim não se tornar ou não continuar patogênico. A ab-reacção, que pode ser provocada no decorrer da psicoterapia, nomeadamente sob hipnose, e produzir então um efeito de "catarse" *, pode também surgir de modo espontâneo, separada do traumatismo inicial por um intervalo mais ou menos longo. Também, fala-se muito em "abstinência" sendo este, um princípio segundo o qual, o tratamento analítico deve ser conduzido de tal modo que o paciente encontre o menos possível de satisfações substitutivas para os seus sintomas. Implica para o analista a regra de se recusar a satisfazer os pedidos do paciente e a desempenhar efetivamente os papéis que este tende a impor-lhe. O Princípio de abstinência pode, em certos casos e em certos momentos do tratamento, especificar-se em indicações relativas a comportamentos repetitivos do indivíduo que dificultam o trabalho de rememoração e de elaboração.

AÇÃO ESPECÍFICA

Freud em alguns dos seus primeiros escritos designou como "ação específica" o conjunto do processo necessário à resolução da tensão interna criada pela necessidade: intervenção externa adequada e conjunto das reacções pré-formadas do organismo que permitem a realização do acto. Já as acções que apresentam, a maior parte das vezes, um caráter impulsivo, rompendo relativamente com os sistemas de motivação habituais do indivíduo, relativamente isolável no decurso das suas actividades, e que toma muitas vezes uma forma auto - ou hétero-agressiva, denominamos "acting out"- de onde vê o psicanalista, a marca da emergência do recalcado. Quando aparece no decorrer de uma análise (quer seja na sessão, quer fora dela), o acting out tem de ser compreendido na sua conexão com a transferência, e freqüentemente como uma tentativa para desconhecer radicalmente. Pela análise didática, que se destina à psicanalistas formação, base e princípio de análise com psicanalista didata constituindo o elemento fundamental da sua formação, os acadêmicos aproximam-se dos conhecimentos que norteiam a psicanálise.

ACTIVO-PASSIVO

Um dos pares de conceitos opostos fundamentais na vida psíquica. Especifica ele tipos determinados de alvos * pulsionais. Considerada de um ponto de vista genético, a oposição activo-passivo seria primacial relativamente às oposições ulteriores em que vem integrar-se; fálico-castrado e masculino-feminino.

ACTO FALHADO ou FALHO

Acto em que o resultado explicitamente visado não é atingido, antes se acha substituído por outro. Fala-se de actos falhados, não para designar o conjunto das falhas da palavra, da memória e da acção, mas para os comportamentos em que o indivíduo é habitualmente capaz de obter êxito, e cujo fracasso é tentado a atribuir apenas à sua falta de atenção ou ao acaso. Freud demonstrou que os actos falhados eram, tal como os sintomas, formações de compromisso * entre a intenção consciente do indivíduo e o recalcado.

AFÂNISE

Termo introduzido por e. Jones: desaparecimento do desejo sexual. Segundo este autor, a afânise seria, nos dois sexos, objecto de um temor mais fundamental que o temor de castração.

AFETIVIDADE

Apego emocional a outrem (MC)..

AFETO

Termo que a psicanálise foi buscar à terminologia psicológica alemã e que exprime qualquer estado afectivo, penoso ou agradável, vago ou qualificado, quer se apresente sob a forma de uma descarga maciça, quer como tonalidade geral. Segundo Freud, toda a pulsão se exprime nos dois registros do afeto e da representação. O afecto é a expressão qualitativa da quantidade de energia pulsional e das suas variações.

AFLIÇÃO

 

AGIR

Segundo Freud, facto pelo qual o indivíduo, sob a influência dos seus desejos e fantasmas (fantasias) inconscientes, os vive no presente com um sentimento de actualidade tanto mais vivo quanto lhes desconhece a origem e o carácter repetitivo.

AGRESSIVIDADE

Tendência ou conjunto de tendências que se actualizam em comportamentos reais ou fantasmáticos, estes visando prejudicar outrem, destruí-lo, constrangê-lo, humilhá-lo, etc. A agressão conhece outras modalidades além da acção motora violenta e destruidora; não existe qualquer comportamento, quer negativo (recusa de auxílio, por exemplo"quer positivo, simbólico (ironia, por exemplo) ou efectivamente actuado, que não possa funcionar como agressão. A psicanálise atribuiu uma importância crescente à agressividade, mostrando-a a operar desde cedo no desenvolvimento do indivíduo e sublinhando o mecanismo complexo da sua fusão e da sua desfusão com a sexualidade. Esta evolução das idéias culmina com a tentativa de procurar na agressividade um substrato pulsional único e fundamental na noção de pulsão de morte. (MC).

ALEGRIA

Manifestação de bem estar. Expressão de satisfação, realização, vitória, surpresa agradável (MC).

ALO-EROTISMO

Termo às vezes utilizado por oposição a auto-erotismo: actividade sexual que encontra a sua satisfação graças a um objeto exterior.

ALTERAÇÃO DO EGO

Conjunto das limitações e das atitudes anacrônicas adquiridas pelo ego no decurso das fases do conflito defensivo, e que repercutem desfavoravelmente nas suas possibilidades de adaptação.

ALVO ou META ( - PULSIONAL)

Actividade a que a pulsão impele, o que leva a uma resolução da tensão interna: esta actividade é sustentada e orientada por fantasmas ( fantasias).

AMBIVALÊNCIA

Presença simultânea, na relação com um mesmo objeto, de tendências, de atitudes e de sentimentos opostos, por excelência o amor e o ódio.

AMBIVALENTE, PRÉ-AMBIVALENTE, PÓS-AMBIVALENTE

Termo introduzido por K. Abraham: qualificam, do ponto de vista de relação com o objeto, a evolução das fases libidinais. A fase oral no seu primeiro estádio (sucção) seria pré-ambivalente; a ambivalência apareceria no segundo estádio (mordedora"para culminar na fase anal, continuar na fase fálica e só desaparecer depois da fase de latência, com instauração do amor de objeto genital.

AMNÉSIA INFANTIL

Amnésia que geralmente cobre os factos dos primeiros anos de vida. Freud vê nela algo diferente do efeito de uma incapacidade funcional que a criança teria de registrar as suas impressões; ela resulta do recalcamento que incide na sexualidade infantil e se estende à quase totalidade dos acontecimentos da infância. O campo abrangido pela amnésia infantil encontraria o seu limite temporal no declínio do complexo de Édipo e entrada no período de latência.

AMIZADE

Entrelaçamento emocional fundamentado na confiança, respeito e admiração. Varia em intensidade. (MC).

AMOR

Sentimento de profundo bem querer manifesto pelos seres. Varia em intensidade e fins. Amor de mãe; amor de filho; amor de pai; amor de irmão; amor de tio; amor de avós; amor de primos; amor de sogros; amor de cunhados; amor de parentes distantes; amor de amigo; amor de namorados; amor de casais; amor de amantes. Amor ao próximo. Amor a causas humanas e socias; amor à organizações e buscas pessoais; amor a arte; amor a cultura; amor aos estudos; amor à pesquisa; amor ao trabalho; amor à vida (MC).

ANACLÍTICA (DEPRESSÃO)

Expressão criada por René Spitz: perturbações que evocam clinicamente as da depressão no adulto e que aparecem progressivamente na criança privada da mãe depois de ter tido com ela, pelo menos durante os seis primeiros meses de vida, uma relação normal.

ANACLÍTICO

Apoio e Escolha anaclítica de objecto.

ANAGÓGICA (INTERPRETAÇÃO)

Expressão usada por Silberer: modo de interpretação das formações simbólicas (mitos, sonhos, etc.), que explicitaria a sua significação moral universal. Visto que orienta o símbolo para "ideais elevados", opor-se-ia assim à interpretação analítica, que reduziria os símbolos ao seu conteúdo particular e sexual.

ANÁLISE DIRECTA

Método de psicoterapia analítica das psicoses preconizado por J.N. Rosen. Vai buscar o seu nome à utilização de "interpretações directas" fornecidas aos pacientes e que se caracterizam do seguinte modo:
a) Incidem sobre conteúdos inconscientes que o indivíduo exprime verbalmente ou não (mímica, posição, gestos, comportamento);
b) Não exigem a análise das resistências;
c) Não recorrem necessariamente à mediação de encadeamentos associativos.
Este método compreende além disto uma série de processos técnicos destinados a estabelecer uma estreita relação afectiva, do "inconsciente ao consciente", na qual o terapeuta "se deve tornar para o paciente a figura maternal que dá e protege constantemente".

ANGÚSTIA

Incapacidade frente ao desrespeito. Impotência frente a compromissos, metas e situções. Desconhecimento e falta de domínio sobre meios e fins onde o ser encontra-se contextualizado. Sensação de perda. Indefinição, descontentamento.(MC).

ANGÚSTIA AUTOMÁTICA

Reacção do indivíduo sempre que se encontra numa situação traumática, isto é, submetido a um afluxo de excitações, de origem externa ou interna, que é incapaz de dominar. A angústia automática opõe-se para Freud ao sinal de angústia.

ANGÚSTIA (ANTE UM PERIGO) REAL

Termo (realangst) utilizado por Freud no quadro da sua segunda teoria da angústia: angústia perante um perigo exterior que constitui para o indivíduo uma ameaça real.

ANSIEDADE

Elevação da freqüência média de forma generalizada de todo processo metabólico orgânico. Manifesta-se nos seres por ocasião de situações a serem confrontadas para as quais acreditam não estarem preparados. Ainda, que represente elo identificado pelo ser como importanteos à construção de seus ideais. Também, grande espectativa sobre um acontecimento previsto. Outrossim, reação psicossomática motivada por fatores emocionais. (MC).

ANTIPATIA

Identificação consciente ou inconsciente de semelhança entre o ser antipatizado e um agressor do passado.(MC).

ANULAÇÃO (RETROACTIVA)

Mecanismo psicológico pelo qual o indivíduo se esforça por fazer com que pensamentos, palavras, gestos e actos passados não tenham acontecido; utiliza para isso um pensamento ou um comportamento com uma significação oposta. Trata-se aqui de uma compulsão de feição "mágica", particularmente característica da neurose obsessiva.

APARELHO PSÍQUICO ou MENTAL

Expressão que sublinha certas características que a teoria freudiana atribui ao psiquismo: a sua capacidade de transmitir e de transformar uma energia determinada e a sua diferenciação em sistemas ou instâncias.

APOIO ou ANÁCLISE

Termo introduzido por Freud para designar a relação primitiva das pulsões sexuais com as pulsões de autoconservação: as pulsões sexuais, que só secundariamente se tornam independentes, apóiam-se nas funções vitais que lhes fornecem uma fonte orgânica, uma direcção e um objecto. Em conseqüência, falar-se-á também de apoio ou anáclicle para designar o facto de o indivíduo se apoiar sobre o objecto das pulsões de autoconservação na sua escolha de um objeto de amor; é a isso que Freud chama o tipo de escolha de objecto por apoio, ou anaclítica.

ARREPENDIMENTO

Identificação consciente de um erro acompanhado de ação reparadora e ou, com mudança de comportamento e conceito em relação a ação praticada. (MC).

ASSOCIAÇÃO

Termo tirado do associacionismo e que designa qualquer ligação entre dois ou mais elementos psíquicos, cuja série constitui uma cadeia associativa. Às vezes o termo é usado para designar os elementos assim associados. A propósito do tratamento, é a esta última acepção que nos referimos ao falarmos, por exemplo, das "associações de determinado sonho", para designarmos o que nas afirmações do indivíduo está em conexão associativa com esse sonho. No fundo, o termo "associações" designa o conjunto do material verbalizado no decorrer da sessão psicanalítica.

ASSOCIAÇÃO LIVRE (MÉTODO OU REGRA DE )

Método que consiste em exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que acodem ao espírito, quer a partir de um elemento dado (palavra, número, imagem de um sonho, qualquer representação), quer de forma espontânea.

ATENÇÃO FLUTUANTE ou EQUIFLUTUANTE

Modo como, segundo Freud, o analista deve escutar o analisando: não deve privilegiar a priori qualquer elemento do seu discurso, o que implica que deixe funcionar o mais livremente possível a sua própria actividade inconsciente e suspenda as motivações que dirigem habitualmente a atenção. Esta recomendação técnica constitui o correspondente da regra da associação livre proposta ao analisando.

AUTO-ANÁLISE

Investigação do próprio indivíduo por ele mesmo, conduzida de forma mais ou menos sistemática, e que recorre aos processos e método psicanalítico - associações livres, análise de sonhos, interpretação de comportamentos. A psicanalista brasileira e Membro da Academia de Letras do Brasil, Imortal Vera Rosendo, teórica da auto-análise, faz profundas incursões ao tema. Clique sobre o título AUTO-ANÁLISE e conheça o site da escritora. (MC).

AUTO-EROTISMO

A) Em sentido lato, característica de um comportamento sexual em que o indivíduo obtém a satisfação recorrendo unicamente ao seu próprio corpo, sem objecto exterior"neste sentido, fala-se da masturbação como comportamento auto-erótico.
B) De um modo mais específico, característica de um comportamento sexual infantil precoce pelo qual uma pulsão parcial, ligada ao funcionamento de um órgão ou à excitação de uma zona erógena, encontra a sua satisfação logo ali, isto é:
1. sem recorrer a um objecto exterior;
2. sem referência a uma imagem do corpo unificada, a um primeiro esboço de ego, tal como ele caracteriza o narcisismo.

AUTOPLÁSTICO - ALOPLÁSTICO

Termos que qualificam dois tipos de reacção ou de adaptação; - o primeiro consistindo apenas numa modificação do organismo; - o segundo numa modificação do meio circundante.

B

BENEFÍCIO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO DA DOENÇA

Benefício da doença designa de um modo geral qualquer satisfação directa ou indirecta que um indivíduo tira da sua doença. O benefício primário é o que entra em consideração na própria motivação de uma neurose: satisfação encontrada no sintoma, fuga para a doença, modificação vantajosa das relações com o meio. O benefício secundário poderia distinguir-se do precedente do seguinte modo: - pela sua aparição posterior, como vantagem suplementar ou utilização pelo indivíduo de uma doença já constituída; - pelo seu carácter extrínseco em relação ao determinismo inicial da doença e ao sentido dos sintomas; - pelo facto de se tratar de satisfações narcísicas ou ligadas à autoconservação, em vez de satisfações directamente libidinais.

BISSEXUALIDADE

Noção introdutória por Freud em psicanálise sob a influência de Wilhelm Filess: todo o ser humano teria constitucionalmente disposições sexuais simultaneamente masculinas e femininas que se encontram nos conflitos que o indivíduo conhece para assumir o seu próprio sexo.

BOM OBJECTO; MAU OBJECTO

Termos introduzidos por Melanie Klein para designar os primeiros objectos pulsionais, parciais ou totais, tal como aparecem na vida fantasmática da criança. As qualidades de "bom" e "mau" são-lhes atribuídas não apenas em função do seu carácter gratificante ou frustrante, mas sobretudo da projecção neles das pulsões libidinais ou destruidoras do indivíduo. Segundo M. Klein, o objecto parcial ( o seio, o pênis) é clivado num "bom"e num "mau"objecto, e esta clivagem constitui o primeiro modo de defesa contra a angústia. O objecto total será igualmente clivado ("boa" mãe e "má"mãe, etc.). "bons" e "maus"objectos são submetidos aos processos de introjecção e projecção.


C

CAMPOS DE PRECIPITAÇÃO

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, são espaços livres por onde a precipitação de pensamentos ganha a materialização. Ainda, conjunto de pensamentos seguidos de ações, que facilitam o desencadear de novos pensamentos e ações, tendo por base àqueles em mesma linha de consecução. Favorecimento ou pré-disposição a uma idéia latente, precipitando sua ocorrência no conjunto sistêmico sócio-interacional, ou mesmo no campo individual. É a materialização do pensamento. (MC).

CANIBALESCO

Termo empregado para qualificar relações de objecto e fantasmas ( fantasias correlativos da actividade oral, por referência ao canibalismo praticado por certos povos. O termo exprime de modo figurado as diferentes dimensões da incorporação oral: amor, destruição, conservação no interior de si mesmo e apropriação das qualidades do objecto. Fala-se por vezes de fase canibalesca como equivalente da fase oral ou, mais especialmente, como equivalente da segunda fase oral de Abraham ( fase oral-sádica ).

CARINHO

Troca consciente ou inconsciente, conseqüente ou inconseqüente de estímulos em demontração de afetividade entre os seres. Podendo se caracterizar como unilateral na ausência de reciprocidade. (MC).

CASO-LIMITE ou LIMÍTROFE

Expressão utilizada a maioria das vezes para designar afecções psicopatológicas situadas no limite entre neurose e psicose, nomeadamente esquizofrenias latentes que apresentam uma sintomatologia de feição neurótica.

CASTRAÇÃO

O termo castração encontra-se na base da teoria psicanalítica - isto pelo fato do menino diante a um édipo acentuado, proporcionalmente desenvolve o medo (inconsciente) de ser castrado pelo pai, desenvolvendo os princípios éticos e morais, que, se insuficientes, evidenciar-se-ão em comportamentos futuros de confrontação com os sistemas. Se muito elevados, podem resultar em privações por força de um superego muito exigente - chegando até mesmo à psicose. (MC).

CATÁRTICA

Método de psicoterapia em que o efeito terapêutico procurado é uma "purgação"(catharsis), uma descarga adequada dos afectos patogênicos. O tratamento permite ao indivíduo evocar e até reviver os acontecimentos traumáticos a que esses afectos estão ligados, e ab-reagí-los. Historicamente, o "método catártico" pertence ao período (1880-1895) em que a terapêutica psicanalítica se define progressivamente a partir de tratamentos operados em estado hipnótico.

