ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

 

Jesus, Deus ou Filósofo?


Vânia Moreira Diniz

 

Imagino que Jesus além de seus dotes de beleza, perspicácia e uma intuição gerada
pela inteligência incrivelmente privilegiada tenha sido o maior e verdadeiro
filósofo da humanidade.

Mestre ele era pelo seu extraordinário poder de conduzir com evidente carisma os
homens comuns, um líder em toda a expressão da palavra.

Parapsicólogo mais por intuição do que por qualquer pesquisa ou estudo, Jesus Cristo
pode até ter sido o filho de Deus, mas antes de qualquer evidência, ele era o
filósofo que impressionou e subjugou positiva e psicologicamente o mundo inteiro.

Injustiçado, incompreendido, traído em todos os aspectos foi também a vítima.

E essa figura além de ser real torna-se motivo de devoção e fanatismo. Não que
seja um fanatismo comum, desses que existem pelos artistas e pessoas que conseguiram
celebridade, enquanto atuam ou estão relativamente presentes.

Muito mais do que esse poder transitório o Mestre foi a figura mais incomum já
nascida em qualquer tempo.

Amor ele sabia proclamar pelo vulto impressionante, os olhos cuja expressão
absorvente impressionava as pessoas em geral, a maneira singular de conduzir-se e
os atos afoitos.

Com a mulher adúltera ou Maria Madalena ele sensibilizou pelo espírito de justiça
inerente em suas ações e que suscita, sem dúvida alguma uma reação amistosa .

Ressuscitando os mortos, erguendo os injustiçados, gritando com os desrespeitadores
do templo ou arremessando sua fúria contra os fariseus, Jesus era sempre a figura
benéfica, amiga, justiceira que o mundo espera ver e aplaudir.

Filho de um carpinteiro, simples e comum e de uma mulher devota , nascido numa
choupana de palha sem condições de quase sobrevivência o filho de Deus encontrou em
sua história emocionante adeptos e seguidores.

Além disso, intrépido desde criança muitas vezes rude quando era necessário, piedoso
e extremamente magnânimo com os pobres e não privilegiados o mestre encantava e ao
mesmo tempo causava temor como qualquer gênio poderoso e literalmente
extraordinário .

Mas foi seu julgamento impiedoso, seu sofrimento lamentável, o caminho de martírio
dramático e desumano que o tornaram o maior homem da humanidade, mesmo que não fosse
Deus.

A doçura que ostenta nos momentos de maior aflição, seu perdão quando já quase
morria, a meiguice no instante que só caberia revolta e dor, o amor pelos ladrões
que a seu lado blasfemavam, o sentimento de compreensão enquanto via sua mãe e
parentes sofrerem nos levam ao sentimento de respeito , ternura, e enorme admiração
por esse homem extraordinário.

Quando foi negado três vezes por quem lhe jurara fidelidade como Pedro, tornando-o
depois o chefe da Igreja, ou seja, seu substituto oficial; o perdão ao próprio
Judas, e tudo que cercou seus trinta e três anos de vida fazem de Jesus o maior
mártir que a humanidade conheceu.

Deus, carismático ou ambos ele foi, insisto em dizer principalmente além do mártir o
maior filósofo que a humanidade conheceu, conhece e conhecerá em todos os tempos.