LITERATURA NO BRASIL
1500 à 2008

Parte III

Prof. Dr. Mário Carabajal - Ph.D.

LITERATURA PÓS-MODERNA

Mário Carabajal*

Participam ativamente da Literatura Atual, jornalistas, escritores, cientistas políticos, e sociais, compositores, poetas e populações.

Os jornalistas escrevem diariamente. Buscam esclarecimentos e dividem com a população os resultados, elevando a consciência pública nacional.
A literatura atual encontra um componente exponencial no jornalismo ativo - de postura crítica e construtiva a uma seleção e apuração dos processos democratizadores. Sua literatura provoca reações e mudanças imediatas, com grande repercussão, atingindo grandes massas populacionais. Encontra-se nos jornais, revistas, rádios, televisões...

Os escritores, de igual importância, participam da literatura atual através de seus livros. Sobretudo àqueles que interagem com as populações utilizando a grande mídia, por artigos em jornais ou revistas. Colocam-se assim, nas bases da literatura atual, de forma ativa e operante. Seus artigos políticos, sociais, econômicos, e dos demais segmentos, quando fundados na verdade, evidenciam posturas positivas e negativas da vida, contribuindo para a evolução humana, em igualdade e direitos.

A literatura, concebida em livros, têm o poder transformador de minorias e a longuíssimos prazos. Contudo, dentre as minorias a quem atingem, estão atuais e futuros governantes, podendo ganhar implementação imediata ou, influenciar a organização social de futuras gerações. Se artigos provocam, na mesma razão dos jornalistas, grandes discussões em seu próprio tempo, exigindo posicionamentos e influenciando as minorias que lêem. Eventualmente, por força de suas propostas e pensamentos, como uma forte corrente, forma grandes elos, aglutinando interesses, traduzindo-se em mudanças comportamentais.

Os pesquisadores, cientistas políticos e sociais, com mais objetividade, porém com respostas a longos prazos, recriam e reconstroem sistemicamente os ideais de integração entre a natureza, as ciências e as tecnologias, alimentando as gestões públicas e particulares, para a finalidade conjunta evolutiva, viável e de implementação dependente da sensibilização da gestão pública e privada.

Muito comum, como ocorre entre os jornalistas e escritores, inventam-se ciências, atendendo a interesses econômicos e políticos. Estas correntes, não são tidas como Literatura Atual, mas Contra-literatura. Àquela que se opõe ou distorce os ideais intrínsecos à literatura. A qual interage sobre os grandes males da organização político administrativa, evidenciando e apresentando soluções às distorções das gestões públicas. Sistemicamente apresentam planos e projetos à evolução humana em todos os segmentos de suas estruturas organizacionais.

Sobre os compositores e poetas de todos os tempos, acentuando-se ainda mais na Literatura Atual, recai responsabilidades sobre significativas parcelas dos desvios comportamentais da juventude, refletindo em suas vidas adultas, com complexas repercussões familiares, sociais e profissionais.

Entendamos a poesia e a composição, como componentes terapêuticos de vazão média das tensões latentes, sublimadas e literoterapeuticamente traduzidas. Assim, muitas letras que se farão músicas, e poesias que ganharão difusão social, mas sobretudo a primeira, pode resultar como extensão de experiências desaconselháveis a adoção coletiva. Ou, refletirem distorções de repressões não trabalhadas suficientemente, lançando errôneos conceitos e condutas à assimilação das massas. Fundamentalmente dos adolescentes.

Na música atual, encontramos componentes fortíssimos da Contra-literatura, resultando em material ativo Contra-educacional. Chamados à bebida, drogas e perversão, são algumas entre tantas distorções advindas deste segmento. Chamados tremendamente comprometedores, por se fazerem em grandes escalas, de adoção comportamental e assimilativa imediata pelos meios de identificação e mais lentos pelos meios passivos. Encontram difusão fácil e lucros econômicos incentivadores. Seus produtores e autores, confundem-se, por suas contra-evolutivas criações serem aceitas e adotadas, tornando-se um círculo vicioso, crescente, esmagador e de difíceis reversões, devido a distorção proporcionada pela má interpretação e utilização da chamada liberdade de expressão.

Há os bons e maus conscientes. Àqueles que encontram suas motivações exclusivamente nos lucros econômicos, indiferentes aos resultados das influências que exercem, e os que não se deixam afetar pelas promessas do capital, mantendo posturas éticas e ideais, traduzidas em letras construtivas da personalidade e de traços indispensáveis ao evoluir em sociedade.

