Academia de Letras do Brasil

Revista Científica

Ano IX. Edição III - jun/jul/ago - 2009

Prof. Dr. Mário Carabajal - Ph.D.

 

FOME E FATORES RELACIONADOS À FALTA DE ALIMENTOS

Fome e Mortalidade Infantil na América Latina e Mundo

Os Povos São Muito Desiguais Face a Vida
Sob o título supra, Lebret (1960/1962) demonstra grandes distâncias entre distintos países. No decurso dos anos 1936 e 1937 registrava-se um percentual de mortes de crianças antes de completar o primeiro ano de vida na ordem de 15 a 20% na África do Norte, correspondendo a 150 e 200 por 1000 nascidos. Entre os indígenas sul-africanos este número encontrava-se entre 200 e 300 mortos para 1000 nascidos, o que significam 20 e 30% de mortes dos nascidos antes de completar um ano de vida. Esses percentuais podem melhor ser observados ao compará-los com os de outros países.
Lebret (1960/1962) aponta para a Suécia em 1936, onde morriam aproximados 43 para 1000 nascidos. Em 1948, neste mesmo país, o número de mortes caiu para 23 por 1000 e, em 1957, menores ainda foram os registros de mortes entre crianças com menos de um ano, fixando-se em 17 para cada 1000 nascidos. No Reino Unido, nos anos de 1936, 1948 e 1957, foram registrados os números de 62, 36 e 24 respectivamente. Os Unidos também apresentou significativa redução das mortes de crianças no primeiro ano, de 57 para 1000 em 1936, atingiu 32 em 1948, reduzindo ainda mais em 1957, quando foram registrados 26 mortes no primeiro ano para 1000 nascidos. A Bélgica, nestes mesmos anos, saiu de 86 em 1936, chegando em 1957 com 35. Na África Ocidental também significativa registrou-se a redução de mortes dentro do primeiro ano, os dados de 1936 não foram apurados, mas sabemos que em 1948 morriam 58 crianças em cada 1000 nascidas, antes de completar um ano. Já em 1957, esse número reduziu-se para 36. A França contou com números próximos à África Ocidental, em 1936 entre mil nascidos, morriam 67 antes de completar um ano. Em 1948 o número caiu para 56 e em 1957 para 34. Assim estima-se que na África Ocidental de 1936 as mortes giravam entre 69 e 71 para cada 1000 nascidos. Para uma maior reflexão, observemos a seguir, os números médios encontrados nestes mesmos anos em outros países.
Em Cuba, México e Paraguay, segundo Lebret, em média, morriam 125 crianças para 1000 nascidos antes de completar um ano. A média aproximada estimada para a Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela, neste mesmo período, 1936 à 1957, fixou-se em 150 mortos para 1000 dentro do primeiro ano. Já a média entre Guatemala, Salvador e Tailândia, fixou-se em 175 para 1000. Índia, Paquistão e Filipinas ficaram com a segunda maior média, morriam 200 para cada 1000 dentro do primeiro ano. Um quinto dos nascidos morriam antes de completar um ano de vida. Por fim, a Birmânia aferiu o elevadíssimo percentual de 22,5%, correspondendo a 225 mortos para cada 1000 nascidos, quase 1/4 entre os nascidos.
De acordo com relatório das Nações Unidas (United Nations, 2006), cerca de 815 milhões de pessoas passam fome no mundo em 2006. Deste total, 127 milhões são crianças que sofrem com insuficiência alimentar. Os problemas são mais graves nos países da África subsaariana acentuando-se as diferentas entre o números de mortes entre países pobres e ricos (Relatório. ONU, 2006).
Disparidade da Morte Infantil Entre Países Ricos e Pobres
Observemos, fundamentados na (Organização Mundial de Saúde [OMS] 2008), a combinação mundial entre situação alimentar e sanitária:
De perto de 122 milhões de crianças que nascem cada ano, cerca de 10% morrerão antes de chegar ao seu primeiro aniversário, e mais 4% antes do seu quinto aniversário. Mas as chances de sobrevivência são distribuídas de maneira muito desigual no mundo. Assim, enquanto o risco de morrer antes da adolescência é de cerca de 1 para 40 nos países desenvolvidos, é de 1 para 4 na África em geral, e atinge 1 para 2 em certos países (p. 129).