CEFALÉIA EM PSICANÁLISE

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, as cefaléias estão relacionadas, em sua maioria, a falta de oxigenação cerebral, ainda, devido a alimentação a base de carne. A carne, por sua putrefação nos intestinos, gera gases tóxicos, intoxicando o ser, refletindo nas bases do bulbo, na região infra-hipotalâmica. Recomenda-se, àqueles que sofrem por cefaléias, abandonarem a carne em suas dietas e alimentarem-se a base de vegetais e frutas. Muita água para a oxigenação do cérebro e exercícios físicos, elevando as bases orgânicas naturais de resistência à tensões emocionais. É comum todavia, encontrarmos muitas cefaléias associadas a situações desagradáveis, como justificativa à evitar tais momentos, ausentando-se. Contudo, no futuro, tais situações, mesmo sob outros contextos, sem elo aparente com o passado, abrirão caminho neurosináptico de respostas em forma de cefaléia. Poderá ainda, a cefaléia ser o resultado simples da falta de oxigenação cerebral, que pode ser reposta pela ingesta de água e ou exercícios físicos/ caso este em que tratamos como inconsciente por ser desconhecido sua origem pelo paciente. Também as cefaléia podem estar associadas a falta de alimentos - longas horas sem alimentar-se - estando este descuido com a alimentação, inconscientemente ligada depressões leves, cujos conteúdos são evitados pelo ser, encontrando-se esta evitação, no próprio ambiente (onde o ser tem acesso aos alimentos). Logo, ao evitar o ambiente, ou por resistência a pessoas do ambiente, conseqüentemente não alimenta-se. Entre outros... (MC).

CENA ORIGINÁRIA ou PROTOCENA

Cena de relação sexual entre os pais, observada ou suposta ssgundo determinados índices e fantasias pela criança, e que esta geralmente interpreta como um acto de violência por parte do pai.

CENA PRIMITIVA

O mesmo que "cena originária".

CENSURA

Função que tende a impedir aos desejos inconscientes e à formações que deles derivam o acesso ao sistema pré-consciente - consciente.

CIÚME

Expressão de sentimento de insegurança manifesto como discordância ao deslocamento da afetividade ou parte da mesma, a seres ou mesmo situações ou objetos, deixando, momentaneamente o ser reclamente, carente dos níveis de atenção os quais encontra-se habituado em receber. (MC).

CLIVAGEM DO EGO

Expressão usada por Freud para designar um fenômeno muito particular que ele vê operar sobretudo no fetichismo e nas psicoses: a coexistência, no seio do ego, de duas atitudes psíquicas para com a realidade exterior na medida em que esta vem contrariar uma exigência pulsional, uma tem em conta a realidade, a outra nega a realidade em causa e coloca em seu lugar um produto do desejo. Estas duas atitudes persistem lado a lado sem se influenciarem reciprocamente.

CLIVAGEM DO OBJECTO

Mecanismo descrito por Melanie Klein e por ela considerado como a defesa mais primitiva contra a angústia"o objecto, visado pelas pulsões eróticas e destrutivas, cinde-se num "bom" e num "mau" objecto, que terão então destinos relativamente independentes no jogo das introjecções e das projecções. A clivagem do objecto opera particularmente na posição paranóide-esquizóide, em que incide sobre objectos parciais. Reencontra-se na posição depressiva, em que incide então sobre o objecto total.

CLOACAL (TEORIA)

Teoria sexual da criança que desconhece a distinção da vagina e do ânus: a mulher só possuiria uma cavidade e um orifício; confundido com o ânus, pelo qual nasceriam as crianças e se praticaria o coito.

COMPLACÊNCIA SOMÁTICA

Expressão introduzida por Freud para exprimir a "escolha de neurose" histérica e a escolha do órgão ou do aparelho corporal sobre o qual se opera a conversão: o corpo - especialmente nos histéricos - ou determinado órgão em particular forneceria um material privilegiado à expressão simbólica do conflito inconsciente.

COMPLEXO

Conjunto organizado de representações e recordações de forte valor afectivo, parcialmente ou totalmente inconscientes. Um complexo constitui-se a partir das relações interpessoais da história infantil; pode estruturar todos os níveis psicológicos: emoções, atitudes, comportamentos adaptados.

COMPLEXO DE ÉDIPO

O complexo de Édipo compreende, um conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta relativamente aos pais. Sob a sua chamada forma positiva, o complexo apresenta-se como na história de Édipo-Rei: desejo da morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual da personagem do sexo oposto. Sob a sua forma negativa, apresenta-se inversamente: amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento ao progenitor do sexo oposto. Na realidade, estas duas formas encontram-se em graus diversos na chamada forma completa do complexo de Édipo. Segundo Freud, o complexo de Édipo é vivido no seu período máximo entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica, contudo, poderá prolongar-se e mesmo na vida adulta, encontrarmos desdobramentos desta fase. O seu declínio marca a entrada no período de latência. Conhece na puberdade uma revivescência e é superado com maior ou menor êxito num tipo especial de escolha de objecto. O complexo de Édipo desempenha um papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do desejo humano. Os psicanalistas fazem dele o eixo de referência principal da psicopatologia, procurando para cada tipo patológico determinar os modos da sua posição e da sua resolução. A antropologia psicanalítica procura reencontrar a estrutura triangular do complexo de Édipo, afirmando a sua universalidade nas culturas mais diversas, e não apenas naquelas em que predomina a família conjugal. É utilizado "Complexo de Édipo" para o menino e "Complexo de Electra" para a menina.


COMPLEXO DE INFERIORIDADE

Expressão que tem a sua origem na psicologia adleriana; designa, de um modo muito geral, o conjunto das atitudes, das representações e dos comportamentos que são expressões mais ou menos disfarçadas de um sentimento de inferioridade ou das reacções deste.

COMPLEXO PATERNO

Expressão usada por Freud para designar uma das principais dimensões do complexo de Édipo: a relação ambivalente com o pai.

COMPONENTE PULSIONAL OU IMPULSOR (A)

Ver: Pulsão parcial.

COMPULSÃO, COMPULSIVO

Clinicamente, tipo de comportamentos que o indivíduo é levado a realizar por uma coação interna. Um pensamento (obsessão), uma acção, uma operação defensiva, mesmo uma seqüência complexa de comportamentos, são qualificados de compulsivos quando a sua não-realização é sentida como tendo de acarretar um aumento de angústia.

COMPULSÃO À REPETIÇÃO

A) ao nível da psicopatologia concreta, processo incoercível e de origem inconsciente, pelo qual o indivíduo se coloca activamente em situações penosas, repetindo assim experiências antigas sem se recordar do protótipo e tendo pelo contrario a impressão muito viva de que se trata de algo de plenamente motivado na actualidade.
B) Na elaboração teórica que Freud lhe dá, a compulsão à repetição é considerada um factor autônomo, irredutível em última análise a uma dinâmica conflitual onde não interviesse senão o funcionamento conjugado do princípio de prazer e do princípio de realidade. Ela é referida fundamentalmente ao carácter mais geral das pulsões: a sua característica conservadora.

CONDENSAÇÃO

Um dos modos essenciais do funcionamento dos processos inconscientes: uma representação única representa por si só várias cadeias associativas, em cuja intersecção se encontra. Do ponto de vista econômico, é então investida das energias que, ligadas a estas diferentes cadeias, se adicionam nela. Vemos operar a condensação no sintoma e, de um modo geral, nas diversas formações, do inconsciente. Foi no sonho que melhor foi posta em evidência. Ela traduz=se no sonho pelo facto de o relato manifesto, comparado com o conteúdo latente, ser lacônico: constitui uma tradução resumida. A condensação nem por isso deve ser assimilada a um resumo: se cada elemento manifesto é determinado por várias significações latentes, inversamente, cada uma destas pode encontrar-se em vários elementos; por outro lado, o elemento manifesto não representa num mesmo relato cada uma das significações de que deriva, de modo que não as subsume como o faria um conceito.

CONFLITO PSÍQUICO

Fala-se em psicanálise de conflito quando, no indivíduo, se opõem exigências internas contrárias. O conflito pode ser manifesto (entre um desejo e uma exigência moral, por exemplo, ou entre dois sentimentos contraditórios) ou latente, podendo este exprimir-se de forma deformada no conflito manifesto e traduzir-se designadamente pela formação de sintomas, desordens do comportamento, perturbações do carácter, etc. A psicanálise considera o conflito como constitutivo do ser humano, e isto em diversas perspectivas: conflito entre o desejo e a defesa, conflito entre os diferentes sistemas ou instâncias, conflitos entre as pulsões, e por fim o conflito edipiano, onde não apenas se defrontam desejos contrários, mas onde estes enfrentam a interdição.

CONSCIÊNCIA (PSICOLÓGICA)

A) No sentido descritivo: qualidade momentânea que caracteriza as percepções externas e internas no meio do conjunto dos fenômenos psíquicos.
B) Segundo a teoria metapsicológica de Freud, a consciência seria função de um sistema, o sistema percepção-consciência (Pc-Cs).

Do ponto de vista tópico, o sistema percepção consciência está situado na periferia do aparelho psíquico, recebendo ao mesmo tempo as informações do mundo exterior e as provenientes do interior, isto é, as sensações que se inscrevem na série desprazer-prazer e as revivescências mnésicas. Muitas vezes Freud liga a função percepção-consciência ao sistema pré-consciente, então designado como sistema pré-consciente - consciente ( Pcs-Cs).
Do ponto de vista funcional, o sistema percepção-consciência opõe-se aos sistemas de traços mnésicos que são o inconsciente e o pré-consciente: nele não se inscreve qualquer traço durável das excitações. Do ponto de vista econômico, caracteriza-se pelo facto de dispor de uma energia livremente móvel, susceptível de sobreinvestir este ou aquele elemento ( mecanismo da atenção).
A consciência desempenha um papel importante na dinâmica do conflito (evitação consciente do desagradável, regulação mais discriminadora do princípio de prazer) e do tratamento ( função e limite da tomada de consciência, mas não pode ser definida como um dos pólos em jogo no conflito defensivo.

CONSTRUÇÃO

Termo proposto por Freud para designar uma elaboração do analista mais extensiva e mais distante do material que a interpretação, e essencialmente destinada a reconstituir nos seus aspectos simultaneamente reais e fantasmáticos uma parte da história infantil do indivíduo.

CONTEÚDO LATENTE

Conjunto de significações a que chega a análise de uma produção do inconsciente, especialmente do sonho. Uma vez decifrado, o sonho deixa de aparecer como uma narrativa em imagens para se tornar uma organização de pensamentos, um discurso, que exprime um ou vários desejos.

CONTEÚDO MANIFESTO ou PATENTE

Designa o sonho antes de ser submetido à investigação analítica, tal como aparece ao sonhador que o relata. Por extensão, fala-se do conteúdo manifesto de qualquer produção verbalizada- desde o fantasma fantasia) à obra literária - que se pretende interpretar segundo o método analítico.

CONTRA-INVESTIMENTO

Processo econômico postulado por Freud como suporte de numerosas actividades defensivas do ego. Consiste no investimento pelo ego de representações, atitudes, etc., susceptíveis de impedirem o acesso à consciência e à motilidade das representações e desejos inconscientes. O termo pode igualmente designar o resultado mais ou menos permanente desse processo.

CONTRATRANSFERÊNCIA

Conjunto das reacções inconscientes do analista à pessoa do analisando e mais particularmente à transferência deste.

CONVERSÃO

Mecanismo de formação de sintomas que opera na histeria e mais especificamente na histeria de conversão (ver este termo). Consiste ele numa transposição de um conflito psíquico e numa tentativa de resolução deste em sintomas somáticos, motores (paralisias, por exemplo). O termo "conversão" é para Freud correlativo de uma concepção econômica: a libido desligada da representação recalcada é transformada em energia de inervação. Mas o que especifica os sintomas de conversão é a sua significação simbólica: eles exprimem, pelo corpo, representações recalcadas.

CORAGEM

Motivação ou impulso seguido de ação, desencadeado por segurança em habilidades ou treinamentos e ou, por inseguranças, deflagrados pelo enfrentamento dos medos, em busca do reequilíbrio e estabilidade. (MC).

CULPA

Reconhecimento, manifesto ou não, de auto ou alo responsabilidade sobre evento com resultados desfavoráveis ou negativos. (MC).

CURIOSIDADE

Impulso natural de atração da atenção em busca da compreensão e assimilação da totalidade de um objeto parcialmente identificado sensorialmente.Manifesta-se também como resultado de lembranças com expectativas sobre eventos de costumes. Ainda, por expectativas sobre resultados de ações em via de consecução. (MC).

D

DECISÃO REFLEXA INCONDICIONADA

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, - o instinto super consciente operante que nos conduz é consciente na condução espontânea do ser inconsciente, em formação da consci6encia, a qual, em diversos níveis se encontra no homem. (estude-se: Estágios psicomaturacionais da consciência humana). (MC).

DEFESA

Conjunto de operações cuja finalidade é reduzir, suprimir qualquer modificação susceptível de pôr em perigo a integridade e a constância do indivíduo biopsicológico. Na medida em que o ego se constitui como instância que encarna esta constância e que procura mantê-la, ele pode ser descrito como o sujeito e o objeto destas operações. A defesa, de um modo geral, incide na excitação interna (pulsão) e, de preferência, numa das representações (recordações, fantasmas) a que ela está ligada, numa situação capaz de desencadear essa excitação na medida em que é incompatível com este equilíbrio e, por esse facto, desagradável para o ego. Os afectos desagradáveis, motivos ou sinais da defesa, podem também ser objecto dela. O processo defensivo especifica-se em mecanismos de defesa mais ou menos integrados no ego. Marcada e infiltrada por aquilo sobre que incide em última análise - a pulsão - a defesa toma muitas vezes um aspecto compulsivo e opera, pelo menos parcialmente, de forma inconsciente.

DEFORMAÇÃO

Efeito global do trabalho do sonho: os pensamentos latentes são transformados num produto manifesto dificilmente reconhecível.

DESAMPARO (ESTADO DE)

Termo da linguagem comum que na teoria freudiana assume um sentido específico: estado do lactente que, dependendo inteiramente de outrem para a satisfação das suas necessidades (sede, fome), se revela impotente para realizar a acção específica adequada para pôr fim à tensão interna. Para o adulto, o estado de desamparo é o protótipo da situação traumática geradora de angústia.

DESCARGA

Termo econômico utilizado por Freud no quadro dos modelos fisicistas que apresenta do aparelho psíquico: evacuação para o exterior da energia introduzida no aparelho psíquico pelas excitações, quer estas sejam de origem interna quer sejam de origem externa. Esta descarga pode ser total ou parcial.

DESEJO

Na concepção dinâmica freudiana, um dos pólos do conflito defensivo: o desejo inconsciente tende a realizar-se restabelecendo, segundo as leis do processo primário, os sinais ligados às primeiras vivências de satisfação. A psicanálise mostrou, no modelo do sonho, como o desejo se encontra nos sintomas sob a forma de compromisso.

DESENVOLVIMENTO DE ANGÚSTIA

Expressão forjada por Freud: a angústia enquanto considerada no seu desenrolar temporal, no seu acréscimo no indivíduo.

DESINVESTIMENTO

Retirada do investimento precedentemente ligado a uma representação, a um grupo de representações, a um objecto, a uma instância, etc. estado em que se acha essa representação em virtude daquela retracção ou na ausência de qualquer investimento.

DESLOCAMENTO

Facto de a acentuação, o interesse, a intensidade de uma representação ser susceptível de se soltar dela para passar a outras representações originariamente pouco intensas, ligadas à primeira por uma cadeia associativa. Esse fenômeno, particularmente visível na análise do sonho, encontra-se na formação dos sintomas psiconeuróticos e, de um modo geral, em todas as formações do inconsciente. A teoria psicanalítica do deslocamento desta energia é uma das características principais do processo primário tal como ele rege o funcionamento do sistema inconsciente.

DINÂMICO

Qualifica uma perspectiva que considera os fenômenos psíquicos como resultantes do conflito e da composição de forças que exercem uma certa pressão, forças que são, em última análise, de origem pulsional.

 


E

 

ECONÔMICO

Qualifica tudo o que se refere à hipótese segundo a qual os processos psíquicos consistem na circulação e repartição de uma energia quantificável (energia pulsional), isto é, susceptível de aumento, de diminuição, de equivalências.

ÉDIPO

Aproveitado por Freud em psicanálise, Édipo, por força de sua históra, ganhou o status de personalidade inconsciente comum a todos os seres, responsável pelos impulsos iniciais de repressão ou liberdade, com repercussões em todos os segmentos desdobramentos na organização da personalidade individual e inconsciente coletivo humanos. Em síntese, quanto a história (real, lenda ou conto) Édipo fora um personagem de um conto/história grega. Famoso por matar o pai e casar-se com a própria mãe. Seus pais: Laio e Jocasta. Édipo tivera com a própria mãe, quatro filhos: Etéocles, Ismênia, Antígona e Polinice. Segundo a lenda grega, Laio, pai de Édipo, quando rei de Tebas, fora alertado por Delfos - Oráculo, quanto a maldição e ira que sobre ele recairia, onde, seu próprio filho o mataria, casando-se posteriormente com Jocasta, a própria mãe.

EGO

Instância que Freud, na sua segunda teoria do aparelho psíquico, distingue do id e do superego. Do ponto de vista tópico, o ego está numa relação de dependência quanto às reivindicações do id, bem como quanto aos imperativos do superego e à exigências da realidade. Embora se situe como mediador, encarregado dos interesses da totalidade da pessoa, a sua autonomia é apenas inteiramente relativa. Do ponto de vista dinâmico, o ego representa eminentemente no conflito neurótico o pólo defensivo da personalidade; põe em jogo uma série de mecanismos de defesa, estes motivados pela percepção de um afecto desagradável (sinal de angústia). Do ponto de vista econômico, o ego surge como um factor de ligação dos processos psíquicos; mas, nas operações defensivas, as tentativas de ligação da energia pulsional são contaminadas pelas características que especificam o processo primário: assumem um aspecto compulsivo, repetitivo, desreal. A teoria psicanalítica procura explicar a gênese do ego em dois registros relativamente heterogêneos, quer vendo nele um aparelho adaptativo, diferenciado a partir do id em contacto com a realidade exterior, quer definindo-o como o produto de identificações que levam à formação no seio da pessoa de um objecto de amor investido pelo id. Relativamente à primeira teoria do aparelho psíquico, o ego é mais vasto do que o sistema pré-consciente - consciente, na medida em que as suas operações defensivas são em grande parte inconscientes. De um ponto de vista histórico, o conceito tópico do ego é o resultado de uma noção constantemente presente de Freud desde as origens do seu pensamento.