A poesia, de origem pessoal e também tradutora de conflitos do seu autor com os meios ao qual interage, acentuam-se transliterações de reações áxio-catéxicas de profundas raízes originais de assimilação de conceitos. Dessa forma, regulam as freqüências das pulsões concorrentes entre os diversos valores que consciente ou inconscientemente, espontânea ou objetivamente, são assimilados pelo poeta. Os resultados podem ser traduzidos em rearranjos evolutivos, acomodadores ou mesmo involutivos pessoais. Sua transliteração e difusão, repercutirá da mesma forma àqueles que o validem ou refutem. Podem auxiliar ou prejudicar seus leitores, levando-os da depressão a normalidade, quanto ao caminho inverso. Sobretudo seus autores têm a regulação estabilizadora homem/meio, possibilitando a convivência com os conflitos multi-reativos que os aflige. A poesia têm maior determinância redimensional e redirecional sobre seus criadores, a curtíssimo prazo, irradiando-se mais lentamente sobre os que a lêem.

Muitas são as razões inconscientes das produções poéticas. No entanto, traduzem dificuldades no trato prático com a realidade. Modificam-na primeiramente na expressão poética, construindo e ou evidenciando ideais, necessidades e verdades, latentes ao ser ou coletividade, à evolução humana e social.

A literoterapia expressa na variável poética tende ao existencialismo. Inicia com uma problematização fundada nas diversas ordens e segmentos constitutivos da vida. Pessoal e coletiva, debruçando-se sobre aspectos naturais, humanos e sociais. Logo, desenvolve-se em análises das complexidades inerentes ao problema original. Conquista o ponto final pela elucidação norteadora das posturas e conceitos sobre os quais se conduzirá o poeta.

Nem sempre as inferências supra, arrazoativas dos conflitos originais da problematização, são imediatamente seguidas e adotadas, comportamental e conceitualmente pelo poeta. Razão que o manterá na mesma linha de escrita. Somente até que se dissipem por completo as variáveis que os originam.
Quando os conflitos são de origem institucional, ocasionados por causas interpessoais próximas ou familiares, têm maiores possibilidades reversivas. Se institucionais relacionadas aos meios externos distantes, quanto mais abrangentes e à medida que se afastam, escola, trabalho, convenções sociais, autoritarismos policiais, leis, conflitos governamentais, condutas internacionais, guerras, catástrofes naturais, inversa ou diametralmente oposto se encontrará o fim das necessidades transliterativas. Independentemente se poéticas, compositorial, jornalística, científica ou literária.

Década de 90

Em meio à pluralidade de estilos e técnicas característicos da pós-modernidade, sobressaem algumas tendências comuns, é o caso dos romances que, inspirados no final do milênio, procuram analisar a história do país por meio de incursões ficcionais na história contemporânea. Também ressurge a temática memorialística, que, com base em lembranças pessoais, compõe certos painéis da história nacional.


As populações, ainda em números muito reduzidos, mas superiores as demais épocas, pela primeira vez conquistam um status até então só possível aos escritores. Com o avanço das tecnologias, um novo estágio da Literatura é observado, com face supra-acadêmica, abandonando os ditames de uma ordem imperativa ascendente, ganhando linearidade nas trocas entre os seres. Os e-mail's, com anexos, levam e trazem diariamente bilhões de textos, produzidos por milhões de escritores, sejam estes jornalistas, poetas, literatos, ficcionistas, ou o escritor da Pós-Modernidade, de trocas dinâmicas interacionais e internacionais. Certamente encontramo-nos em um momento crítico da literatura mundial neste início do III Milênio da Humanidade. Pois a qualidade perde para a quantidade. Todavia, antes da qualidade, que diferencia um profissional, reconhecemos o direito conquistado por estas maiorias. De comunicação multi-abrangente e expressão livre das observações pessoais sobre o mundo. Maiores e mais velozes estas trocas, maiores se nos apresentam as possibilidades evolutivas humanas.


Década de 00

Com o advento cada vez mais sólido da globalização, sobretudo pelo aumento da necessidade de negócios e transações internacionais, o direito internacional provocado por acordos entre os Estados, atendendo ao chamado do comércio, começa a precipitar-se no Direito Interno, principiando o que chamaríamos de Grande Marco da Literatura Comercial Internacional, que passará a influenciar e ditar as normas Mundiais a partir dos interesses crescentes do Mercado Internacional. Pois os termos dos grandes contratos internacionais começam a ser reproduzidos, copiados e utilizados por todos os países.