Ladislau Dowbor, na obra Raízes da Fome, Minayo, M. C. S., et al (1985) manifesta claramente o pensamento de que os números da fome no mundo, com trágica categoria de mortalidade previsível e evitável, estamos frente a um genocídio por omissão que não tem paralelo na história da humanidade.
Pelo estudado até aqui através dos relatórios do Banco Mundial e FAO, a subnutrição trata-se da maior condição generalizada que afeta a saúde de crianças no mundo.
Segundo o (Fundo das Nações Unidas para a Criança [UNICEF] 2009) em declaração pública, a diretora executiva da UNICEF, Ann M. Veneman, deu sinal de alerta frente ao elevado número de crianças afetadas pela violência constante na região setentrional de Vanni, em Sri Lanka.
Centenas de meninos e meninas têm morrido e muitos outros têm sofrido ferimentos e lesões devido ao conflito em Sri Lanka. Existem milhares de crianças em perigo devido a gravíssima carência de alimentos, água e medicamentos (online).
Mais de 150.000 pessoas têm ficado desamparadas por causa do conflito entre os contingentes do governo e o grupo rebelde conhecido como Tigres de Liberação do Ealam Tamil – TLET.
É imprescindível, segundo Veneman, que as organizações de ajuda humanitária contem com acesso seguro e constante à população afetada, de maneira que possam fazer-lhes chegar auxílio para salvar vidas. Também se deve permitir a transferência dos civis para zonas seguras onde possam obter mais facilmente apoio humanitário essencial (online).
Sem a ajuda humanitária, sobretudo com suas retiradas temporárias, para zonas seguras, os direitos das crianças estão ameaçados.
A retirada temporária pode ter incluso uma repercussão enorme na saúde e no desenvolvimento das crianças. O UNICEF trabalha para minimizar os efeitos da interrupção escolar e os efeitos psicológicos adversos que provoca a exposição à violência nas regiões de conflito cingalesas. Veneman fez referência a todas as partes envolvidas no conflito que respeitaram os direitos das crianças e evitaram mortes entre os civis. “As crianças são as vítimas inocentes do conflito em Sri Lanka. Necessitam ajuda desesperadamente e serão despendidos esforços extraordinários para protege-las” Veneman (online).
Nils Kastberg, segundo o sítio do UNICEF (2008), diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância, na Conferência de 2008 para a Desenvolvimento da Infância na América Latina e Caribe, ocorrida na capital chilena, chamou os países da América Latina e do Caribe a comemorar em 2010 os 200 anos de independência da Espanha, com um objetivo específico de garantir que nenhuma criança sofra desnutrição. Observa que este desafio pode lograr êxito a partir da boa vontade política dos governantes, sob um espírito pan-americano e aproveitando a cooperação Sul-Sul.
Em lugar de falar de heróis, túmulos e próceres, se refere Kastberg, o melhor desafio para a região é assegurar a partir de 1º. de janeiro de 2010 que nenhuma grávida sofra de anemia, que afete o peso dos recém-nascidos, e que criança alguma deixe de ser auxiliada à definitiva erradicação da desnutrição.
Em 2006, segundo o Vaticano, conforme o sítio (http://www.fides.org) da Agenzzia Fides (2006) “(...) é inaceitável que 18.000 crianças morram de fome todos os dias em um planeta que produz comida suficiente para matar a fome de todos” (online).
Segundo o sítio (http://www.webciencia.com) 2009, cento e cinqüenta milhões de crianças encontram-se sob o rótulo da subnutrição no mundo, estas, com menos de cinco anos. Uma para cada três no mundo. Com um total de 12,9 milhões de óbitos de crianças, com menos de 5 anos, anualmente (online).