EGO IDEAL

Formação intrapsíquica que certos autores, diferenciando-a do ideal do ego, definem com u ideal narcísico de omnipotência forjado a partir do modelo de narcisismo infantil.

EGO-PRAZER - EGO-REALIDADE

Termos utilizados por Freud em referência a uma gênese da relação do indivíduo com o mundo exterior e do acesso à realidade. Os dois termos são sempre opostos um ao outro, mas em acepções tão diferentes que não se pode propor uma definição unívoca, e com significações que se sobrepõem o bastante para poderem ser fixadas em definições múltiplas.

EGOÍSMO

Interesse que o ego tem por si mesmo.

EGOSSINTÔNICO

Termo que qualifica pulsões, representações aceitáveis pelo ego, isto é, compatíveis com a sua integridade e as suas exigências.

ELABORAÇÃO PSÍQUICA

A) Expressão utilizada por Freud para designar, em diversos contextos, o trabalho realizado pelo aparelho psíquico com o fim de dominar as excitações que chegam até ele e cuja acumulação ameaça ser patogênica. Este trabalho consiste em integrar as excitações no psiquismo e em estabelecer entre elas conexões associativas.
B) O termo francês "élaboration" bem como o português elaboração, é freqüentemente utilizado pelos tradutores como equivalente do alemão "durcharbelten" ou do inglês "working through". Neste sentido, preferimos "perlaboration". Transforma e transmite a energia que recebe; a pulsão, nesta perspectiva, é definida como "quantidade de trabalho exigida do psiquismo".
Num sentido muito lato, elaboração psíquica poderia designar o conjunto das operações desse aparelho; mas o uso que Freud faz da expressão, parece ser mais específico: a elaboração psíquica é a transformação da quantidade de energia que permite dominar esta, derivando-a u ligando-ª Freud e Breuer encontraram este termo em Charcot, que falava, a propósito da pessoa histérica, de um momento de elaboração psíquica entre o traumatismo e o aparecimento dos sintomas.

ELABORAÇÃO SECUNDÁRIA

Remodelação do sonho destinada a apresentá-lo sob a forma de uma história relativamente coerente e compreensível.

EMPATIA

ENERGIA DE INVESTIMENTO

Substrato energético postulado como factor quantitativo das operações do aparelho psíquico.

ENERGIA LIVRE - ENERGIA LIGADA

Termos que exprimem, do ponto de vista econômico, a distinção freudiana entre processo primário e processo secundário. No processo primário, a energia diz-se livre ou móvel na medida em que se escoa para a descarga da maneira mais rápida e mais directa possível; no processo secundário, ela é ligada, na medida em que o seu movimento para a descarga é retardado ou controlado. Do ponto de vista genético, o estado livre da energia precede, para Freud, o seu estado ligado, pois este caracteriza um grau mais elevado de estruturação do aparelho psíquico.

EROGENEIDADE

Capacidade de qualquer região do corpo ser a fonte de uma excitação, quer dizer, de se compor como zona erógena.

ERÓGENO

O que se relaciona com a produção de uma excitação sexual.

EROS

Termo pelo qual os gregos designavam o amor e o deus Amor. Freud utiliza-o na sua última teoria das pulsões para designar o conjunto das pulsões de vida em oposição às pulsões de morte.

EROTISMO URETRAL ou URINÁRIO

Modo de satisfação libidinal ligado à micção.

ESCOLHA ANACLÍTICA DE OBJETO

Tipo de escolha de objecto em que o objecto de amor é eleito a partir do modelo das figuras parentais enquanto estas asseguram à criança alimento, cuidados e protecção. Fundamenta-se no facto de as pulsões sexuais se apoiarem originalmente sobre as pulsões de autoconservação.

ESCOLHA NARCÍSICA DE OBJECTO

Tipo de escolha de objecto que se exerce a partir do modelo de relação do indivíduo com a sua própria pessoa, e em que o objecto representa a própria pessoa sob este ou aquele aspecto.

ESCOLHA DE NEUROSE

Conjunto de processos pelos quais um indivíduo se empenha na formação de determinado tipo de psiconeurose de preferência a outro.

ESCOLHA DE OBJECTO ou OBJECTAL

Acto de eleger uma pessoa ou um tipo de pessoa como objecto de amor. Distingue-se uma escolha de objecto infantil e uma escolha de objecto pubertária, a primeira das quais traça o caminho da segunda.
Para Freud ectuam na escolha de objecto duas modalidades principais: o tipo de escolha de objecto e o tipo narcísico de escolha de objecto.

ESPERANÇA

ESQUIZOFRENIA

Termo criado por E. Bleuler (1911) para designar um grupo de psicoses cuja unidade tinha já sido mostrada por Kraepelin reunindo-as no capítulo "demência precoce" e distinguindo nelas três formas, que se tornaram clássicas: a hebefrênica, a catatônica e a paranóide. Ao introduzir o termo "esquizofrenia"; - fender, clivar, Bleuer pretende pôr em evidência o que para ele constitui o sintoma fundamental daquelas psicoses: a Spaltung (dissociação). O termo impôs-se em psiquiatria e em psicanálise, sejam quais forem as divergências dos autores sobre o que garante à esquizofrenia a sua especificidade e, portanto, sobre a extensão deste quadro nosográfico.
Clinicamente, a esquizofrenia diversifica-se em formas aparentemente muito dissemelhantes, em que se distinguem habitualmente as seguintes características: a incoerência do pensamento, da acção e da afectividade (designada pelos termos clássicos discordância, dissociação, desagregação"), o afastamento da realidade com um dobrar-se sobre si mesmo e predominância de uma vida interior entregue às produções fantasmáticas (autismo), uma actividade delirante mais ou menos acentuada e sempre mal sistematizada. Finalmente, o carácter crônico da doença, que evolui segundo os mais diversos ritmos no sentido de uma "deterioração" intelectual e afectiva e resulta muitas vezes em estados de feição demencial, é para a maioria dos psiquiatras um traço primacial, sem o qual não se pode diagnosticar esquizofrenia. Dessa mesma forma, é também interpretado e tratada pelos psicanalistas.

ESTADO HIPNÓIDE

Expressão introduzida por J. Breuer: estado de consciência análogo ao criado pela hipnose; este estado seria tal que os conteúdos de consciência que nele aparecem pouco ou nada entram em ligação associativa com o restante da vida mental; teria como efeito a formação de grupos de associações separados. Breuer vê no estado hipnóide que introduz uma clivagem (Spaltung) no seio da vida psíquica o fenômeno constitutivo da histeria.

ESTÁGIOS PSICOMATURACIONAIS DA CONSCIÊNCIA

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, os seres passam por quarenta e seis estágios psicomaturacionais da consciência, compreendidos em onze grande redes sinápticas. Milhares de ligações neurosinápticas formam padrões observáveis comportamentais, dentre os quais, ao longo de vinte e quatro anos de pesquisas, entre, `1976 e 2000, conseguiu isolar, delimitando as onze grandes redes sinápticas, subdivididas em quarenta e seis estágios evolutivos da consciência humana. Sua teoria, rapidamente conquistou as ciências em todo o mundo; essa teoria é também conhecida por: Expansão ou Paradigma psicomaturacional da consciência humana. (MC).

ESTASE DA LIBIDO

Processo econômico que Freud supõe poder estar na origem da entrada na neurose ou na psicose: a libido que deixa de encontrar caminho para a descarga acumula-se sobre formações intrapsíquicas; a energia assim acumulada encontrará a sua utilização na constituição dos sintomas.

EUFORIA

EXERCÍCIOS E FITOTERÁPICOS

O Psicanalista Mário Carabajal defende a prescrição de exercícios físicos e remédios fitoterápicos, sem contra indicações por psicanalistas, auxiliando na performance psicobiofísica dos seres. (MC).

FACILITAÇÃO

Termo utilizado por Freud ao apresentar um modelo neurológico do funcionamento do aparelho psíquico (1895): a excitação, na sua passagem de um neurônio para outro, tem de vencer uma certa resistência; quando tal passagem acarreta uma diminuição permanente dessa resistência, diz-se que há facilitação: a excitação escolherá o caminho facilitado, de preferência ao que não tem essa facilitação.

FÁLICA (MULHER ou MÃE)

Mulher fantasmaticamente provida de falo. Esta imagem pode tornar duas formas principais, conforme a mulher é representada como portadora de um falo externo ou de um atributo fálico, ou como tendo conservado no interior de si mesma o falo masculino.

FALO

Na Antiguidade greco-latina, representação figurada do órgão masculino. Em psicanálise, o uso deste termo sublinha a função simbólica desempenhada pelo pênis na dialéctica intra e inter-subjectiva, enquanto o termo "pênis" é sobretudo reservado para designar o órgão na sua realidade anatômica.

FANTASIA ou FANTASMA

Encenação imaginária em que o indivíduo está presente e que figura, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. O fantasma ou fantasia apresenta-se sob diversas modalidades: fantasias conscientes ou sonhos diurnos; fantasias inconscientes tais como a análise as revela como estruturas subjacentes a um conteúdo manifesto; protofantasias (protofantasmas).

FANTASIA DE CASTRAÇÃO

A psicanálise sobretudo, lança âncoras nas origens de precipitação das psicotraumatosugestões, muitas, encontram no complexo de castração, suas motivações. Este complexo centra-se na fantasia de castração, criada, tanto pelas meninas, quanto pelos meninos. As meninas, acreditam haverem sido castradas como justificativa de não terem pênis. Já os meninos, receiam ficar como as meninas, virem a perder o pênis. Gera-se, a partir desta fantasia, o enigma imposto à criança pela diferença anatômica dos sexos (presença ou ausência de Pênis). A estrutura e os efeitos do complexo de castração são diferentes no rapaz e na menina. O rapaz teme a castração como realização de uma ameaça paterna em resposta às suas actividades sexuais, do que lhe advém uma intensa angústia de castração. Na menina, a ausência do pênis é sentida como um dano sofrido que ela procura negar, compensar ou reparar. O complexo de castração está em estreita relação com o complexo de Édipo, e mais especialmente com a sua função interditória e normativa.

FASE DO ESPELHO

Segundo J. Lacan, fase de constituição do ser humano que se situa entre os seis e os dezoito primeiros meses; a criança, ainda num estado de impotência e de descoordenação motora, antecipa imaginariamente a apreensão e o domínio da sua unidade corporal. Esta unificação imaginária opera-se por identificação com imagem do semelhante como forma total; ilustra-se e actualiza-se pela experiência concreta em que a criança apercebe a sua própria imagem num espelho. A fase do espelho constituiria a matriz e o esboço do que há-de ser o ego.

FASE (ou ORGANIZAÇÃO) GENITAL

Fase do desenvolvimento psicossexual caracterizada pela organização das pulsões parciais sob o primado das zonas genitais; compreende dois períodos, separados pelo período da latência: o período fálico (ou organização genital infantil) e a organização genital propriamente dita que se institui na puberdade. Certos autores reservam a donominação "organização genital"para este período, incluindo o período fálico nas organizações pré-genitais.

FASE ORAL-SÁDICA

Segundo período da fase oral, segundo uma subdivisão introduzida por K. Abraham; é caracterizado pelo aparecimento dos dentes e da actividade de morder. A incorporação assume aqui o sentido de uma destruição do objecto, o que implica a entrada em jogo da ambivalência na relação de objecto.

FASES LIBIDINAIS

Fundamentalmente, a psicanálise se sustenta no estudo das fases de evolução libidinal. Assim, segundo Freud, há uma organização da libido, denominadas como "fases libidinais" - são etapa do desenvolvimento da criança caracterizada por uma organização, mais ou menos acentuada, da libido sob o primado de uma zona erógena e pela predominância de uma modalidade de relação de objecto. Deu-se em psicanálise maior extensão à noção de fase, procurando definir as fases de evolução do ego. A primeira fase libidinal é a oral. Nesse momento, o prazer sexual está então ligado de forma predominante à excitação da cavidade bucal e dos lábios que acompanha a alimentação. A actividade de nutrição fornece as significações electivas pelas quais se exprime e se organiza a relação de objecto; por exemplo, a relação de amor com a mãe será marcada pelas significações seguintes; comer, ser comido. O psicanalista Abraham, propôs subdividir-se esta fase em função de duas actividades diferentes: sucção (fase oral precoce) e mordedura (fase oral-sádica). Sob o primado da zona erógena anal, surge a segunda fase, com uma relação de objecto impregnada de significações ligadas à função de defecação (expulsão-retenção) e ao valor simbólico das fezes. Vemos aqui afirmar-se o sado-masoquismo em relação com o desenvolvimento do domínio muscular. Imediatamente a fase anal, a libido evolui para a fase fálica, sendo esta, caracterizada por uma unificação das pulsões parciais sob o primado dos órgãos genitais; mas, o que já não será o caso da organização genital pubertária. A criança só conhece nesta fase um único órgão genital, independentemente se de sexo masculino ou feminino, o órgão masculino, único que tem forma e pode ser visto. A oposição dos sexos é equivalente à oposição fálico-castrado. A fase fálica corresponde ao momento culminante e ao declínio do complexo de Édipo; o complexo de castração é aqui predominante. Existem outras fases, como a fase genital, onde as pulsões parciais encontram-se em torno das zonas genitais, subdividindo-se em fálico e a organização libidinal propriamente dita, ambas ocorrem entre seis e dezoito meses de vida. Encontramos ainda, a fase do espelho, oral-sádica, e mais recentemente, delimitamos em quarenta e seis estágios de evolução da consciência humana, a expansão psicomaturacional. Estas, distribuídas em onze grandes redes sinápticas.

FELICIDADE

FENÔMENO FUNCIONAL

Fenômeno descoberto por Herbert Silberer (1909) nos estados hipnagógicos e por ele reencontrados no sonho: é a transposição em imagens, não do conteúdo do pensamento do indivíduo, mas do modo de funcionamento actual desse pensamento.

FIGURABILIDADE ou REPRESENTABILIDADE
(CONSIDERAÇÃO À)

Exigência a que estão submetidos os pensamentos do sonho: eles sofrem uma selecção e uma transformação que os tornam aptos a serem representados em imagens, sobretudo visuais.

FITOTERÁPICOS

Segundo o Mário Carabajal, -medicações naturais, sem contra indicações, que podem ser prescritas por educadores físicos, psicólogos e psicanalistas clínicos, objetivando a performance psicobiofísica de seus pacientes. (MC).

FIXAÇÃO

O facto de a libido se ligar fortemente a pessoa ou imagos, de reproduzir determinado modo de satisfação e permanecer organizada segundo a estrutura característica de uma das suas fases evolutivas. A fixação pode ser manifesta e actual ou constitui uma virtualidade predominante que abre ao indivíduo o caminho de uma regressão. A noção de fixação é geralmente compreendida no quadro de uma concepção genética que implica uma progressão ordenada da libido (fixação numa fase). Podemos considerá-la, fora de qualquer referência genética, no quadro da teoria freudiana do inconsciente, como designando o modo de inscrição de certos conteúdos representativos (experiências, imagos, fantasmas) que persistem no inconsciente de forma inalterada e a que a pulsão permanece ligada.

FORMAÇÃO DE COMPROMISSO

Forma que o recalcado vai buscar para ser admitido no consciente, retornando no sintoma, no sonho, e, mais geralmente, em qualquer produção do inconsciente: as representações recalcadas são então deformadas pela defesa ao ponto de serem irreconhecíveis. Na mesma formação podem assim satisfazer-se - num mesmo compromisso - simultaneamente o desejo inconsciente e as exigências defensivas.

FORMAÇÃO REACTIVA ou DE REACÇÃO

Atitude ou hábito psicológico de sentido oposto a um desejo recalcado e constituído em reacção entra ele (o pudor a opor-se a tendências exibicionistas, por exemplo). Em termos econômicos, a formação reactiva é um contra-investimento de um elemento consciente, de força igual e de direcção oposta ao investimento inconsciente. As formações reactivas podem ser muito localizadas e manifestarem-se por um comportamento peculiar, ou generalizadas até ao ponto de constituírem traços de carácter mais ou menos integrados no conjunto da personalidade. Do ponto de vista clínico, as formações reactivas assumem um valor sintomático no que oferecem de rígido, de forçado, de compulsivo, pelos seus fracassos acidentais, pelo facto de levarem, às vezes directamente, a um resultado oposto ao que é conscientemente visado (summum jus summa injuria).

FORMAÇÃO DE SINTOMA

Expressão utilizada para designar o facto de o sintoma psiconeurótico ser resultado de um processo especial, de uma elaboração psíquica.

FORMAÇÃO SUBSTITUTIVA

Designa os sintomas ou formações equivalentes, como os actos falhados, os ditos de espírito, etc., enquanto substituem os conteúdos inconscientes. Esta substituição deve ser tomada numa dupla acepção: econômica, pois que o sintoma acarreta uma satisfação de substituição do desejo inconsciente; simbólica, pois que o conteúdo inconsciente é substituído por outro segundo determinadas linhas associativas.

FREUD, SIGMUND

Clique sobre o link com Sigmund Freud (1856 - 1939) e aprofunde seus conhecimentos sobre o médico autríaco, neurocientista e psicanalista, fundador da Psicanálise Clínica no Mundo. Para entrar em um farto link com obras inéditas de Freud, basta um clik aqui. (MC).