Toda a cultura, e dentro desta significativa parte da literatura, abandonam a obrigatoriedade dos livros de papel, ganhando forma em apostilas (pela impressão de páginas da internet) em lugares múltiplos e indiscriminados no Mundo. Às ciências e as principais Organizações de Regulamentações e Normatizações das Técnicas Científicas e Metodológicas da Pesquisa, como a APA (internacional) e ABNT (no Brasil) influenciam decisivamente a transição entre o livro e o livro eletrônico, por validarem a fonte www como meio de pesquisa, normatizando tecnicamente as citações desta fonte.

Com o advento da globalização e a ferramenta internacional www, rompem-se as últimas barreiras e fronteiras da literatura. Sobretudo do ser que a produz e do que a lê.

Milhares de escritores até então apenas potenciais, sem condições de difundirem suas obras, ganham este direito nas páginas Mundiais www. Outros milhares que não tinham acesso a livros, em lan-houses, espalhadas pelo Mundo, a custos baixíssimos, passam a ler e informarem-se e formarem-se com maiores facilidades. Os pesquisadores se encontram com seus pares em todo o Mundo, dando significativos impulsos às teorias e teses, facilitadas a falseabilização, elos de embasamento e formação dos pressupostos às contribuições e inferências.

Em 2008 é disponibilizado o ensino fundamental e médio pelo sistema www. A formação técnica profissional, de graduação e pós-graduação, dá seu maior salto na história da educação. Milhares de estudantes invadem os sistemas www de formação, educação e pesquisa.

As comunicações interpessoais e entre grupos levam a literatura atual por e-mails em forma de anexos.

A organização dos diversos segmentos culturais e científicos, apoiados pelas Academias da Ordem de Platão, em uma perspectiva global de engajamento, rompe com os corporativismos e privilégios em honrarias à minorias, levando o incentivo do diploma e confraria aos escritores:

- todo ser que lança idéias, trabalha conceitos, critica e aperfeiçoa sistemas, defende ou combate ideais, hábitos e ações sociais, em colaboração à evolução humana, diverte, a informa ou a provoca, registra ou projeta eventos, aleatória ou sistemicamente, utilizando-se da escrita, com fim na comunicação social e difusão do seu pensamento, criações, observações e análises, inequivocamente, é um escritor.


O meio pelo qual um escritor se comunica, não o rotula, mais ou menos escritor.


A possibilidade da rápida produção e difusão literária, e instrumentos de organização de dados, pela primeira vez, aponta para um fim concreto da corrupção. Não há mais a possibilidade do desvio sem pistas. Também o crime organizado dá início ao seu declínio. Os olhos do universo, como o google herth, está em toda a rua, em todo lugar. Se em 2008 ainda não em tempo real, em 2010 ou... não haverá mais espaço onde esconder-se para fins ilícitos. A literatura, é base e instrumento à formação da opinião pública, não só a cultura poética, mas arma poderosa à formação da cultura política, lastro organizacional profissional, científico... Todos, dependentes da literatura ativa, comprometida, dinâmica e clínica de potencialidades a evolução social.

Toda a escrita, em todos os tempos, traduzem necessidades humanas de auto-realização. Toda a evolução social, de sistemas e estruturas, são resultantes de insatisfações - de buscas pessoais e coletivas socializantes, de inclusão e participação dos meios ativos e operantes, nos variados segmentos da estrutura administrativa e social. Só se fazem pela insatisfação, pela ampliação e apuração de valores. Todo escritor, é um pólo assimilador e tradutor das necessidades e insatisfações humanas.

______________________________
* Presidente Fundador do Conalb - Conselho Nacional das Academias de Letras do Brasil e ALB - 23 livros publicados e trinta em fase de revisão. Jornalista, Educador Físico e Psicanalista. Especialista em Pesquisa Científica, Tecnologia Educacional e Psicossomatologia. Mestre em Psicanálise Clínica e Doutor em Psiconeurofisiologia. Estudante de Especialização em Controle da Gestão Pública/Ufsc e de Neurociências/Edumed/RJ. Estudante de Mestrado e Doutorado em Relações Internacionais/UAA. Professor de Pós-Graduação da Universidade Gama Filho.

Retornar: Parte I // Parte 2