Segundo a jornalista Somini Sengupta do jornal New York Times (2009) postado em 17 de março de 2009 no sítio (www.limiaretransformacaoblogspot.com) referindo-se a vergonhosa situação da fome na Índia, onde os índices de desnutrição infantil continuam sendo piores que em muitos países subsaarianos, encontrando-se o elevadíssimo percentual de 42,5% de crianças de até cinco anos encontrando-se abaixo do peso. Enquanto que na China, este percentual foi reduzido a 7%.
Na Índia encontramos o maior programa de alimentação infantil do Mundo, contudo, elaborado de forma inadequada, sem conseguir reduzir os índices. O programa integrado Serviços para o Desenvolvimento da Criança, no valor de U$ 1,3 bilhão, financia uma rede de cantinas que fornece sopas em favelas e vilarejos. No entanto, não consta no programa, prioridades, em muitos locais de distribuição, ao invés de crianças debilitadas e mães gestantes, filas de homens e mulheres, muitos sadios, são observados com suas tigelas para receberem alimentos. Assim, os índices de menores de cinco anos com graves problemas de desnutrição, continuam elevados. Contudo, a fome é um fenômeno que atinge não apenas a crianças, mas também os adultos. Àqueles que se encontram nas filas, com suas tigelas, necessitam também dos alimentos. Ao invés de se pensar em retirá-los das filas, é necessário que se ampliem os programas de distribuição de alimentos.
No Relatório anual de 2004 da FAO sobre defasagem alimentar, consta um alarmante, onde 53 milhões das 852 milhões de pessoas desnutridas do mundo, há época, viviam na América Latina e Caribe.
Segundo o Relatório (2004), em levantamentos entre 2000 e 2002, existiam 815 milhões de pessoas sem alimentação adequada nos países em desenvolvimento. Na Nações em transição encontram-se 28 milhões. Os 9 milhões restantes, encontram-se nos países industrializados. Sendo que dos 53 milhões de famintos da América Latina, 33 milhões vivem na América do Sul, 7 milhões no Caribe e 12,6 na América Central e México.
Citando estudos da Academia para Desenvolvimento Educativo, o Relatório FAO (2004) afirma que com apenas 25 milhões de dólares anuais, seria possível reduzir a desnutrição em 15 países da América Latina e África, antes de 2015, salvando aproximadas 900 mil crianças da fome, até 2015.
O relatório afirma que aproximados 5.4 milhões de crianças deixaram de morrer entre 90 e 92 e 2000 e 2002. Isto da premissa de 80% dos óbitos a que se refere o relatório, 7 milhões de pessoas, serem compostos por crianças. Para a FAO, cerca de 5 milhões de crianças morrem no mundo, por ano, em conseqüência da fome. Confessa a FAO, incapacidade administrativa mundial, para o alcance da meta do milênio, em reduzir em 50% a fome no mundo até 2015.
Segundo a (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe [CEPAL] 2008), no Panorama Social de 2008, em Santiago, no Chile, a pobreza diminui consideravelmente na América Latina e no Caribe, entre 2002 e 2007. Contudo, em 2007 ainda atingia 184 milhões de pessoas. O que correspondia a 34,1% da população regional. Em 2002 esse número era de 44%, igual a 221 milhões de pessoas. Diminuiu no período, até 2007 em 9,9%, ou seja, 37 milhões de pessoas, diminuindo para 184 milhões. Desses números, em uma relação de 80% de incidências em crianças, constata-se 147,2 milhões de crianças na linha da pobreza.
Segundo a CEPAL (2009) entre 2002 e 2007, Colômbia, Equador, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguay, Peru e Venezuela, demonstraram redução de mínimos, 1,5% na população de pobres, enquanto na República Dominicana houve um aumento da miséria. Somente no Uruguai, tanto a pobreza quanto a indigência cresceram neste período.
Segundo a CEPAL (2009), a redução da pobreza na região se deve as variáveis, crescimento econômico, com a elevação do PIB em 5,7% em 2007 e a melhor distribuição de renda, que reduziu a pobreza entre 60 e 70% no período 2002/07.