FRUSTRAÇÃO

Condição do indivíduo a quem é recusada ou que a si mesmo recusa a satisfação de uma exigência pulsional.

FUGA PARA A DOENÇA ou REFÚGIO NA DOENÇA

Expressão figurada que designa o facto de o indivíduo procurar na neurose um meio de escapar aos seus conflitos psíquicos. Esta expressão gozou de grande favor com a difusão da psicanálise; estendeu-se hoje, não apenas ao domínio das neuroses, mas ainda ao das doenças orgânicas em que pode ser posta em evidência uma componente psicológica.

FUSÃO - DESFUSÃO ou JUNÇÃO - DISJUNÇÃO ou INTRICAÇÃO - DESINTRICAÇÃO (DAS PULSÕES ou DOS IMPULSOS)

Termos usados por Freud, no quadro da sua última teoria das pulsões, para descrever as relações das pulsões de vida e das pulsões de morte tais como se traduzem nesta ou naquela manifestação concreta. A fusão das pulsões é uma verdadeira mistura em que cada um dos dois componentes pode entrar em proporções variáveis; a desfusão designa um processo cujo limite redundaria num funcionamento separado das duas espécies de pulsões, em que cada uma procuraria atingir o seu próprio alvo de forma independente.

G

 

GENEALOGIA FREUDIANA

O Psicanalista Mário Carabajal defende o exame genealógico como base importante ao conhecimento dos pacientes de psicanálise. Segundo o pesquisador, Freud preocupava-se muito com sua própria genealogia, sendo, - se importante para Freud, importante para os seres. A genealogia, garante um conhecimento científico da origem genética dos seres. É muito comum, pacientes ou clientes, buscarem a psicanálise objetivando conhecerem "vidas passadas" - a psicanálise não oferece esta possibilidade, contudo, pelo estudo genealógico, podemos oferecer significativos elementos constitutivos da história sucessória genética de nossos consulentes. Certamente que aquele que encontra-se a nossa frente, é tão somente herdeiro das múltiplas vidas das quais se originou em cadeia reprodutiva sucessória e eterna, contudo, levantamos a possibilidade de incursões e lembranças a partir da "regressão psicosugestiva genealógica" - Uma regressão especialmente preparada, para conduzir o paciente a viver psicosugestivamente, um momento passado, vivido por um de seus antepassados; - responsáveis, por traços de sua personalidade presente. (MC).

GENITAL (AMOR)

Expressão muitas vezes usada na linguagem psicanalítica contemporânea para designar a forma de amor que o indivíduo alcançaria no aperfeiçoamento do seu desenvolvimento psicossexual, o que não apenas supões o acesso à fase genital como a superação do complexo de Édipo.

H

HISTERIA

HOSTILIDADE

HIDROPSICANÁLISE

Teoria desenvolvida pelo Psicanalista Mário Carabajal, objetivando colocar o paciente, com roupas especiais, em meio líquido, na lâmina d'agua, suspenso por cintos, em tanque de relaxamento também especial, medindo aproximadamente um metro de largura por dois metros e meio de comprimento, e oitenta centímetros de profundidade. Isto, segundo o pesquisador, para uso em regiões muito quentes, ou no período de verão intenso. Exame dermatológico dos pacientes se faz necessário, ainda, a criação de dispositivos máximos de higiene e tratamento da água. (MC).

HISTERIA

Classe de neurose que apresentam quadros clínicos muito variados. As duas formas sintomáticas mais bem isoladas são a histeria de conversão, em que o conflito psíquico vem simbolizar-se nos sintomas corporais mais diversos, paroxísticos (exemplo: crise emocional com teatralidade) ou mais duradouros (exemplo: anestesias, paralisias histéricas, sensação de "bola" faríngica, etc.), e a histeria de angústia, em que a angústia é fixada de modo mais ou menos estável neste ou naquele objecto exterior (fobias). Foi na medida em que Freud descobriu no caso da histeria de conversão traços etio-patogênicos importantes, que a psicanálise pode referir a uma mesma estrutura histérica quadros clínicos variados que se traduzem na organização da personalidade e no modo de existência, e até quando não existem sintomas fóbicos e conversões patentes. A especificidade da histeria é procurada na predominância de um certo tipo de identificação e de certos mecanismos (nomeadamente o recalcamento, muitas vezes manifesto), e no aflorar do conflito edipiano que se desenrola principalmente nos registros libidinais fálico e oral.

HISTERIA DE ANGÚSTIA

Designação introduzida por Freud para isolar uma neurose cujo sintoma central é a fobia, e para sublinhar a sua semelhança estrutural com a histeria de conversão.

HISTERIA DE CONVERSÃO

Forma de histeria que se caracteriza pela predominância de sintomas de conversão.

HISTERIA DE DEFESA

Forma de histeria distinguida por Freud nos anos de 1894-95 das duas outras formas de histeria: a histeria hipnóide e a histeria de retenção. Especifica-se pela actividade de defesa que o indivíduo exerce contra representações susceptíveis de provocarem afectos desagradáveis. Logo que Freud reconhece a interferência da defesa em qualquer histeria, deixa de recorrer à designação de histeria de defesa e à distinção por ela suposta.

HISTERIA HIPNÓIDE

Expressão utilizado por Breuer e Freud nos anos de 1894-95: forma de histeria que teria origem nos estados hipnóides; o indivíduo não pode integrer na sua pessoa e na sua história as representações que surgem no decorrer desses estados. Estas formam então um grupo psíquico separado, inconsciente, susceptível de provocar efeitos patogênicos.

HISTERIA DE RETENÇÃO

Forma de histeria diferenciada por Breuer e Freud nos anos de 1894-95 de duas outras formas de histeria: a histeria hipnóide e a histeria de defesa. A sua patogenia caracteriza-se pelo facto de os efectos, nomeadamente sob a acção de circunstâncias exteriores desfavoráveis, não terem podido ser ab-reagidos.

HORTOMOLECULAR

Ciência moderna, capaz de investigar a estrutura molecular dos seres, oferecendo bases de sustentação à origem de diversos males psicossomáticos, facilitando a clínica psicanalítica. (MC).

HOSPITALISMO

Termo utilizado a partir dos trabalhos de René Spltz para designar o conjunto das perturbações somáticas e psíquicas provocadas em crianças (durante os primeiros 18 meses) por uma permanência prolongada numa instituição hospitalar onde são completamente privadas da mãe.

I

INDECISÃO

INVEJA

IRA

 

ID

Uma das três instâncias diferenciadas por Freud na sua segunda teoria do aparelho psíquico. O id constitui o pólo pulsional da personalidade; os seus conteúdos, expressão psíquica das pulsões, são inconscientes, em parte hereditários e inatos e em parte recalcados e adquiridos. Do ponto de vista econômico, o id é para Freud o reservatório primitivo da energia psíquica; do ponto de vista dinâmico, entra em conflito com o ego e o superego que, do ponto de vista genético, são diferenciações dele.

IDEAL

Expressão utilizada por Freud no quadro da sua segunda teoria do aparelho psíquico: instância da personalidade resultante da convergência do narcisismo (idealização do ego) e das identificações com os pais, com os seus substitutos e com os ideais colectivos. Enquanto instância diferenciada, o lideal do ego constitui um modelo a que o indivíduo procura conformar-se.

IDEALIZAÇÃO

Processo psíquico pelo qual as qualidades e o valor do objecto são levados a perfeição. A identificação com o objecto idealizado contribui para a formação e para o enriquecimento das chamadas instâncias ideais da pessoa (ego ideal, ideal do ego).

IDENTIDADE DE PERCEPÇÃO (ou PERCEPTUAL) - IDENTIDADE DE PENSAMENTO

Termos usados por Freud para designar aquilo para que tendem respectivamente o processo primário e o processo secundário. O processo primário visa reencontrar uma percepção idêntica à imagem do objecto resultante da vivência de satisfação. No processo secundário a identidade procurada é a dos pensamentos entre si.

IDENTIFICAÇÃO

Processo psicológico pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo dessa pessoa. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações.

IDENTIFICAÇÃO COM O AGRESSOR

Mecanismo de defesa isolado e descrito por Anna Freud (1936): o indivíduo, confrontado com um perigo exterior (representado tipicamente por uma crítica emanada de uma autoridade), identifica-se com o seu agressor, ou assumindo por sua própria conta a agressão enquanto tal, ou imitando física ou moralmente a pessoa do agressor, ou adaptando certos símbolos de poder que o designam. Segundo Anna Freud, este mecanismo seria predominante na construção da fase preliminar do superego, pois a agressão mantém-se então dirigida para o exterior e não se voltou ainda contra o indivíduo sob a forma de autocrítica.

IDENTIFICAÇÃO PRIMÁRIA

Modo primitivo de constituição do indivíduo segundo o modelo do outro, que não é secundário a uma relação previamente estabelecida em que o objecto estaria inicialmente situado como independente. A identificação primária é estreitamente correlativa da chamada relação de incorporação oral.

IDENTIFICAÇÃO PROJECTIVA

Expressão introduzida por Melanie Klein para designar um mecanismo que se traduz por fantasmas (fantasias), em que o indivíduo introduz a sua própria pessoa (his self) totalmente ou em parte no interior do objecto para o lesar, para possuir ou para o controlar.

IMAGO

Protótipo inconsciente de personagens que orienta de preferência a forma como o indivíduo apreende o outro; é elaborado a partir das primeiras relações inter-subjectivas reais e fantasmáticas com o meio familiar.

INCONSCIENTE

A) O adjectivo inconsciente é por vezes usado para exprimir o conjunto dos conteúdos não presentes no campo actual da consciência, isto num sentido "descritivo" e não "tópico", quer dizer, sem se fazer descriminação entre os conteúdos dos sistemas pré-consciente e inconsciente.
B) No sentido "tópico", inconsciente designa um dos sistemas definidos por Freud no quadro da sua primeira teoria do aparelho psíquico: é constituído por conteúdos recalcados aos quais foi recusado o acesso ao sistema pré-consciente-consciente, pela acção do recalcamento (recalcamento primitivo e recalcamento posterior).
Podemos resumir do seguinte modo as características essenciais do inconsciente como sistema (ou Ics):
a) Os seus "conteúdos" são "representantes" das pulsões;
b) Estes "conteúdos são regidos pelos mecanismos específicos do processo primário", nomeadamente a condensação e o deslocamento;
c) Fortemente investidos pela energia pulsional, procuram retornar à consciência e à ac;cão (retorno do recalcado); mas não podem ter acesso ao sistema Pcs-Cs senão nas formações de compromisso, depois de terem sido submetidos às deformações da censura;
d) São mais especialmente certos desejos da infância que conhecem uma fixação no inconsciente.
A abreviatura Ics (Ubw do alemão Unbewusste) designa o inconsciente sob a sua forma substantiva como sistema; Ics (ubw) é a abreviatura do adjectivo inconsciente (unbewusst) enquanto qualifica em sentido estrito os conteúdos do referido sistema.
C) No quadro da segunda tópica freudiana, o termo inconsciente é sobretudo usado na sua forma adjectiva; efectivamente, inconsciente deixa de ser o que é próprio de uma instância especial, visto que qualifica o Id e, em parte, o ego e o superego. Mas convém notar;
a) Que as características reconhecidas na primeira tópica ao sistema Ics são de um modo geral atribuídas ao Id na segunda;
b) 'Que a diferença entre o pré-consciente e o inconsciente, embora já não esteja baseada numa distinção inter-sistêmica, persiste como distinção intra-sistêmica ( o ego e o superego são em parte pré-conscientes e em parte inconscientes).
Para aprofundar seus estudos sobre o Inconsciente, disponibilizamos um excelente link diretamente com universidades espanholas. Clíck e desvende todas as suas dúvidas, ou, fundamente suas pesquisas sobre o Inconsciente.

INCORPORAÇÃO

Processo pelo qual o indivíduo, segundo um modo mais ou menos fantasmático, faz penetrar e conserva um objecto no interior do seu corpo. A incorporação constitui um alvo pulsional e um modo de relação de objecto característicos da fase oral; numa relação privilegiada com a actividade bucal e a ingestão de alimentos, pode igualmente ser vivida em relação com outras zonas erógenas e outras funções. Constitui o protótipo corporal da introjecção e da identificação.

INERVAÇÃO

Termo utilizado por Freud nos seus primeiros trabalhos para designar o facto de uma certa energia ser veiculada para esta ou aquela parte do corpo, ali produzindo fenômenos motores ou sensitivos. A inervação, fenômeno fisiológico, poderia produzir-se por conversão da energia psíquica em energia nervosa.

INIBIDO (A) QUANTO AO ALVO ou À META

Qualifica uma pulsão que, sob o efeito de obstáculos externos ou internos, não atinge o seu modo directo de satisfação (ou alvo) e encontra uma satisfação atenuada em actividades ou relações que podem ser consideradas como aproximações mais ou menos longínquas do alvo primitivo.

INTÂNCIA

No quadro de uma concepção simultaneamente tópica e dinâmica do aparelho psíquico, uma das diversas substruturas. Exemplo; instância da censura (primeira tópica), instância do superego (segunda tópica).

INSTINTO

A) Classicamente, esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco varia de um indivíduo para outro, que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações e que parece corresponder a uma finalidade.
B) Termo utilizado por certos autores psicanalíticos franceses como tradução ou equivalente do termo freudiano "trieb", para o qual, numa terminologia coerente, convém recorrer ao termo pulsão.

INTELECTUALIZAÇÃO

Processo pelo qual o indivíduo procura dar uma formulação discursiva aos seus conflitos e às suas emoções, de modo a dominá-los. O termo é, na maioria das vezes, mal interpretado; designa, nomeadamente no tratamento, a preponderância conferida ao pensamento abstracto sobre a emergência e o reconhecimento dos afectos e dos fantasmas.

INTERESSE ou INTERESSE DO EGO

Termo usado por Freud no quadro do seu primeiro dualismo pulsional: energia das pulsões de autoconservação por oposição à libido ou energia das pulsões sexuais.

INTERIORIZAÇÃO

A) Termo muitas vezes usado como sinônimo de introjecção.
B) Num sentido mais específico, processo pelo qual certas relações inter-subjectivas são transformadas em relações intra-subjectivas (interiorização de um conflito, de uma interdição, etc.)

INTERPRETAÇÃO

A) Destaque pela investigação analítica, do sentido latente existente nas palavras e nos comportamentos de um indivíduo. A interpretação traz à luz as modalidades do conflito defensivo e, em última análise, tem em vista o desejo que se formula em qualquer produção do inconsciente.
B) No tratamento, comunicação feita ao indivíduo e procurando fazê-lo aceder a esse sentido latente, segundo as regras determinadas pela direcção e a evolução do tratamento.

INTERVENSÃO (ou REINVERSÃO) DA PULSÃO

Processo pelo qual o alvo de uma pulsão se transforma no seu contrário, na passagem da actividade para a passividade.

INTROJEÇÃO

Processo evidenciado pela investigação analítica: o indivíduo faz passar, de um modo fantasmático, de "fora" para "dentro", objectos e qualidades inerentes a esses objectos. A introjecção aproxima-se da incorporação, que constitui o seu protótipo corporal, mas não implica necessariamente uma referência ao limite corporal (introjecção no ego, no ideal do ego, etc.).

INTROVERSÃO

Termo introduzido por Jung para designar de um modo geral o desapegar-se da libido dos seus objectos exteriores e a sua retracção sobre o mundo interior do indivíduo. Freud retomou o termo, mas limitando o seu emprego a uma retracção da libido resultante no investimento de formações intrapsíquicas imaginárias, o que é diferente de uma retracção da libido sobre o ego (narcisismo secundário).

INVEJA DO PÊNIS

Elemento fundamental da sexualidade feminina, a mola real da sua dialética. A inveja do pênis nasce da descoberta da diferença anatômica entre os sexos: a criança de sexo feminino sente-se lesada relativamente ao rapaz e deseja possuir um pênis como ele (complexo de castração); depois, esta inveja do pênis assume, no decorrer do Édipo, duas formas derivadas: desejo de adquirir um pênis dentro de si (principalmente sob a forma de desejo de ter um filho) e desejo de fruir do pênis no coito. A inveja do pênis pode redundar em numerosas formas patológicas ou sublimadas.

INVESTIMENTO

Conceito econômico: o facto de uma determinada energia psíquica se encontrar ligada a uma representação ou grupo de representações, a uma parte do corpo, um objecto, etc.

ISOLAMENTO

Mecanismo de defesa, sobretudo típico da neurose obsessiva, e que consiste em isolar um pensamento ou um comportamento, de tal modo que se acham quebradas as suas conexões com outros pensamentos ou com o resto da existência do indivíduo. Entre os processos de isolamento, citemos as pausas no decurso do pensamento, fórmulas, rituais, e, de um modo geral, todas as medidas que permitem estabelecer um hiato na sucessão temporal dos pensamentos ou dos actos.

JUÍZO (ou JULGAMENTO) DE CONDENAÇÃO

Operação ou atitude pela qual o indivíduo, ao tomar consciência de um desejo, a si mesmo proíbe a sua realização, principalmente por razões morais ou de oportunidade. Freud vê aqui um modo de defesa mais elaborado e mais adaptado que o recalcamento. Daniel lagache propôs que ele fosse considerado um processo de "desimpedimento" do ego, actuando nomeadamente no tratamento analítico.

L

LATÊNCIA

Período que vai do declínio da sexualidade infantil (aos cinco ou seis anos) até ao início da puberdade, e que marca um intervalo na evolução da sexualidade. Nele se observa, deste ponto de vista, uma diminuição das actividades sexuais, a dessexualização das relações de objecto e dos sentimentos ( e, especialmente, a predominância da ternura sobre os desejos sexuais), o aparecimento de sentimentos como o pudor ou a repugnância e de aspirações morais e estéticas. Segundo a teoria psicanalítica, o período de latência tem a sua origem no declínio do complexo de Édipo; corresponde a uma intensificação do recalcamento - que tem como efeito uma amnésia que cobre os primeiros anos -, a uma transformação dos investimentos de objectos em identificações com os pais e a um desenvolvimento das sublimações.

