FILOSOFANDO O FUTURO COM OS PÉS NO PRESENTE.

 

Dr. Mário Carabajal – Ph.D.

 

Nenhum ser, como nenhuma estrela do infinito macro-cosmo, ou célula do também infinito micro-cosmo, encontra-se a deriva, neste maravilhoso sistema de forças recíprocas.

 

Poderíamos imaginar erro nas energias que governam a órbita planetária – na sincronicidade de movimentos que governam todos os astros? Poderíamos, da mesma forma, aceitar pacificamente, erro ou engano, na constituição bioneurofisiológica dos seres? – quando dizemos seres, não isentamos as demais espécies que dividem o globo terrestre. Nos referimos a todos, sem exceção.

 

Seríamos capazes de desempenharmos as funções das baratas, em esgotos, transformando matérias inorgânicas em orgânicas? Conseguiríamos realizar qualquer tarefa ecossistemicamente justas e harmônicas ao equilíbrio geral da vida, perfazendo os elos entre os seres e toda a matéria bruta?

 

Quem, dentre os seres, haverá de reconhecer serem todos os animais, co-autores da história sobre a Terra? Quanto tempo levaremos para deixarmos de comer seres que dividem suas existências conosco?

 

Buscamos freneticamente contatos com seres e espécies de outros planetas. Sempre nos referimos a “espécies inteligentes”. Contudo, somos incapazes de fazer o menor contato com as espécies que estão aqui, ao nosso lado, bem próximas de nós! Ao contrário, às colocamos à desempenhar trabalhos forçados, às escravizamos, às utilizamos como cobaias em laboratórios. Mas, o que há para tanta admiração? Afinal, somos capazes de morarmos em confortáveis casas e permitir que outros, de nossa própria espécie, morem em beiras de abismos, em encostas de morros...

 

 Criamos um sistema social, onde, privilegiamos quem possua um papel moeda e deixamos de particularizar o ser humano necessitado de atenção e carinho. O mundo e suas terras, já encontravam-se aqui antes dessas absurdas leis. Mas, temos que admitir que também estas absurdas leis são muito antigas – esse...sentido de propriedade, desprovido de realidade, de existência!

 

Deveríamos plantarmos publicamente, garantindo alimento gratuito a todo cidadão. Todos os excedentes, canalizarmos às exportações. Toda a produção privada, primeiramente atenderia a demanda interna de necessidades alimentares, para, só então, seus excedentes, serem destinados ao comércio de economias.

 

Todos os canteiros públicos, em todas as cidades, praças, logradouros, ruas e avenidas, necessitam de cultivos frutíferos, onde qualquer cidadão, criança, jovem, adulto e ou idoso, a qualquer tempo, possa ao estender de uma mão, colher o alimento ao seu sustento orgânico e produtivo.

 

 Ao longo das estradas municipais, estaduais e federais, necessitamos desenvolver grandes corredores frutíferos, garantindo, a todos os seres, onde encontrarem-se, a ordem primeira existencial, alimentar.

 

Frente a todas as residências, em ações de mútuo entendimento, entre as administrações públicas e os cidadãos, necessitamos contar com três pés de árvores frutíferas, como resultado de incontáveis toneladas de toda espécie de frutas.

 

 Os caminhões que recolhem lixo, em depósito especialmente acoplado, passam a recolher também frutas, acondicionadas pelos cidadãos, levando à distâncias maiores, onde os ciclos produtivos encontrem-se em fase de estiagem.

 

A carne dos animais, seus órgãos internos e sua pele, com o advento da capacidade alimentar auto-sustentável humana e avanço em novas tecnologias, com produção de fibras sintéticas, devem ser poupadas, afinal, nos tempos modernos, não se justifica mais comermos a carne de cadáveres e, tampouco, utilizarmo-nos de seu sangue como meio de captação de energia.

 

Antes de buscarmos contatos com seres de outras unidades celestiais, necessitamos evoluir em trocas de equilíbrio e sustentação geral de todas as espécies sobre o próprio planeta. Não poderemos dialogar com as árvores, contudo, podemos manter uma relação de respeito às trocas indispensáveis à cada espécie. Não conversamos com os cães. Contudo, mantemos relações de respeito e proteção mutua. Dessa mesma forma, devemos nos esforçar para alcançarmos trocas de interesses com todas as espécies. O lixo atômico, poderá contar com o transrevercimento bioassimilador a partir das baratas.

 

Para cada espécie, os seres necessitam encontrar suas reais funções e disporem-se ao “diálogo de sincronicidade geral evolutivo”.

 

Nenhum ser, como nenhum objeto, encontra-se a deriva neste imenso e harmônico universo.

 

Do macro ao micro-cósmo, tudo quanto neles existam, têm uma finalidade e função ímpar de excelência e comprometimento. Somente o homem, com sua imensa capacidade de trocas culturais, pode buscar a harmonização dessas incomensuráveis funções – à medida em que avance a Humanidade, evolui conjuntamente, concomitante ao planeta no tocante a ordem de equilíbrio com o universo.

 

No momento em que não perfuramos a camada de ozônio, em que não poluímos os rios e priorizemos a vida, garantimos a ordem de terceiro em eqüidistância ao Sol. Se ao contrário, o superaquecimento e o desenvolvimento de potenciais desenfreados atômicos, poderíamos inromper e ou mesmo “deflagrar” a insustentabilidade das trocas de energias, provocando a eclosão terrena com distorções nos limiares polares, com a possibilidade de interferência na atual ordem seqüencial de planetas. Isto, representaria um realinhamento dos astros em nosso Sistema. Onde, um novo bloco compacto, com poeira cósmica e sob uma nova órbita, assumiria as condições que há milhares de anos, tempo e termoquímicas,  propiciaram a existência biológica sobre a Terra. – Em que tempo? Novos milhares, ou mesmo bilhares de anos.

 

Doutor em Psiconeurofisiologia, Mestre em Métodos e Técnicas da Psicanálise Clínica, Especialista em Pesquisa Científica, Educador Físico, Psicanalista Clínico. Vice-Presidente da Academia Roraimense de Letras e Presidente da Academia de Letras do Brasil. 23 Livros publicados.