As nações com os menores índices de pobreza na América Latina e Caribe são: Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai. Com taxas inferiores a 22%. No Brasil, México, Panamá e Venezuela, os pobres encontram-se entre menos de 32% da população desses países. Enquanto a Colômbia, Equador, El Salvador, Peru e República Dominicana, têm taxas de 38 a 48%. Os percentuais mais altos, acima de 50% encontram-se na Bolívia, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Paraguay.
Mortalidade Infantil no Brasil
Segundo o Relatório sobre a População Mundial 2008, publicado em 12 de novembro de 2008, pelo Fundo de População das Nações Unidas, da ONU (2008), em relação a expectativa para 2008, o Brasil possui o terceiro maior índice de morte infantil, 23 crianças mortas para cada 1000 nascidos vivos, menores de cinco anos, na América do Sul., O primeiro pior índice é o da Bolívia, com 45 para 1000 e o segundo do Paraguay, com 32 para 1000.
Os Melhores Índices de Vida Infantil
O Chile, em 2007, apresentava a menor taxa de mortalidade infantil, com média de 7 para 1000 nascidos vivos. Em segundo figuram Argentina e Uruguai. Ambos com taxa de 13 óbitos para 1000. Em terceiro vê-se a Venezuela, com relação de 13 mortes para cada 1000 nascidos vivos.
Segundo a CEPAL (2009) a redução da pobreza foi especialmente significativa na Argentina, caindo de 45% em 2002, para 21% em 2006.
Em estudo realizado na Guatemala, com crianças de 7 a 9 anos que frequentam escola, pela (Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional – [Sesan] 2008), somente na Guatemala, na América Central, 45,6% das crianças guatemaltecas, com idades entre 7 e 9 anos, sofrem por desnutrição, de severa a moderada. E entre 52 e 60% das crianças com 8 e 9 anos, apresentam desnutrição. Entre os indígenas encontram-se os maiores índices.
No relatório da UNICEF (2007), para a situação desnutricional infantil na Guatemala, aponta que 49% das crianças com menos de cinco anos, sofrem de desnutrição crônica.
Segundo o UNICEF Brasil (2006) entre1996 e 2005 encontramos 146 milhões de crianças até cinco anos de idade, em todo o mundo, abaixo do peso, sendo que 73% ou ¾ do problema, concentra-se em: Índia 57 milhões; Bangladesh 8; Paquistão 8; China 7; Nigéria 6; Etiópia 6; Indonésia 6; Congo 3; Filipinas 3; Vietnã 2; Outros países em desenvolvimento, 40 milhões.
Segundo o CEPAL (2009) o ano 2009 contaria, em decorrência da crise financeira mundial, com a elevação das taxas de desemprego, elevando consigo o número dos pobre e indigente, acreditando contudo na minimização do problema, a partir da contenção dos preços dos alimentos.
Em dezembro de 2008, segundo o CEPAL (2009) o número de pobres na região da América Latina e Caribe, se mantinha 10,1 pontos percentuais acima dos 24 % necessários ao alcance dos objetivos do milênio, até 2015.
Mortalidade Infantil na América do Sul
Segundo a Company World Factbook (2008), a mortalidade infantil na América do Sul encontra-se, em uma relação óbitos por 1000 nascidos vivos, assim distribuída: Bolívia, 49 óbitos para 1000 nascidos vivos. Guiana, 30. Peru, 30. Brasil, 27. Paraguay, 26. Venezuela, 22. Equador, 21. Colômbia, 20. Suriname, 19. Argentina, 14. Uruguai, 12. Chile, 8.
Índices Mundiais de Óbitos na Gestação Desde 1980
Segundo o Relatório sobre a Situação da População Mundial em 2008, divulgado pelo Fundo de População das Nações Unidas (2008) o número de mulheres, que morrem em decorrência da gestação e do parto, permanecem inalterados desde 1980. A média, era em 2008, de 536 mil óbitos anuais no mundo. Orienta o Relatório que para a redução da mortalidade materna e prevenção de lesões, é necessário um melhor atendimento entre a gestação e o parto, assim como serviços de emergências em casos de complicações e do acesso ao planejamento familiar. O relatório aponta que outros 15 milhões de mulheres sofrem lesões ou adoecem motivadas pelo parto. Não trata o relatório, as depressões pós-parto, anemia entre outras agravantes culturalmente desconsideradas pelas mulheres e familiares.