LEI DE RETORNO

Termo utilizado pelo Psicanalista Mário Carabajal para definir o Recuo Experimental Avançado que todos os seres naturalmente são levados a vivenciar. Todos os conceitos validados pelos seres, em algum momento são concretamente vividos, oportunizando sua refutação ou validação definitiva. Logo, Carabajal defende, sermos um reflexo do que pensamos e acreditamos, e nessa direção caminhamos, evidenciando, vivermos tudo quanto acreditamos, o que caracteriza a Lei de Retorno. (MC).

LIBIDO

Energia postulada por Freud como substrato das transformações da pulsão sexual quanto ao objecto ( deslocamento dos investimentos), quanto ao alvo (sublimação, por exemplo) e quanto à fonte da excitação sexual (diversidade das zonas erógenas). Em Jung, a noção de libido alargou-se ao ponto de designar "a energia psíquica"em geral, presente em tudo o que é "tendência para", "appetítus".

LIBIDO DO EGO - LIBIDO OBJECTAL

Expressões introduzidas por Freud para distinguir duas modalidades de investimento da libido: esta pode tomar como objecto, ou a própria pessoa (libido do ego ou narcísica), ou um objecto exterior (libido objectal). Existe, segundo Freud, uma balança energética entre estas duas modalidades de investimento, em que a libido objectal diminui quando aumenta a libido do ego, e inversamente.

LIBIDO NARCÍSICA

Ver: Libido do ego - libido objectal

LIGAÇÃO

Embora o termo "ligação" deva ser relacionado com a oposição entre energia livre e energia ligada, o seu sentido não se esgota nessa acepção puramente econômica: para além do seu significado propriamente técnico, este termo, que se encontra em diversos momentos da obra de Freud, vem assinalar uma constante exigência da conceptualização. Em vez de recensearmos as suas acepções, preferimos situar o seu alcance em três momentos da metapsicologia em que ele desempenha um papel preponderante.

LITEROPSICANÁLISE

Termo criado pelo Psicanalista Mário Carabajal, para definir a psicanálise aplicada sob métodos literoterápicos em pacientes alfabetizados, na condição especial de mudos ou surdos. (MC).

LITEROTERAPIA

Teoria da Técnica clínica anamnética de diagnóstico, tratamento e cura, desenvolvida pelo Psicanalista Mário Carabajal, sob a utilização da literatura "com fins clínicos ou naturalmente estabilizadores". Poesia, textos e questionários são os componentes básicos desse ramo clínico. Todos os escritores trabalham naturalmente com a literoterapia. Dão vazão às tensões e o que se faria em desequilíbrios - que por sua vez se traduziriam em distúrbios em forma de transtornos psicanaliticamente ativos, através da escrita. Pacientes graves de psiquiatria, sem nem mesmo o simples diálogo básico, ao submetidos a tratamento literoterapêutico pela Ph.I. e doutora em psicanálise Manuela Cacilda Carabajal Lopes, mãe do psicanalista e pesquisador Mário Carabajal, em 2004, resultaram em altíssimos níveis de melhora do paciente, muito em breve, aqui, linkaremos alguns destes diálogos literoterápicos de grande contribuição à evolução da psicanálise em pacientes graves da psiquiatria. (MC).


M

 

MÁGOA

MASCULINIDADE - FEMINILIDADE (ou FEMINIDADE)

Oposição retomada pela psicanálise e que esta mostrou ser muito mais complexa do que geralmente se crê: a forma como o indivíduo humano se situa relativamente ao seu sexo biológico é o termo aleatório de um processo conflitual.

MASOQUISMO

Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou à humilhação do indivíduo. Freud estende a noção de masoquismo para além da perversão descrita pelos sexólogos, reconhecendo, por um lado, elementos dela em numerosos comportamentos sexuais, e rudimentos na sexualidade infantil, e, por outro, descrevendo formas que dela derivam, designadamente o "masoquismo moral", no qual o indivíduo, devido a um sentimento de culpa inconsciente, procura a posição de vítima sem que um prazer sexual esteja directamente implicado no facto.

MATERIAL

Termo utilizado em psicanálise para designar o conjunto das palavras e dos comportamentos do paciente enquanto constituem uma espécie de matéria-prima oferecida às interpretações e construções.

MATERNAGEM ou MATERNALIZAÇÃO

Técnica de psicoterapia das psicoses, e particularmente da esquizofrenia, que procura estabelecer entre o terapeuta e o paciente, de um modo simultaneamente simbólico e real, uma relação análoga à que existiria entre uma "boa mãe" e o filho.

MECANISMOS DE DEFESA

Diversos tipos de operações em que se pode especificar a defesa. Os mecanismos predominantes são "diferentes consoantes" ao tipo de afecção que se considere, a etapa genética, o grau de elaboração do conflito defensivo, etc. Existe acordo em dizer que os mecanismos de defesa são utilizados pelo ego, mas mantém-se em aberto a questão teórica de saber se a sua utilização pressupões sempre a existência de um ego organizado que seja o seu suporte.

MECANISMOS DE DESIMPEDIMENTO

Noção introduzida por Edward Blbring (1943) e retomada por Caniel Lagache (1956) na sua elaboração da teoria psicanalítica do ego, para explicar a resolução do conflito defensivo, mormente no tratamento. D. Lagache opõe os mecanismos de desimpedimento aos mecanismos de defesa: enquanto estes têm por fim apenas a urgente redução das tensões internas, em conformidade com o princípio de desprazer-prazer, aqueles tendem para a realização das possibilidades, ainda que à custa de um aumento de tensão. Esta oposição resulta de que os mecanismos de defesa - ou compulsões defensivas - são automáticos e inconscientes, permanecem sob o domínio do processo primário e tendem para a identidade de percepção, ao passo que os mecanismos de desimpedimento obedecem ao princípio de identidade dos pensamentos e permitem ao indivíduo libertar-se progressivamente da repetição das suas identificações alienantes.

MEDO

METAPSICOLOGIA

Termo criado por Freud para designar a psicologia por ele fundada, considerada na sua dimensão mais teeórica. A metapsicologia elabora um conjunto de modelos conceptuais mais ou menos distantes da experiência, tais como a ficção de um aparelho dividido em instâncias, a teoria das pulsões, o processo do relacionamento, etc. a metapsicologia toma em consideração três pontos de vista; dinâmico, tópico e econômico.

MINERALOGRAMA

Exame auxiliar à psicanálise clínica onde são evidenciados vinte e nove minerais do organismo humano, oferecendo os elementos à orientação pelo psicanalista, quanto ao equilíbrio do paciente, no tocante a sais minerais e vitaminas. Introduzido como auxiliar diagnóstico em psicanálise pelo psicanalista Mário Carabajal. São necessárias 1 grama de cabelo, da região da nuca. A embalagem; "balança" e orientações para sua utilização, são oferecidas pelo Centro de Pesquisas Médicas Avançadas - do Rio de Janeiro. (MC).

MOÇÃO PULSIONAL

Expressão utilizada por Freud para designar a pulsão sob o seu aspecto dinâmico, quer dizer, na medida em que se actualiza e se especifica num estímulo interno determinado.

MUSICOTERAPIA

Para os musicoterapeutas tocar algum instrumento como forma terapêutica. Para a psicanálise, a utilização da música para alcançar níveis de freqüências cíclicas cerebrais diferenciadas durante o tratamento psicanalítico. O psicanalista Mário Carabajal, após as primeiras consultas, de acordo com o histórico do paciente, aconselho o uso para levar o paciente às várias épocas sugeridas pelo tipo de música, orquestrada ou instrumental para este fim. A música com letra, muito bem selecionada, poderá servir de forte aliada do psicanalista à reprogramação de pacientes vítimas de deformidade ou fortes desvios nas programações originais. As letras podem ser usadas com reforço pelo psicanalista sobre o conteúdo de interesse clínico reprogramativo a ser interiorizado pelo paciente. A música "Coração de Estudante" foi utilizada por Mário Carabajal à reprogramação de valores em paciente grave de psiquiatria, com resultados significativos em assertivas. (MC).


N

NARCISISMO

Em referência ao mito de Narciso, amor que se tem pela imagem de si mesmo.

NARCISISMO PRIMÁRIO, NARCISISMO SECUNDÁRIO

O narcisismo primário designa um estado precoce em que a criança investe toda a sua libido em si mesma. O narcisismo secundário designa um retorno ao ego, da libido retirada dos seus investimentos objectais.

NECESSIDADE DE CASTIGO ou DE PUNIÇÃO

Exigência interna postulada por Freud como origem do comportamento de certos indivíduos em quem a investigação psicanalítica mostra que procuram situações penosas ou humilhantes e se comprazem nelas (masoquismo moral). O que há de irredutível em tais comportamentos deveria, em última análise, ser referido à pulsão de morte.

NEGAÇÃO ou DE NEGAÇÃO

Processo pelo qual o indivíduo, embora formulando um dos seus desejos, pensamentos ou sentimentos, até aí recalcado continua a defender-se dele negando que lhe pertença.

NEURASTENIA

Afecção descrita pelo médico americano George Beard (1839-1883), que compreende um quadro clínico centrado numa fadiga física de origem "nervosa" e sintomas dos mais diversos registros. Freud foi um dos primeiros a sublinhar a extensão excessiva tomada por esta síndrome, que deve em parte ser desmontado em benefício de outras entidades clínicas. Nem por isso deixa de conservar a neurastenia como uma neurose autônoma; caracteriza-a pela impressão de fadiga física, as cefaléias, a dispepsia, a prisão de ventre, as parastesias espinais, o empobrecimento da actividade sexual. Fá-la entrar no quadro das neuroses actuais, ao lado da neurose de angústia, e procura a sua etiologia num funcionamento sexual incapaz de resolver de forma adequada a tensão libidinal (masturbação).

NEUROSE

Afecção psicogênica em que os sintomas são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem as suas raízes na história infantil do indivíduo e constitui compromissos entre o desejo e a defesa. A extensão do termo "neurose" tem variado; nos nossos dias tende-se a reservá-lo, quando isolado, para as formas clínicas que podem ser ligadas à neurose obsessiva, à histeria e à neurose fóbica. A nosografia distingue assim neuroses, psicoses, perversões e afecções psicossomáticas, enquanto o estatuto nosográfico daquilo a que se chama "neuroses actuais", "neuroses traumáticas" ou "neuroses de carácter' continua a ser discutido.

NEUROSE DE ABANDONO

Denominação introduzida por psicanalistas suíços (Charles Odier, Germaine Guex) para designar um quadro clínico em que predominam a angústia do abandono e a necessidade de segurança de segurança. Trata-se de uma neurose cuja etiologia seria pré-edipiana. Não corresponderia necessariamente a um abandono sofrido na infância. Os indivíduos que apresentam esta neurose chamam-se "abandônicos'.

NEUROSE ACTUAL

Tipo de neurose que Freud distingue das psiconeuroses:
a) A origem das neuroses actuais não deve ser procurada nos conflitos infantis, mas no presente;
b) Os sintomas não são, nelas, uma expressão simbólica e super-determinada, mas resultam directamente da inadequação da satisfação saxual.
Freud incluiu inicialmente nas neuroses actuais a neurose de angústia e a neurastenia, e propôs ulteriormente incluir também nelas a hipocondria.

NEUROSE DE ANGÚSTIA

Tipo de doença que Freud isolou e diferenciou:
a) Do ponto de vista sintomático, da neurastenia, pela predominância de angustia (espera ansiosa crônica, acessos de angústia ou equivalentes somáticos desta);
b) Do ponto de vista etiológico, da histeria; a neurose de angústia é uma neurose actual, mais especificamente caracterizada pela acumulação de uma excitação sexual que se transformaria directamente em sintoma, sem mediação psíquica.

NEUROSE DE CARÁCTER

Tipo de neurose em que o conflito defensivo não se traduz pela formação de sintomas nitidamente isoláveis, mas por traços de carácter, modos de comportamento, e mesmo uma organização patológica do conjunto da personalidade.

NEUROSE DE DESTINO

Designa uma forma de existência caracterizada pelo retorno periódico de encadeamentos idênticos de acontecimentos, geralmente infelizes, encadeamentos a que o indivíduo parece estar submetido como a uma fatalidade exterior, quando, segundo a psicanálise, convém procurar as suas causas no inconsciente, e especificamente na compulsão à repetição.

NEUROSE FAMILIAR

Expressão usada para designar o facto de, em determinada família, as neuroses individuais se completarem, se condicionarem reciprocamente, e para evidenciar a influência patogênica que sobre as crianças pode exercer a estrutura família, principalmente a do casal parental.

NEUROSE DE FRACASSO

Denominação introduzida por René Laforgue e cuja acepção é muito lata: designa a estrutura psicológica de toda uma gama de indivíduos, desde aqueles que, de um modo geral, parecem ser os artífices da sua própria infelicidade até aos que não podem suportar obterem precisamente o que mais ardentemente parecem desejar.

NEUROSE MISTA

Forma de neurose caracterizada pela coexistência de sintomas provenientes, segundo Freud de neuroses etiológicamente diferentes.

NEUROSE NARCÍSICA

Expressão que tende hoje a esfumar-se do uso psiquiátrico a psicanalítico, mas que encontramos nos escritos de Freud para designar uma doença mental caracterizada pela retracção da libido sobre o ego. Opõe-se assim às neuroses de transferência. Do ponto de vista nosográfico, o grupo das neuroses narcísicas abrange o conjunto das psicoses funcionais 9cujos sintomas não são efeitos de uma lesão somática).

NEUROSE OBSESSIVA

Espécie de neuroses definidas por Freud e que constituem um dos quadros principais da clínica psicanalítica. Na forma mais típica, o conflito psíquico exprime-se pr sintomas chamados compulsivos (idéias obsidiantes, compulsão a realizar actos indesejáveis, luta contra estes pensamentos e estas tendências, ritos esconjuratórios, etc.) e por um modo de pensar caracterizado nomeadamente pela ruminação mental, a dúvida, os escrúpulos, e que leva a inibições do pensamento e da acção. Freud definiu sucessivamente a especificidade etiopatogênica da neurose obsessiva do ponto de vista dos mecanismos (deslocamento do afecto para representações mais ou menos distantes do conflito original, isolamento, anulação retroactiva; do ponto de vista da vida pulsional (ambivalência, fixação na fase anal e regressão); e, por fim, do ponto de vista tópico ( relação sado-masoquista interiorizada sob a forma da tensão entre o ego e um superego particularmente cruel). Esta elucidação da dinâmica subjacente à neurose obsessiva e, por outro lado, a descrição do carácter anal e das formações reactivas que o constituem, permitem ligar à neurose obsessiva quadros clínicos em que os sintomas propriamente ditos não são evidentes à primeira vista.

NEUROSE DE TRANSFERÊNCIA

A) No sentido nosográfico, categoria de neuroses (histeria de angústia, histeria de conversão, neurose obsessiva) que Freud distingue das neuroses narcísicas, no seio do grupo das psiconeuroses. Relativamente às neuroses narcísicas, estas caracterizam-se pelo facto de a libido ser sempre deslocada para objectos reais ou imaginários em lugar de se retrair sobre o ego. Daqui resulta que são mais acessíveis ao tratamento psicanalítico porque se prestam à constituição no tratamento de uma neurose de transferência no sentido B.
B) Na teoria do tratamento psicanalítico, neurose artificial em que tendem a organizar-se as manifestações de transferência. Ela constitui-se em torno da relação com o analista; é uma nova edição da neurose clínica; a sua elucidação leva à descoberta da neurose infantil.

NEUROSE TRAUMÁTICA

Tipo de neurose em que o aparecimento dos sintomas é consecutivo a um choque emotivo geralmente ligado a uma situação em que o indivíduo sentiu a sua vida ameaçada. Manifesta-se, no momento do choque, por uma crise ansiosa paroxística que pode provocar estados de agitação de entorpecimento ou de confusão mental. A sua evolução ulterior, surgindo a maior parte das vezes após um intervalo livre, permitiria que se distinguissem esquematicamente dois casos:
a) O traumatismo age como elemento desencadeante, revelador de uma estrutura neurótica preexistente;
b) O traumatismo toma parte determinante no próprio conteúdo do sintoma (ruminação do acontecimento traumatizante, pesadelo repetitivo, perturbações do sono, etc.), que aparece como uma tentativa repetida para "ligar" e ab-reagir o trauma; tal " fixação no trauma" é acompanhada de uma inibição mais ou menos generalizada da actividade do indivíduo.

É a este último quadro que Freud o os psicanalistas reservam habitualmente a denominação de neurose traumática.

NEUTRALIDADE

Uma das qualidades que definem a atitude do analista no tratamento. O analista deve ser neutro quanto aos valores religiosos, morais e sociais, isto é, não dirigir o tratamento em função de umideal qualquer e abster-se de qualquer conselho; neutro quanto às manifestações transferenciais, o que se exprime habitualmente pela fórmula "não entrar no jogo do paciente"; por fim, neutro quanto ao discurso do analisando, isto é, não privilegiar a priori, em função de preconceitos teóricos, um determinado fragmento ou um determinado tipo de significações.

NIRVANA


O


OBJETO

A noção de objecto é encarada em psicanálise sob três aspectos principais:
A) Enquanto correlativo da pulsão, ele é aquilo em que e por que esta procura atingir o seu alvo, isto é, um certo tipo de satisfação. Pode tratar-se de uma pessoa ou de um objecto parcial, de um objecto real ou de um objecto fantasmático.
B) Enquanto correlativo do amor (ou do ódio), a relação em causa é então a de pessoa total, ou da instância do ego, com um objecto visado também como totalidade (pessoa, entidade, ideal, etc.); (o adjetivo correspondente seria "objectal").
C) No sentido tradicional da filosofia e da psicologia do conhecimento, enquanto correlativo do sujeito que percebe e conhece, é aquilo que se oferece com características fixas e permanentes, reconhecíveis de direito pela universalidade dos sujeitos, independentemente dos desejos e das opiniões dos indivíduos (o adjectivo correspondente seria "objectivo").

OBJETO PARCIAL

Tipo de objecto visados pelas pulsões parciais, sem que tal implique que uma pessoa, no seu conjunto, seja tomada como objecto de amor. Trata-se principalmente de partes do corpo, reais ou fantasmadas (seio, fezes, pênis), e dos seus equivalentes simbólicos. Até uma pessoa pode identificar-se ou ser identificada com um objecto parcial.

OBJECTO TRANSICIONAL

Expressão introduzida por D.W. Winnicott para designar um objecto material que possui um valor de afeição para o lactente e para a criança, nomeadamente no momento do adormecer (por exemplo, a ponta do cobertor ou do lençol, um guardanapo para chupar). O recurso a objectos deste tipo é, segundo o autor, um fenômeno normal que permite à criança efectuar a transição entre a primeira relação oral com a mãe e a verdadeira relação de objecto.

ÓDIO

ORGANIZAÇÃO DA LIBIDO

Coordenação relativa das pulsões parciais, caracterizadas pelo primado de uma zona erógena e um modo específico de relação de objeto. Consideradas numa sucessão temporal, as organizações da libido definem as fases da evolução psicossexual infantil.

ORGULHO

 

p

 

PABLO CASSO

Autor da TEORIA DA MENTE HUMANA.

PACIENTE REFLEXO

Paciente vítima do paciente propriamente dito. Desenvolve transtornos psicanaliticamente ativos por força das dificuldades e complexidades no trato com o paciente. O paciente reflexo encontra-se no raio de ação, sofrendo por reflexo às patologias do paciente. Insônias, desregramentos, não atendimento de compromissos assumidos, insegurança decorrente da possibilidade de agravamanto do paciente principal. Entre outros. (MC).

PAIS COMBINADOS, IMAGO DE PAIS COMBINADOS

Expressão introduzida por Melanie Klein para designar uma teoria sexual infantil que se exprime em diversas fantasias que representam os pais unidos numa relação sexual ininterrupta, a mãe contendo o pênis do pai, ou o pai na sua totalidade, e o pai contendo o seio da mãe, ou a mãe na sua totalidade - os pais inseparavelmente confundidos num coito.

PAIXÃO

PENA (ou Dó)

PÂNICO

PARADIGMA DE SEGURANÇA DO SER

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, refere-se aos pesos interiorizados de experiências vividas pelos seres. Cada evento assume uma postura em torno do ser. O conjunto de conceitos e experiências máximas e mínimas, formam uma linha tensional a qual compreende o paradigma de segurança do ser. Enquanto o ser não viver outras experiências que ultrapassem as já codificadas internamente (catéxicas) o ser estará sob àquele conceito. Dependendo do conjunto paradigmaximizativo ou paradigminimizativo, do ponto de vista das experiências ou conceitos assimilados, teremos seres mais, ou menos seguros. (MC).

PARA-EXCITAÇÕES

Termo utilizado por Freud no quadro de um modelo psicofisiológico para designar uma certa função e o aparelho que é seu suporte. A função consiste em proteger o organismo contra as excitações provenientes do mundo exterior que, pela sua intensidade, ameaçariam destruí-lo. O aparelho é concebido como uma camada superficial que envolve o organismo e filtra passivamente as excitações.

PARAFRENIA

A) Termo proposto por Kraepelin para designar certas psicoses delirantes crônicas que, como a paranóia, não são acompanhadas de enfraquecimento intelectual e não evoluem para a demência, mas que se aproximam da esquizofrenia pelas suas construções delirantes ricas e mal sistematizadas, à base de alucinações e fabulações.
B) Termo proposto por Freud para designar, quer a esquizofrenia ("parafrenia propriamente dita"), quer o grupo paranóia-esquisofrenia.

Atualmente, a acepção de Kraepelin prevalece completamente sobre a que foi proposta por Freud.

PARANÓIA

Psicose crônica caracterizada por um delírio mais ou menos bem sistematizado, pelo predomínio da interpretação e pela ausência de enfraquecimento intelectual, e que geralmente não evolui para a deterioração.

Freud inclui na paranóia não só o delírio de perseguição, como a erotomania, o delírio de ciúme e o delírio de grandeza.

PARANÓIDE

O mesmo que "posição paranóide e paranóia".

PAR DE OPOSTOS

Expressão freqüentemente utilizada por Freud para designar grandes oposições básicas, quer ao nível das manifestações psicológicas e psicopatológicas (por exemplo, sadismo-masoquismo, voyeurismo-exibicionismo), quer ao nível metapsicológico (por exemplo, pulsões de vida-pulsões de morte).

PAVOR ou SUSTO

Reação a uma situação de perigo ou a estímulos externos muito intensos que surpreendem o sujeito num tal estado de não-preparação, que ele não é capaz de se proteger dos mesmos ou de dominá-los.

PENSAMENTO

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, são resultantes eletroquímicas neurotranscodificadas pelos seres, após serem cosmogenicamente impressos nos vegetais (reação nuclear e propagação espectral de raios gama até a Terra, sendo absorvidos pelos vegetais) e por estes quimicamente codificados. Os seres, segundo Mário Carabajal, fazem a transcodificação das energias cósmicas; leitura eletroquímica a partir da alimentação. A origem concreta do pensamento, segundo esta teoria, tem raízes no infinito cosmo, processando-se em diversos níveis e instâncias até ser, via alimentação, captado e transcodificado neuroeletroquimicamente pelos seres, transliterando-os e colocando-os em linha direta de difusão para o aproveitamento sistêmico social integrado a vida universal. A origem concreta dos pensamentos encontra-se na leitura eletroquímica dos substratos químicos alimentares. Segundo o pesquisador, há que se diferenciar Pensamentos, Lembranças e Associações. O primeiro é original o segundo, recorrências a conceitos próprios ou de terceiros, anteriormente interiorizados. O terceiro, entrecruzamento de informações interiorizadas. Tanto Lembranças como Associações, podem utilizar os Pensamentos Originais do Ser. Ou seja, de transcodificações eletroquímicas de substratos químicos alimentares. (MC).

PENSAMENTOS (LATENTES) DO SONHO

O mesmo que conteúdo latente

PENSAMENTO LIBERTO

Segundo o Psicanalista Mário Carabajal, refere-se ao sonho; - pinçamos uma série de elementos independentemente de ordem, de convenções e pressões do meio externo. Compõe a Rede Natural Individual. Diz respeito às necessidades internas do ser para acomodar as impressões recebidas dos meios externos. Mesmo liberto, atendendo às necessidades máximas de equilíbrio do ser, utilizam-se de pulsões resultantes de pensamentos condicionados para operarem a uma perspectiva reducional de tensões ou excitações (Veja: Nirvana). (MC).

PENSAMENTO CONDICIONADO

Refere-se aos pensamentos que se nos ocorrem em estado de vigília, "real" - pinçamos uma série ordenada de elementos. Refere-se a Rede natural social. Funciona como pensamentos reativos aos estímulos recebidos pelos meios. Ainda, refere-se aos pensamentos sistemicamente ordenados, em seqüência de consecução. Utilizado em 1997 pelo pesquisador Mário Carabajal quando do desenvolvimento da teoria sobre a origem concreta do pensamento. (MC).

PERCEPÇÃO-CONSCIÊNCIA (Pc-Cs)

O mesmo que Consciência.

PERLABORAÇÃO

Processo pelo qual a análise integra uma interpretação e supera as resistências que ela suscita. Seria uma espécie de trabalho psíquico que permitiria ao sujeito aceitar certos elementos recalcados e libertar-se da influência dos mecanismos repetitivos. A perlaboração é constante no tratamento, mas atua mais particularmente em certas fases em que o tratamento parece estagnar e em que persiste uma resistência, ainda que interpretada.

Correlativamente, do ponto de vista técnico, a perlaboração é favorecida por interpretações do analista que consistem principalmente em mostrar como as significações em causa se encontram em contextos diferentes.

PERVERSÃO

Desvio em relação ao ato sexual "normal", definido este como coito que visa a obtenção do orgasmo por penetração genital, com uma pessoa do sexo oposto.
Diz-se que existe perversão quando o orgasmo é obtido com outros objetos sexuais (homossexualidade, pedofilia, bestialidade, etc.), ou por outras zonas corporais (coito anal, por exemplo) e quando o orgasmo é subordinado de forma imperiosa a certas condições extrínsecas (fetichismo, travestismo, voyeurismo e exibicionismo, sadomasoquismo); estas podem mesmo proporcionar, por si sós, o prazer sexual.
De forma mais englobante, designa-se por perversão o conjunto do comportamento psicossexual que acompanha tais atipias na obtenção do prazer sexual.

PLASTICIDADE DA LIBIDO

Capacidade que a libido tem de mudar com maior ou menor facilidade de objeto e de modo de satisfação.

PONTE DA PULSÃO

Origem interna específica de cada pulsão determinada, quer o lugar onde aparece a excitação (zona erógena, órgão, aparelho), quer o processo somático que se produziria nessa parte do corpo e seria apercebido como excitação.

POSIÇÃO DEPRESSIVA

Segundo Melanie Klein, modalidade das relações de objeto consecutiva à posição paranóide; institui-se por volta dos quatro meses de idade e é progressivamente superada no decorrer do primeiro ano, ainda que possa ser encontrada durante a infância e reativada no adulto, particularmente no luto e nos estados depressivos. Caracteriza-se pelo seguinte; a criança passa a ser capaz de apreender a mãe como objeto total; a clivagem entre "bom" e "mau" objeto atenua-se, pois as pulsões libidinais e hostis tendem a referir-se ao mesmo objeto; a angústia, chamada depressiva, incide no perigo fantasístico de destruir e perder a mãe por causa do sadismo do sujeito; essa angústia é combatida por diversos modos de defesa (defesas maníacas ou defesas mais adequadas: reparação, inibição da agressividade) e superada quando o objeto amado é introjetado de forma estável e tranqüilizadora.

POSIÇÃO PARANÓIDE

Segundo Melanie Klein, modalidade das relações de objeto específica dos quatro primeiros meses da existência, mas que pode ser encontrada posteriormente no decorrer da infância e, no adulto, particularmente nos estados paranóico e esquizofrênico.

Caracteriza-se pelos aspectos seguintes: as pulsões agressivas coexistem desde o início com as pulsões libidinais e são particularmente fortes; o objeto é parcial (principalmente o seio materno) e clivado em dois, o "bom" e o "mau" objeto*; os processos psíquicos predominantes são a introjeção* e a projeção*; a angústia, intensa, é de natureza persecutória (destruição pelo "mau" objeto).

PRAZER

PRAZER DE ÓRGÃO

Modalidade de prazer que caracteriza a satisfação auto-erótica das pulsões parciais: a excitação de uma zona erógena acha o seu apaziguamento no próprio lugar em que se produz, independentemente da satisfação das outras zonas e sem relação direta com a realização de uma função.

PRÉ-CONSCIENTE

Termo utilizado por Freud no quadro da sua primeira tópica. Como substantivo, designa um sistema do aparelho psíquico nitidamente distinto do sistema inconsciente (Ics); como adjetivo, qualifica as operações e conteúdos desse sistema pré-consciente (Pcs). Estes não estão presentes no campo atual da consciência e, portanto, são inconscientes no sentido "descritivo" - mas que permanecem de direito acessíveis à consciência (conhecimentos e recordações não atualizados, pr exemplo).

Do ponto de vista metapsicológico, o sistema pré-consciente rege-se pelo processo secundário. Está separado do sistema inconsciente pela censura, que não permite que os conteúdos e os processos inconscientes passem para o Pcs sem sofrerem transformações.
No quadro da segunda tópica freudiana, o termo pré-consciente é sobretudo utilizado como adjetivo, para qualificar o que escapa à consciência atual sem ser inconsciente no sentido estrito. Do ponto de vista sistemático, qualifica conteúdos e processos ligados ao ego quanto ao essencial, e também ao superego.

PRÉ-EDIPIANO

Qualifica o período do desenvolvimento psicossexual anterior à instauração do complexo de Édipo; nesse período predomina, nos dois sexos, o apego à mãe.

PRÉ-GENITAL

Adjetivo usado para qualificar as pulsões, as organizações, as fixações, etc. que se referem ao período do desenvolvimento psicossexual em que o primado da zona genital ainda não se estabeleceu - retome, "organização da libido".

PREGUIÇA

PREOCUPAÇÃO

PRESSÃO (DA PULSÃO)

Fator quantitativo variável de que cada pulsão se reveste e que explica, em última análise, a ação desencadeada para obter a satisfação; mesmo quando a satisfação é passiva (ser visto, ser espancado), a pulsão é ativa na medida em que exerce uma "pressão".

PRINCÍPIO DE CONSTÂNCIA

Princípio enunciado por Freud, segundo o qual o aparelho psíquico tende a manter a nível tão baixo ou, pelo menos, tão constante quanto possível a quantidade de excitação que contém. A constância é obtida, por um lado, pela descarga da energia já presente e, por outro, pela evitação do que poderia aumentar a quantidade de excitação e pela defesa contra esse aumento.

PRINCÍPIO DE INÉRCIA (NEURÔNICA)

Princípio de funcionamento do sistema neurônico postulado por Freud no projeto para uma psicologia científica em 1895: os neurônios tendem a evacuar completamente as quantidades de energia que recebem.

PRINCÍPIO DE NIRVANA

Denominação proposta por Bárbara Low e retomada por Freud para designar a tendência do aparelho psíquico para levar a zero ou pelo menos para reduzir o mais possível nele qualquer quantidade de excitação de origem externa ou interna.

PRINCÍPIO DE PRAZER

Um dos dois princípios que, segundo Freud, regem o funcionamento mental: a atividade psíquica no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer. É um princípio econômico na medida em que o desprazer está ligado ao aumento das quantidades de excitação e o prazer à sua redução.

PRINCÍPIO DE REALIDADE

Um dos princípios que, segundo Freud, regem o funcionamento mental. Forma par com o princípio de prazer, e modifica-o; na medida em que consegue impor-se como princípio regulador, a procura da satisfação já não já não se efetua pelos caminhos mais curtos, mas faz desvios e adia o seu resultado em função das condições impostas pelo mundo exterior.

Encarado do ponto de vista econômico, o princípio de realidade corresponde a uma transformação da energia livre em energia ligada; - do ponto de vista tópico, caracteriza essencialmente o sistema pré-consciente-consciente; do ponto de vista dinâmico, a psicanálise procura basear a intervenção do princípio de realidade num certo tipo de energia pulsional que estaria mais especialmente a serviço do ego. - Retome: pulsões do ego.

PROCESSO PRIMÁRIO, PROCESSO SECUNDÁRIO

Os dois modos de funcionamento do aparelho psíquico, tais como foram definidos por Freud. Podemos distingui-los radicalmente:
a) do ponto de vista tópico: o processo primário caracteriza o sistema inconsciente e o processo secundário caracteriza o sistema pré-consciente-consciente;
b) do ponto de vista econômico-dinâmico: no caso do processo primário, a energia psíquica escoa-se livremente, passando sem barreiras de uma representação para outra segundo os mecanismos de deslocamento e de condensação; tende a reinvestir plenamente as representações ligadas às vivências de satisfação constitutivas do desejo (alucinação primitiva). No caso do processo secundário, a energia começa por estar "ligada" antes de se escoar de forma controlada; as representação são investidas de uma maneira mais estável, a satisfação é adiada, permitindo assim experiências mentais que põem à prova os diferentes caminhos possíveis de satisfação.
A oposição entre processo primário e processo secundário é correlativa da oposição entre princípio de prazer e princípio de realidade.

PROJEÇÃO

A) Termo utilizado num sentido muito geral em neurofisiologia e em psicologia para designar a operação pela qual um fato neurológico ou psicológico é deslocado e localizado no exterior, quer passando do centro para a periferia, quer do sujeito para o objeto. Este sentido compreende acepções bastante diferentes.
B) No sentido propriamente psicanalítico, operação pela qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro - pessoa ou coisa - qualidades, sentimentos, desejos e mesmo "objetos" que ele desconhece ou recusa nele. Trata-se aqui de uma defesa de origem muito arcaica, que vamos encontrar em ação particularmente na paranóia, mas também em modos de pensar "normais", como a superstição.

PROVA DE REALIDADE

Processo, postulado por Freud, que permite ao sujeito distinguir os estímulos provenientes do mundo exterior dos estímulos internos, e evitar a confusão possível entre o que o sujeito percebe e o que não passa de representações suas, confusão que estaria na origem da alucinação.

PSICANÁLISE

Disciplina fundada por Freud e na qual podemos, com ele, distinguir três níveis:
a) Um método de investigação que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Este método baseia-se principalmente nas associações livres do "sujeito", que são a garantia da validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode estender-se a produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres.
b) Um método psicoterápico baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada da "resistência", da "transferência" e do "desejo". O emprego da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido; exemplo: começar uma psicanálise (ou uma análise).
c) Um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento.

PSICANÁLISE SELVAGEM

Num sentido amplo, tipo de intervenções de "analistas" amadores ou inexperientes que se baseiam em noções psicanalíticas muitas vezes mal compreendidas para interpretarem sintomas, sonhos, palavras, ações, etc. Num sentido mais técnico, chamamos de selvagem um interpretação que desconhece uma situação determinada, na sua dinâmica atual e na sua singularidade, principalmente revelando de modo direto o conteúdo recalcado sem levar em conta as resistências e a transferência.