Redução dos Índices de Mortalidade Infantil pela Prevenção Pré-Natal
Segundo o Governo do Estado de Minas Gerais (2009) citado pelo Portal Agência Minas (2009), no Brasil, o município de Janaúba, no norte de Minas Gerais, uma das regiões mais pobres do Estado, tem um índice de mortalidade infantil, de 4,2 para 1000 nascidos vivos, sendo o menor da América Latina e Caribe, saindo em 2000 de 31 óbitos para 1000 nascidos vivos, superando inclusive, os índices do Canadá, Cuba e Estados Unidos. Segundo o secretário municipal de saúde, Helvécio Campos de Albuquerque, este baixo índice se deve ao foco assistencial na atenção primária, com ações preventivas, a partir do direcionamento de atenção à fatores sob uma classificação de risco, sob as variáveis: baixo peso de neonatal, inferior a 2 kg; mães analfabetas; questões sócio econômicas.
Relação Entre Gestação e Mortalidade Infantil
Segundo a nutricionista Amanda de Paula Pereira (2007), Revista Virtual Partes, “(...) o peso ao nascer é um dos mais importantes parâmetros relacionados à morbidade e mortalidade infantil”. Ainda, segundo a autora, a Organização Pan-Americana – OPAS, estima que aproximados 30 (%) das gestantes, apresentam anemia, determinando uma maior probabilidade, dos bebês nascerem com baixo peso. O que eleva os percentuais de óbitos. Em uma amostra de 108 mulheres gestantes do Estado do Amapá, um número de 69 desenvolveram anemia, dentre as quais, 84,8% tiveram partos prematuros, resultando em 81,2% de bebês de baixo peso.
Logo, a anemia na gestação, responde diretamente por uma maior incidência de óbitos neonatais, somando-se aos elevados números da mortalidade infantil no mundo, o que justifica a experiência bem sucedida no município de Janaúba do norte de Minas Gerais, com drástica redução, de 31 para 4,2 a taxa de mortalidade para cada 1000 nascidos vivos, a partir do cuidado preventivo gestacional.
Passemos a seguir ao estudo dos números mundiais da mortalidade infantil antes dos cinco anos. A distância entre os extremos da mortalidade infantil entre os países é gritante. Esta realidade entre países varia entre 2 e 182 mortes para cada 1000 nascidos vivos. Realidade esta de extrema distância, sobretudo entre países ricos e pobres. Enquanto na França, Suécia e Singapura morrem entre 2 e 3 crianças para cada 1000 nascidos vivos, em Angola este número chega a 182 óbitos antes dos cinco anos.
Mortalidade Mundial Infantil de Crianças com Menos de Cinco Anos
Infra, o índice de mortalidade infantil de todos os países com dados registrados. A relação consta de óbitos em cada 1000 nascidos vivos. Os dados foram recuperados em 23 de março, 2009, do sítio: (www.indexmundi.com) e posteriormente organizados, de tal forma, que pudessem ficar reunidos, facilitando a consulta. Segundo o sítio, os dados são válidos até janeiro de 2008.
Objetivando facilitar o entendimento dividimos em 9 grandes grupos de países:
- onde a mortalidade infantil com menos de cinco anos encontra-se entre;
Grupo A) 0 / Ideal
Grupo B) 1 e 3 para cada 1000 nascidos vivos / Baixo
Grupo C) 4 e 9 para cada 1000 nascidos vivos / Relativamente Alto
Grupo D) 10 e 15 para cada 1000 nascidos vivos / Alto
Grupo E) 16 e 22 para cada 1000 nascidos vivos / Elevado
Grupo F) 23 e 28 para cada 1000 nascidos vivos / Elevadíssimo
Grupo G) 29 e 48 para cada 1000 nascidos vivos / Ultra-elevado
Grupo H) 49 e 100 para cada 1000 nascidos vivos / Alarmante
Grupo I) 101 e 200 para cada 1000 nascidos vivos / Ultra-alarmante
A nomenclatura de classificação: Ideal; Baixo; Relativamente Alto; Elevado; Elevadíssimo; Ultra-elevado; Alarmante e Ultra-alarmante, não segue a nenhum critério prévio senão a utilização do sentido original dos termos, em busca à expectativa do que se consideraria como Ideal, 0.