PSICANÁLISE (ou ANÁLISE) SOB CONTROLE ou SUPERVISÃO

Análise conduzida por um analista em formação e da qual presta contas periodicamente a um analista experimentado que o guia na compreensão e direção do tratamento e o ajuda a tomar consciência da sua contratransferência. Este modo de formação é especialmente destinado a permitir ao aluno aprender em que consiste a intervenção psicoterapêutica (sugestão, conselhos, diretrizes, esclarecimentos, apoio, etc).

PSICONEUROSE

Termo usado por Freud para caracterizar, na sua oposição às neuroses atuais, as afecções psíquicas em que os sintomas são a expressão simbólica dos conflitos infantis, isto é, as neuroses de transferência e as neuroses narcísicas.

PSICONEUROSE DE DEFESA

Denominação usada por Freud nos anos de 1894-96 para designar um certo número de distúrbios psiconeuróticos (histeria, fobia, obsessão, certas psicoses), evidenciando nelas o papel, descoberto na histeria, do conflito defensivo.

Uma vez adquirida a idéia de que em qualquer psiconeurose a defesa desempenha uma função essencial, a expressão psiconeurose de defesa, que se justificava pelo seu valor heurístico, se apaga em favor do termo psiconeurose.

A expressão é introduzida num artigo de 1894, As psiconeuroses de defesa, em que Freud procura identificar o papel da defesa no campo da histeria, e depois descobri-la sob outras formas nas fobias, nas obsessões e em certas psicoses alucinatórias.

PSICOSE

1. Em clínica psiquiátrica, o conceito de psicose é tomado a maioria das vezes numa extensão extremamente ampla, de maneira a abranger toda uma gama de doenças mentais, quer sejam manifestamente organogenética (paralisia geral, por exemplo), quer a sua etiologia última permaneça problemática (esquizofrenia, por exemplo).
2. Em psicanálise não se procurou logo de início edificar uma classificação que abrangesse a totalidade das doenças mentais que o psiquiatra precisa conhecer; o interesse incidiu, em primeiro lugar, nas afecções mais diretamente acessíveis à investigação analítica e, dentro deste campo mais restrito que o da psiquiatria, as principais distinções sãos as que se estabelecem entre as perversões, as neuroses e as psicoses.
3. Neste último grupo, a psicanálise procurou definir diversas estruturas: paranóia (onde inclui de modo bastante geral as afecções delirantes) e esquizofrenia, por um lado, e, por outro, melancolia e mania. Fundamentalmente, é numa perturbação primária da relação libidinal com a realidade que a teoria psicanalítica vê o denominador comum das psicoses, onde a maioria dos sintomas manifestos (particularmente) construção delirante) são tentativas secundárias de restauração do laço objetal).

PSICOTERAPIA

A) No sentido amplo, qualquer método de tratamento dos distúrbios psíquicos ou corporais que utilize meios psicológicos e, mais precisamente, a relação entre o terapeuta e o doente: a hipnose, a sugestão, a reeducação psicológica, a persuasão, etc.: neste sentido, a psicanálise é uma forma de psicoterapia.
B) Num sentido mais restrito, a psicanálise é muitas vezes contraposta às diversas formas de psicoterapia, e isto por uma série de razões, particularmente a função primordial da interpretação do conflito inconsciente e a análise da transferência que tende à solução desse conflito.
C) Sob o nome de "psicoterapia analítica" entende-se uma forma de psicoterapia que se apóia nos princípios teóricos e técnicos da psicanálise, sem todavia realizar as condições de um tratamento psicanalítico rigoroso.

PULSÃO

Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objetivo ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta.

PULSÃO DE AGRESSÃO

Designa para Freud as pulsões de morte enquanto voltadas para o exterior. A meta da pulsão de agressão é a destruição do objeto.

PULSÃO DE DESTRUIÇÃO

Denominação usada por Freud para designar as pulsões de morte numa perspectiva mais próxima da experiência biológica e psicológica. Às vezes a sua extensão é a mesma da expressão "pulsão de morte", mas na maior parte dos casos qualifica a pulsão de morte enquanto orientada para o mundo exterior. Neste sentido mais específico, Freud usa também a expressão "pulsão de agressão".

PULSÃO DE DOMINAÇÀO

Denominação usada em algumas ocasiões por Freud, sem que seu emprego possa ser codificado com precisão. Freud entende por ela uma pulsão não sexual, que só secundariamente se une à sexualidade e cuja meta é dominar o objeto pela força.

PULSÃO PARCIAL

Esta expressão designa os elementos últimos a que chega a psicanálise na análise da sexualidade. Cada um destes elementos se especifica por uma fonte (por exemplo, pulsão oral, pulsão anal) e por uma meta (por exemplo, pulsão de ver, pulsão de dominação).
O termo "parcial"não significa só que as pulsões parciais são espécies que pertencem à classe da pulsão sexual na sua generalidade; deve ser sobretudo tomado num sentido genético e estrutural: as pulsões parciais funcionam primeiro independentemente e tendem a unir-se nas diversas organizações libidinais.

PULSÃO SEXUAL

Pressão interna que, segundo a psicanálise, atua num campo muito mais vasto do que o das atividades sexuais no sentido corrente do termo. Nela se verificam eminentemente algumas das características da pulsão que a diferenciam de um instinto; o seu objeto não é predeterminado biologicamente e as suas modalidades de satisfação (metas ou objetivos) são variáveis, mais especialmente ligadas ao funcionamento de zonas corporais determinadas (zonas erógenas), mas suscetíveis de acompanharem as atividades mais diversas em que se apóiam. Esta diversidade das fontes somáticas da excitação sexual implica que a pulsão sexual não está unificada desde o início, mas que começa fragmentada em pulsões parciais cuja satisfação é local (prazer de órgão).

A psicanálise mostra que a pulsão sexual no homem está estreitamente ligada a um jogo de representações ou fantasias que a especificam. Só ao fim de uma evolução complexa e aleatória ela se organiza sob o primado da genitalidade e reencontra então a fixidez e a finalidade aparentes do instinto.

Do Ponto de vista econômico, Freud postula a existência de uma energia única nas vicissitudes da pulsão sexual; a libido.

Do ponto de vista dinâmico, Freud vê na pulsão sexual um pólo necessariamente presente do conflito psíquico: é o objeto privilegiado do recalcamento no inconsciente.

PULSÕES DE AUTOCONSERVAÇÃO

Expressão pela qual Freud designa o conjunto das necessidades ligadas às funções corporais essenciais à conservação da vida do indivíduo; a fome constitui o seu protótipo.

No quadro da primeira teoria das pulsões. Freud contrapõe as pulsões de autoconservação à pulsões sexuais.

PULSÕES DE MORTE

No quadro da última teoria freudiana das pulsões, designa uma categoria fundamental de pulsões que se contrapõem às pulsões de vida e que tendem para a redução completa das tensões, isto é, tendem a reconduzir o ser vivo ao estado anorgânico.
Voltadas inicialmente para o interior e tendendo à autodestruição, as pulsões de morte seriam secundariamente dirigidas para o exterior, manifestando-se então sob a forma da pulsão de agressão ou de destruição.

PULSÃO DE VIDA

Grande categoria de pulsões que Freud contrapõe, na sua última teoria, às pulsões de morte. Tendem a constituir unidades cada vez maiores, e a mantê-las. As pulsões de vida, também designadas pelo termo "Eros", abrangem não apenas as pulsões Sexuais propriamente ditas, mas ainda as pulsões de autoconservação.

PULSÕES DO EGO (ou DO EU)

No quadro da primeira teoria das pulsões (tal como é formulada por Freud nos anos de 1910 - 15), as pulsões do ego designam um tipo específico de pulsões cuja energia está colocada a serviço do ego no conflito defensivo; são assimiladas às pulsões de autoconservação e contrapostas às pulsões sexuais.

QUANTUM DE AFETO

Fator quantitativo postulado como substrato do afeto vivido subjetivamente, para designar o que é invariável nas diversas modificações deste: deslocamento, desligamento da representação, transformações qualitativas.

RACIONALIZAÇÃO

Processo pelo qual o sujeito procura apresentar uma explicação coerente do ponto de vista lógico, ou aceitável do ponto de vista moral, para uma atitude, uma ação, uma idéia, um sentimento, etc., cujos motivos verdadeiros não percebe; fala-se mais especialmente da racionalização de um sintoma, de uma compulsão defensiva, de uma formação reativa. A racionalização intervém também no delírio, resultando numa sistematização mais ou monos acentuada.

RAIVA

REMORSO

RESIGNAÇÃO

REAÇÃO TERAPÊUTICA NEGATIVA

Fenômeno encontrado em certos tratamentos psicanalíticos como tipo de resistência à cura especialmente difícil de superar: cada vez que se poderia esperar uma melhoria do progresso da análise, produz-se um agravamento, como se certos sujeitos preferissem o sofrimento à cura. Freud liga este fenômeno a um sentimento de culpo inconsciente inerente a certas estruturas masoquistas.

REALIDADE PSÍQUICA

Expressão utilizada muitas vezes por Freud para designar aquilo que no psiquismo do sujeito apresenta uma coerência e uma resistência comparáveis às da realidade material; trata-se fundamentalmente do desejo inconsciente e das fantasias conexas.

REALIZAÇÃO DE DESEJO

Formação psicológica em que o desejo é imaginariamente apresentado como realizado. As produções do inconsciente (sonho, sintoma e, por excelência, a fantasia) são realizações de desejo em que este se exprime de uma forma mais ou menos disfarçada.

REALIZAÇÃO SIMBÓLICA

Expressão pela qual m. - A. Sèchehaye designa o seu método de psicoterapia analítica da esquizofrenia: trata-se de reparar as frustrações sofridas pelo paciente nos seus primeiros anos procurando satisfazer simbolicamente as suas necessidades e abrir-lhe desse modo o acesso à realidade.

RECALQUE ou RECALCAMENTO

A) No sentido próprio. Operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações) ligadas a uma pulsão. O recalque produz-se nos casos em que a satisfação de uma pulsão - suscetível de proporcionar prazer por si mesma - ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências.

O recalque é especialmente patente na histeria, mas desempenha também um papel primordial nas outras afecções mentais, assim como em psicologia normal. Pode ser considerado um processo psíquico universal, na medida em que estaria na origem da constituição do inconsciente como campo separado do resto do psiquismo.

B) Num sentido mais vago. O termo "recalque"é tomado muitas vezes por Freud numa acepção que o aproxima de "defesa"; por um lado, na medida em que a operação de recalque tomada no sentido "A" se encontra - ao menos como uma etapa - em numerosos processos defensivos complexos (a parte é então tomada pelo todo), e, por outro lado, na medida em que o modelo teórico do recalque é utilizado por Freud como protótipo de outras operações defensivas.

RECALQUE (ou RECALCAMENTO) ORIGINÁRIO ou PRIMÁRIO

Processo hipotético descrito por Freud como primeiro momento da operação do recalque. Tem como efeito a formação de um certo número de representações inconscientes ou "recalcado originário". Os núcleos inconscientes assim constituídos colaboram mais tarde no recalque propriamente dito pela atração que exercem sobre os conteúdos a recalcar, conjuntamente com a repulsão proveniente das instâncias superiores.

RECUSA (DA REALIDADE)

Termo usado por Freud num sentido específico: modo de defesa que consiste numa recusa por parte do sujeito em reconhecer a realidade de uma percepção traumatizante, essencialmente a da ausência de pênis na mulher. Este mecanismo é evocado por Freud em particular para explicar o fetichismo e as psicoses.

REDE NATURAL INDIVIDUAL

Teoria de Mário Carabajal. Diz respeito às necessidades internas do ser para acomodar as impressões recebidas dos meios externos. Veja: Pensamento Liberto. (MC).

REDE NATURAL SOCIAL

Teoria de Mário Carabajal. Funciona como pensamentos reativos aos estímulos recebidos pelos meios. Ainda, refere-se aos pensamentos sistemicamente ordenados, em seqüência de consecução. Veja: Pensamento Condicionado. (MC).

REGRA FUNDAMENTAL

Regra que estrutura a situação analítica. O analisando é convidado a dizer o que pensa e sente sem nada escolher sem nada omitir do que lhe vem ao espírito, ainda que lhe pareça desagradável de comunicar, ridículo, desprovido de interesse ou despropositado.

REGRESSÃO

Num processo psíquico que contenha um sentido de percurso ou de desenvolvimento, designa-se por regressão um retorno em sentido inverso desde um ponto já atingido até um ponto situado antes desse.

Considerada em sentido tópico, a regressão se dá, de acordo com Freud, ao longo de uma sucessão de sistemas psíquicos que a excitação percorre normalmente segundo determinada direção.
No seu sentido temporal, a regressão supõe uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento: -fases libidinais; relações de objeto; identificações; memória geneticamente estratificada e repassada em saltos fecundativos sucessivos de seres de sua genealogia sócio-evolutiva existencial.
No sentido formal, a regressão designa a passagem a modos de expressão e de comportamento de nível inferior do ponto de vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação.

RELAÇÃO DE OBJETO

Expressão usada com muita freqüência na psicanálise contemporânea para designar o modo de relação do sujeito com seu mundo, relação que é o resultado complexo e total de uma determinada organização da personalidade, de uma apreensão mais ou menos fantasística dos objetos e de certos tipos privilegiados de defesa.
Fala-se das relações de objeto de um dado sujeito, mas também de tipos de relações de objeto, ou em referência a momentos evolutivos (exemplo: relação de objeto oral), ou à psicopatologia (exemplo: relação de objeto melancólica).

REPARAÇÃO

Mecanismo descrito por Melanie Klein pelo qual o sujeito procura reparar os efeitos produzidos no seu objeto de amor pelas suas fantasias destruidoras. Este mecanismo está ligado à angústia e à culpabilidade depressivas: a reparação fantasística do objeto materno, externo e interno, permitiria superar a posição depressiva garantindo ao ego uma identificação estável com o objeto benéfico.

REPETIÇÃO

Retome os estudos em: Compulsão à repetição.

REPRESENTAÇÃO

Termo clássico em filosofia e em psicologia para designar "aquilo que se representa, o que forma o conteúdo concreto de um ato de pensamento" e "em especial a reprodução de uma percepção anterior".
Freud opõe a representação ao afeto, pois cada um destes dois elementos tem destinos diferentes nos processos psíquicos.

REPRESENTAÇÃO DE COISA E DE PALAVRA

Expressão utilizadas por Freud nos seus textos metapsicológicos para distinguir dois tipos de "representações", a que deriva da coisa, essencialmente visual, e a que deriva da palavra, essencialmente acústica. Esta distinção tem para ele um alcance metapsicológico, pois a ligação entre a representação de coisa e a representação de palavra correspondente caracteriza o sistema pré-consciente - consciente, ao contrário do sistema inconsciente, que apenas compreende representações de coisa.

REPRESENTAÇÀO - META

Termo forjado por Freud para exprimir o que orienta o curso dos pensamentos, tanto conscientes como pré-conscientes e inconscientes. Em cada um destes níveis existe uma finalidade que assegura entre os pensamentos um encadeamento que não é apenas mecânico, mas determinado por certas representações privilegiadas que exercem uma verdadeira atração sobre as outras representações (por exemplo, tarefa a realizar no caso de pensamentos conscientes, fantasia inconsciente nos casos em que o sujeito se submete à regra da associação livre).

REPRESENTANTE DA PULSÃO

Expressão utilizada por Freud para designar os elementos ou processos em que a pulsão encontra sua expressão psíquica. Algumas vezes a expressão é sinônima de representante-representação, em outras é mais ampla, englobando também o afeto.

REPRESENTANTE PSÍQUICO

Expressão utilizada por Freud para designar, no quadro da sua teoria da pulsão, a expressão psíquica das excitações endossomáticas.

REPRESENTANTE-REPRESENTAÇÃO

Representação ou grupo de representações em que a pulsão se fixa no decurso da história do sujeito, e por meio da qual se inscreve no psiquismo.

REPRESSÃO

A) Em sentido amplo: operação psíquica que rende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia, afeto, etc. Neste sentido, o recalque seria uma modalidade especial de repressão.
B) Em sentido mais restrito: designa certas operações do sentido "A" diferente do recalque:
a) Ou pelo caráter consciente da operação e pelo fato de o conteúdo reprimido se tornar simplesmente pré-consciente e não inconsciente:
b) Ou, no caso da repressão de um afeto, porque este não é transposto para o inconsciente mas inibido, ou mesmo suprimido..

RESISTÊNCIA

Chama-se resistência a tudo o que nos atos e palavras do analisando, durante o tratamento psicanalítico, se opõe ao acesso deste ou seu inconsciente. Por extensão, Freud falou de resistência à psicanálise para designar uma atitude de oposição às suas descobertas na medida em que elas revelavam os desejos inconscientes e infligiam ao homem um "vexame psicológico".

RESTOS DIURNOS

Na teoria psicanalítica do sonho, elementos do estado de vigília do dia anterior que encontramos no relato do sonho e nas associações livres da pessoa que sonho; estão em conexão mais ou menos longínqua com o desejo inconsciente que se realiza no sonho. Podemos encontrar todos os casos inconsciente que se realiza no sonho. Podemos encontrar todos os casos intermediários entre dois extremos: aquele em que a presença desse resto diurno parece motivada, pelo menos em primeira análise, por uma preocupação ou um desejo da véspera; e o caso em que elementos diurnos aparentemente insignificantes são escolhidos em função da sua ligação associativa com o desejo do sonho.

RETORNO DO RECALCADO

Processo pelo qual os elementos recalcados, nunca aniquilados pelo recalque, tendem a reaparecer e conseguem faze-lo de maneira deformada sob a forma de compromisso.

RETORNO SOBRE A PRÓPRIA PESSOA

Processo pelo qual a pulsão substitui, pela própria pessoa, um objeto independente. Para aprofundar, retome os estudos sobre "Inversão (de uma pulsão) em seu contrário.