Grupo a. Não encontramos nenhum país no Grupo a, o que representaria ou traduze-se como Ideal, com mortalidade infantil igual a 0, antes dos cinco anos.
Grupo b. Neste grupo, ainda que considerado Baixo, morrem, antes de completar cinco anos, entre 1 e 3 crianças para cada 1000 nascidos vivos. Nesta categoría, encontramos não mais do que cinco países, sendo:
França 3, Islândia 3, Hong Kong 3, Japão 3, Suécia 3, Singapura 2.
Grupo c. Neste grupo, Relativamente Alto, morrem, antes de completar cinco anos, entre 4 e 9 crianças para cada 1000 nascidos vivos. Encontrando um grande número de países nesta categoria, sendo:
Nauru 9, Bósnia e Herzegovina 9, Macedónia 9, Ucrânia 9, Kuwait 9, Costa Rica 9, Letónia 9, Porto Rico 9, Hungria 8, Chile 8, Estónia 7, Nova Caledónia 7, Ilhas Caimão 7, Eslováquia 7, Polónia 7, Lituânia 7, Bielorrússia 7, Croácia 6, Estados Unidos 6, Coreia do Sul 6, Cuba 6, Itália 6, Taiwan 5, São Marinho 5, Grécia 5, Mônaco 5, Irlanda 5, Canadá 5, Nova Zelândia 5, Reino Unido 5, Portugal 5, Países Baixos 5, Luxemburgo 5, Listenstaine 5, Austrália 5, Bélgica 5, Áustria 4, Dinamarca 4, Eslovénia 4, Macau 4, Israel 4, Espanha 4, Suíça 4, Andorra 4, Alemanha 4, República Checa 4, Malta 4, Noruega 4, Finlândia 4.
Grupo d. Neste grupo, Alto, morrem, antes de completar cinco anos, entre 11 e 15 crianças para cada 1000 nascidos vivos, onde, 20 países ocupam esta posição, sendo:
Groelândia 15, Seicheles 14, Domínica 14, Argentina 14, Palau 14, São Vicente e Granadinas 14, Granada 14, Moldávia 14, São Cristóvão e Neves 13, Emiratos Árabes Unidos 13, Brunei 13, Maurícia 13, Santa Lúcia 12, Arábia Saudita 12, Tonga 12, Fiji 12, Uruguai 12, Barbados 11, Rússia 11, Rússia 11.
Grupo e. Neste grupo, Elevado, morrem, antes de completar cinco anos, entre 16 e 22 crianças para cada 1000 nascidos vivos. Onde encontramos 26 países, sendo:
Salvador 22, Venezuela 22, Líbia 22, Coréia do Norte 22, Filipinas 21, Equador 21, China 21, Arménia 21, Ilhas Salomão 20, Colômbia 20, Suriname 19, Albânia 19, Sri Lanca 19, México 19, Tuvalu 19, Bulgária 19, Tailândia 18, Antígua e Barbuda 18, Omã 17, Catar 17, Geórgia 17, Malásia 16, Barém 16, Panamá 16, Jamaica 16, Jordânia 16.
Grupo f. Neste grupo, Elevadíssimo, morrem, antes de completar cinco anos, entre 23 e 28 crianças para cada 1000 nascidos vivos, onde, 16 países são agrupados, sendo:
Egipto 28, República Dominicana 27, Síria 27, Brasil 27, Cazaquistão 27, Nicarágua 26, Paraguai 26, Samoa 25, Honduras 25, Roménia 24, Baamas 24, Belize 24, Vietname 24, Trindade e Tobago 24, Tunísia 23, Líbano 23.
Até este ponto, observamos que o número de países não aumentam proporcionais a elevação do número de mortes.
Grupo g. Neste grupo, Ultra-elevado, morrem, antes de completar cinco anos, entre 29 e 47 crianças para cada 1000 nascidos vivos, onde encontramos 43 países sob este agrupamento, dando um imenso salto em relação ao grupo anterior, sendo:
Papua-Nova Guiné 47, Namíbia 46, Iraque 45, Quiribáti 45, Eritreia 44, Botsuana 44, Cabo Verde 43, Tajiquistão 42, Timor Leste 42, Mongólia 57, Azerbaijão 56, Iémen 56, Quénia 56, Madagáscar 56, Gabão 53, Gana 52, Butão 52,Turquemenistão 52, Vanuatu 51, Zimbabué 51,Birmânia 49, Bolívia 49, Papua-Nova Guiné 47, Namíbia 46, Iraque 45, Quiribáti 45, Eritreia 44, Botsuana 44, Cabo Verde 43, Tajiquistão 42, Timor Leste 42, Mongólia 41, São Tomé e Príncipe 38, Marrocos 38, Turquia 37, Irão 37, Índia 32, Quirguizistão 32, Indonésia 31, Guiana 30, Peru 30, Guatemala 29, Argélia 29
Grupo h. Neste grupo, Ultra-alarmante, morrem, antes de completar cinco anos, entre 49 e 100 crianças para cada 1000 nascidos vivos. Somando, 48 o número de países neste grupo, sendo:
Chade 100, Jibuti 99, Nigéria 94, Malávi 91, Etiópia 90, Guiné 87, Sudão 87, Burquina Faso 86, Costa do Marfim 86, Guiné Equatorial 84, Ruanda 83, Congo-Kinshasa 83, República Centro-Africana 82, Congo-Brazzaville 81, Laos 80, Lesoto 79, Benim 76, Sara Ocidental 71, Tanzânia 70, Suazilândia 70, Gâmbia 69, Comores 69, Usbequistão 68, Paquistão 67, Mauritânia 67, Uganda 66, Camarões 65, Haiti 62, Nepal 62, Burúndi 61, Senegal 59, África do Sul 58, Togo 58, Bangladeche 57, Camboja 57, Azerbaijão 56, Iémen 56, Quénia 56, Madagáscar 56, Gabão 53, Gana 52, Butão 52, Turquemenistão 52, Vanuatu 51, Zimbabué 51, Birmânia 49, Bolívia 49.
Observamos proporcionalidade entre o número de mortes e o crescimento de países dos grupos g e h, Alarmante e Ultra-alarmante.
Grupo i. Neste grupo, morrem, antes de completar cinco anos, entre 101 e 200 crianças para cada 1000 nascidos vivos, sendo:
Angola 182, Serra Leoa 156, Afeganistão 155, Libéria 144, Níger 115, Somália 111, Moçambique 108, Mali 104, Guiné-Bissau 102, Zâmbia 101.
Fundamentados nos dados estudados, podemos comprovar a dificuldade e morte de milhares de crianças no mundo. Se por um lado existem mortes, em suas extensões encontraremos outros milhares de pessoas sofrendo em decorrência dos óbitos de seus familiares. Assim, se efetivamente morrem em Angola 182 crianças para cada 1000 nascidos vivos, podemos esperar que aproximadas 546 crianças, em cada 1000 têm suas vidas ameaçadas pela morte. Isto, da premissa que entre os que morrem, existem aqueles que se salvam, onde consideramos 3 ameaçados para 1 óbito real. Uma fome alarmante em mais de 50% dos nascidos vivos. Destacamos outrossim, a disparidade comprovada da iminência da morte antes da adolescência entre países ricos e pobres: - enquanto em um país rico têm-se a expectativa de morte de 1 em cada 40, em determinados países Áfricanos esta expectativa é de 1 para cada 4. Ainda, observamos a falta de acompanhamento pré-natal; déficit alimentar gestacional e amamentar nos primeiros 5 anos de vida, à somarem às causas e fatores relacionados com a desnutrição e fome no mundo, com fundo no déficit nutricional. Além da morte a fome e desnutrição poderá instalar-se em níveis intermediários, em forma de doenças.