RETROALIMENTAÇÃO PSICOSUGESTIVA

Termo utilizado pelo Psicanalista Mário Carabajal para definir a influência dos seres, uns sobre os outros. Ocorre, em supermercados na escolha de produtos, no ônibus, nas ruas, sorveterias, cinema, escola, trabalho, transito, televisão, rádio, revistas, jornais, livros, informática. Em todos os contatos, os seres trocam informações, podendo uns passarem a adotar comportamentos ou hábitos dos outros. É comum, nem mesmo sabermos a origem de determinados comportamentos, contudo, não raro, pode ser a prática de um colega ou amigo. Consciência se faz necessário à auto-crítica e análise da origem comportamental de nossos pacientes. Que elementos exercem influência sobre os mesmos...indicar novos modelos a sua performance, caso esteja sob influências negativas. (MC).

ROMANCE FAMILIAR

Expressão criada por Freud para designar fantasias pelas quais o sujeito modifica imaginariamente os seus laços com os pais (imaginando, por exemplo, que é uma criança abandonada). Essas fantasias têm o seu fundamento no complexo de Édipo.

S

SADISMO

Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou à humilhação infligida a outrem.
A psicanálise estende a noção de sadismo para além da perversão descrita pelos sexólogos, reconhecendo-lhe numerosas manifestações mais encobertas, particularmente infantis, e fazendo dele um dos componentes fundamentais da vida pulsional.

SADISMO - MASOQUISMO, SADOMASOQUISMO

Expressão que não apenas enfatiza o que pode haver de simétrico e de complementar nas perversões sádica e masoquista, como também designa um par de opostos fundamental, quer na evolução, quer nas manifestações da vida pulsional.

Nesta perspectiva, o termo sadomasoquismo, usado em sexologia para designar formas combinadas destas duas perversões, foi retomado em psicanálise, particularmente na França por Daniel Lagache, para realçar a inter-relação destas duas posições, quer no conflito intersubjetivo (dominação-submissão), quer na estruturação da pessoa (autopunição).

SAUDADE

SEDUÇÃO (CENA DE - TEORIA DA)

1. Cena real ou fantasística em que o sujeito (geralmente uma criança) sofre passivamente da parte de outro (a maioria das vezes um adulto) propostas ou manobras sexuais.
2. Teoria elaborada por Freud entre 1895 e 1897, e ulteriormente abandonada, que atribui à lembrança de cenas reais de sedução o papel determinante na etiologia das psiconeuroses.

SENTIMENTO DE CULPA

Expressão utilizada em psicanálise numa acepção muito ampla. Pode designar um estado afetivo consecutivo a um ato que o sujeito considera repreensível, e a razão invocada pode, aliás, ser mais ou menos apropriada (remorso do criminoso ou auto-recriminações aparentemente absurdas), ou ainda um sentimento difuso de indignidade pessoal sem relação com um ato determinado de que o sujeito se acuse.

Por outro lado, é postulado pela análise como sistema de motivações inconscientes que explica comportamentos de fracasso, condutas delinqüentes, sofrimentos que o indivíduo inflige a si mesmo.
Neste último sentido, a palavra "sentimento"só deve ser utilizada com reservas, na medida em que o sujeito pode não se sentir culpado ao nível da experiência consciente.

SENTIMENTO DE INFERIORIDADE

Sentimento Adler, sentimento baseado numa inferioridade orgânica efetiva. No complexo de inferioridade, o indivíduo procura compensar com maior ou menor êxito a sua deficiência. Adler confere a este mecanismo um alcance etiológico muito geral, válido para o conjunto das afecções.

Segundo Freud, o sentimento de inferioridade não está predominantemente relacionado com uma inferioridade orgânica. Não é um fator etiológico último, antes deve ser compreendido e interpretado como um sintoma.

SÉRIE COMPLEMENTAR

Expressão utilizada por Freud para explicar a etiologia da neurose e superar a alternativa que obrigaria a escolher entre fatores exógenos ou endógenos: na realidade estes fatores são complementares, pois cada um deles pode ser tanto mais franco quanto o outro é mais forte, de modo que um conjunto de casos pode ser classificado numa escala em que os dois tipos de fatores variam em sentido inverso; ;só na extremidade da série é que não se encontraria mais do que um dos fatores.

SEXUALIDADE

Na experiência e na teoria psicanalíticas, "sexualidade" não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância que proporcionam um prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamental (respiração, fome, função de excreção, etc.), e que se encontram a título de componentes na chamada forma normal do amor sexual.

SIMBÓLICO

Termo introduzido (na sua forma de substantivo masculino) por J. Lacan, que distingue no campo da psicanálise três registros essenciais: o simbólico, o imaginário e o real.

SIMBOLISMO

A) Em sentido amplo, modo de representação indireta e figurada de uma idéia, de um conflito, de um desejo inconscientes; neste sentido, em psicanálise, podemos considerar simbólica qualquer formação substitutiva.
B) Em sentido restrito, modo de representação que se distingue principalmente pela constância da relação entre o símbolo e o simbolizado inconsciente; essa constância encontra-se não apenas no mesmo indivíduo e de um indivíduo para outro, mas nos domínios mais diversos (mito, religião, folclore, linguagem, etc.) e nas áreas culturais mais distantes entre elas.

SÍMBOLO MNÉSICO ou MNÊMICO

Expressão muitas vezes utilizada nos primeiros escritos de Freud para qualificar o sintoma histérico.

SIMPATIA

SINAL DE ANGÚSTIA

Expressão introduzida por Freud na remodelação da sua teoria da angústia (1926) para designar um dispositivo que o ego põe em ação diante de uma situação de perigo, de forma a evitar ser submerso pelo afluxo das excitações. O sinal de angústia reproduz de forma atenuada a reação de angústia vivida primitivamente numa situação traumática, o que permite desencadear operações de defesa.

SOBREDETERMINAÇÃO

O fato de uma formação do inconsciente - sintoma, sonho, etc. - remeter para uma pluralidade de fatores determinantes. Isto pode ser tomado em dois sentidos bastante diferentes:
a) A formação considerada é resultante de diversas causas, já que uma só não basta para explica-la.
b) A formação remete para elementos inconscientes múltiplos, que podem organizar-se em seqüências significativas diferentes, cada uma das quais, a um certo nível de interpretação, possui a sua coerência própria. Este segundo sentido é o mais amplamente admitido.

SOBRE-INTERPRETAÇÃO

Termo utilizado diversas vezes por Freud a propósito do sonho para designar uma interpretação que se apresenta secundariamente, quando já foi fornecida uma primeira interpretação, coerente e aparentemente completa. A sobre-interpretação encontra a sua razão de ser essencial na sobrederminação.

SOBRE-INVESTIMENTO ou SUPERINVESTIMENTO

Aplicação de um investimento suplementar a uma representação, uma percepção, etc., já investidas. Este termo aplica-se sobretudo ao processo da atenção, no quadro da teoria freudiana da consciência.

SOFRIMENTO

SOLIDÃO

SOMA DE EXCITAÇÃO

Um dos termos utilizados por Freud para designar o fator quantitativo cujas transformações são objeto da hipótese econômica. O termo acentua a origem desse fator: as excitações externas e sobretudo internas (pulsões).

SONHO

Veja Pensamento Liberto.

SONO DIURNO (DEVANEIO)

Freud dá este nome a um enredo imaginado no estado de vigília, sublinhando assim a analogia desse devaneio com o sonho. Os sonhos diurnos constituem, como o sonho noturno, realizações de desejo; os seus mecanismos de formação são idênticos, com predomínio da elaboração secundária.

SUBCONSCIENTE, SUBCONSCIÊNCIA

Termo utilizado em psicologia para designar tanto o que é fracamente consciente como o que está abaixo do limiar da consciência atual ou mesmo inacessível a ela; usado por Freud nos seus primeiros escritos como sinônimo de inconsciente, o termo foi logo rejeitado em virtude dos equívocos que favorece.

SUBLIMAÇÃO

Processo postulado por Freud para explicar atividades humanas sem qualquer relação aparente com a sexualidade, mas que encontrariam o seu elemento propulsor na força da pulsão sexual. Freud descreveu como atividades de sublimação principalmente a atividade artística e a investigação intelectual.
Diz-se que a pulsão é sublimada na medida em que é derivada para um novo objetivo não sexual e em que visa objetivos socialmente valorizados.

SURPRESA

SUSTO

SUPERCONSCIENTE INCONSCIENTE CONSEQUENTE INCONSEQUENTE

Termo surgido nas pesquisas do Psicanalista Mário Carabajal, muito utilizado nos "Estágios Psicomaturacionais da Consciência Humana". Um exemplo de superconsciente inconsciente conseqüente inconseqüente, podemos formular ao entendermos que:
O homem agi corretamente,(superconsciente) sem saber, (inconsciente) provoca reações necessárias ao meio, (conseqüente) porém, desconhece as extensões de seus feitos. (inconseqüente). Este fenômeno, segundo Mário Carabajal, ocorre concomitantemente. Alguns seres, adquirem maior consciência, outros menor. Assim, a inconsciência e inconseqüência da conseqüência das ações, podem ser mais ou menos conscientes, contudo, encontram-se sempre em linha de consecução. (MC).

SUPEREGO ou SUPER EU

Uma das instâncias da personalidade tal como Freud a descreveu no quadro da sua segunda teoria do aparelho psíquico: o seu papel é assimilável ao de um juiz ou de um censor relativamente ao ego. Freud vê na consciência moral, na auto-observação , na formação de ideais, funções do superego.
Classicamente, o superego é definido como o herdeiro do complexo de Édipo; constitui-se por interiorização das exigências e das interdições parentais.
Certos psicanalistas recuam para mais cedo a formação do superego, vendo esta instância em ação desde as fases pré-edipianas (Melanie Klein) ou pelo menos procurando comportamentos e mecanismos psicológicos muito precoces que seriam precursores do superego (Glover, Spitz, por exemplo).

TANATOS

Termo grego (a Morte) às vezes utilizado para designar as pulsões de morte, por simetria com o termo "Eros"; o seu emprego sublinha o caráter radical do dualismo pulsional conferindo-lhe um significado quase mítico.

TÉCNICA ATIVA

Conjunto de processos técnicos recomendados por Ferenezi: o analista, não limitando mais a sua ação às interpretações, formula injunções e proibições a respeito de certos comportamentos repetitivos do analisando, no tratamento e fora dele, quando eles proporcionam .,lkoi98ao sujeito satisfações tais que impedem a rememoração e o progresso do tratamento.

TÉDIO

TELA DO SONHO

Conceito introduzido por B. Lewin: todo sonho se projetaria numa tela branca, geralmente não percebida por aquele que sonha, que simbolizaria o seio materno tal como a criança o alucina durante o sono que se segue à amamentação: a tela satisfaria o desejo de dormir. Em certos sonhos (sonho branco) ela apareceria sozinha, realizando uma regressão ao narcisismo primário.

TEORIA DA MENTE HUMANA

A Teoria da Mente Humana (TMH) é um estudo que acredita que a mente dos seres humanos está localizada no cérebro, o Sistema Límbico. A teoria que foi formulada por Pablo Casso busca explicar a formação do pensamento humano e o funcionamento da mente. Partindo desta premissa, a TMH analisa os comportamentos humanos e descreve
processos que são utilizados pela mente. Cada parte foi explicada detalhadamente na Teoria da Mente Humana, que aborda o caminho percorrido pelo autor para se chegar a esta descoberta, além de fornecer conhecimento para analisar o comportamento das pessoas e os distúrbios mentais. A teoria está disponível em link com o título.

TERNURA

No uso específico por Freud, este termo designa, em oposição a "sensualidade", uma atitude para com outrem que perpetua ou reproduz a primeira modalidade de relação amorosa da criança, em que o prazer sexual não é encontrado independentemente, mas sempre apoiado na satisfação das pulsões de autoconservação.

TÓPICA, TÓPICO

Teoria ou ponto de vista que supõe uma diferenciação do aparelho psíquico em certo número de sistemas dotados de características ou funções diferentes e dispostos numa certa ordem uns em relação aos outros, o que permite considera-los metaforicamente como lugares psíquicos de que podemos fornecer uma representação figurada espacialmente.
Fala-se correntemente de duas tópicas freudianas, sendo a primeira aquela em que a distinção principal é feita entre Inconsciente, Pré-consciente e Consciente, e a segunda a que distingue três instâncias: o id, o ego e o superego.

TRABALHO DO LUTO

Processo intrapsíquico, consecutivo a perda de um objeto de afeição, e pelo qual o sujeito consegue progressivamente desapegar-se dele.

TRABALHO DO SONHO

Conjunto das operações que transformam os materiais do sonho (estímulos corporais, restos diurnos, pensamentos do sonho) - num produto: o sonho manifesto. A deformação é o efeito deste trabalho.

TRAÇO MNÉSICO ou MNÊMICO

Expressão utilizada por Freud ao longo de toda a sua obra para designar a forma como os acontecimentos se inscrevem na memória. Os traços mnésicos são, segundo Freud, depositados em diversos sistemas; subsistem de forma permanente mas só são reativados depôs de investidos.

TRANSCODIFICAÇÃO DA ENERGIA

Relaciona-se ao pensamento segundo a teoria de Mário Carabajal. Os seres ao alimentarem-se, segundo esta teoria, captam as energias quimicamente armazenadas nos vegetais, promovendo a transcodificação da energia em níveis neuroeletroquímicos de pensamentos. O autor propõe uma precipitação da energia passando por diversos estágios até alcançar a eletroquímica humana quando é transcodificada em pensamentos. Primeiramente a energia é encontrada na forma de hidrogênio (como elemento mais abundante do Universo). Daí, transforma-se em energia nuclear. Imediatamente ganha a forma espectral. Desta, passa à energia química nos vegetais. Por fim, assume a forma eletroquímica na fisiologia humana. Momento em que será transcodificado pelo aparelho neuropsíquico em pensamentos. A teoria da Origem Concreta do Pensamento do professor doutor Mário Carabajal foi submetida ao Pós-Doctor Renato Sabbatini, neurocientista diretor do Instituto Edumed/Rio de Janeiro e diretor da revista Cérebro e Mente - e também professor na Unicamp, responsável por valiosas contribuições à fundamentação. (MC).

TRANSFERÊNCIA

Designa em psicanálise o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles e, eminentemente, no quadro da relação analítica.
Trata-se aqui de uma repetição de protótipos infantis vivida com um sentimento de atualidade acentuada.
É à transferência no tratamento que os psicanalistas chamam a maior parte das vezes transferência, sem qualquer outro qualificativo.
A transferência é classicamente reconhecida como o terreno em que se dá a problemática de um tratamento psicanalítico, pois são a sua instalação, as suas modalidades, a sua interpretação e a sua resolução que caracterizam este.

TRAUMA ou TRAUMATISMO PSÍQUICO

Acontecimento da vida do sujeito que se define pela sua intensidade, pela incapacidade em que se encontra o sujeito de reagir a ele de forma adequada, pelo transtorno e pelos efeitos patogênicos duradouros que provoca na organização psíquica.
Em termos econômicos, o traumatismo caracteriza-se por um afluxo de excitações que é excessivo em relação a tolerância do sujeito e à sua capacidade de dominar e de elaborar psiquicamente estas excitações.

TRISTEZA

 

V

 

VERGONHA

VISCOSIDADE DA LIBIDO

Qualidade postulada por Freud para explicar a maior ou menor capacidade da libido para se fixar num objeto ou numa fase e a sua maior ou menor dificuldade em alterar os seus investimentos depois de obtidos. A viscosidade seria variável de indivíduo para indivíduo.
Pode-se entender, como uma maior menor capacidade de excitação do ser, a partir de estímulos internos(lembranças) ou externos, (visões ou contatos físicos) - O grau de viscosidade pode ser medido a partir de observações mensuráveis na elevação cíclica cerebral ou cardíaca, com conseqüente elevação da lubrificação peniana ou vaginal.

VIVÊNCIA DE SATISFAÇÃO

Tipo de experiência originária postulada por Freud e que consiste no apaziguamento, no lactente, e graças a uma intervenção exterior, de uma tensão interna criada pela necessidade. A imagem do objeto satisfatório assume então um valor eletivo na constituição do desejo do sujeito. Ela poderá ser reinvestida na ausência do objeto real (satisfação alucinatória do desejo) e irá guiar sempre a busca ulterior do objeto satisfatório.

ZONA ERÓGENA

Qualquer região do revestimento cutâneo-mucoso suscetível de se tornar sede de uma excitação de tipo sexual.
De forma mais específica, certas regiões que são funcionalmente sedes dessa excitação: zona oral, anal, uretro-genital, mamilo, glande e pênis.

ZONA HISTERÓGENA

Determinada região do corpo que Charcot, e depois Freud, mostraram ser, em certos casos de histeria de conversão, sede de fenômenos sensitivos especiais; qualificada pelo doente de dolorosa, esta região revela-se, depois de examinada, libidinalmente investida, a sua excitação provocando reações próximas das que acompanham o prazer sexual e que podem ir até o ataque histérico.


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Conclamo aos colegas de Psicanálise Clínica, ou psicólogos, psicopedagogos e psiquiatras com especializações ou estudos avançados em psicanálise clínica, para auxiliarem na construção sempre crescente deste dicionário. Podendo, àqueles que têm formuladas proposições, a partir de suas práticas clínicas, sobretudo psicanalistas especialistas, pesquisadores, mestres, doutores e pós-doutores - livres docentes, que enviem-nos palavras da práxis psicanalítica, com os devidos conceitos, de onde teremos o maior prazer em incluí-las, referendando sempre o psicanalista pesquisador. Colegas, voltem à página principal e usem o sistema "fale conosco" de nosso site. Esse site é nosso, use-o!

Um forte e eterno abraço!

Dr. Mário Carabajal
PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

Psicanalista Clínico e Educador Físico
Especialista em Pesquisa Científica
Mestre em Método e Técnica da Psicanálise
Ph.D em Medicina Psicossomática