Academia de Letras do Brasil

Revista Científica

Ano IX. Edição II - mar/abr/mai - 2009

Prof. Dr. Mário Carabajal - Ph.D.

 

Identificação das Principais Causas da Fome no Mundo

Sob o tema supra reunimos informações sobre as Causas da Fome no Mundo, fundamentando-nos em instituições e autores que por suas trajetórias se fazem cientificamente confiáveis. Sobretudo embasamo-nos em informações de fontes primárias, devido as comuns distorções observadas em fontes secundárias, seguindo as recomendações técnicas normatizadoras (Américan Psychological Association [APA] 2009) instituídas pela (Universidad Autónoma de Asunción [UAA] 2009).
Causas da Fome
Encontramos unanimidade sobre as principais causas da fome na visão dos estudiosos pesquisados, dentre os quais, o alemão, natural de Neurippin, humanista, teólogo, médico e advogado Fritz Baade (1956/1963) em seu livro: Economia Mundial da Alimentação, apontando, entre outros temas, para dois grandes grupos: Causas Naturais e Causas Humanas, sendo:
Causas Naturais
Clima; Secas; Inundações; Terremotos; Pragas; Enfermidades de plantas.
Causas Humanas
Segundo a ALB (2009), as Causas Humanas, responsáveis pela fome, são muitas, interagindo umas sobre as outras reciprocamente. Algumas têm imediata repercussão sobre as demais. Existindo assim, segundo a ALB, aquelas que exercem maior influência desencadeante quando deflagradas. Como exemplo, encontramos as Guerras e as Catástrofes Naturais. Estas, por sua vez, quando presentes, ganham rápido reforço das demais causas, multiplicando-se rapidamente a fome, pela incidência sob diversas frentes.
Existe uma grande complexidade na relação entre as Causas da Fome. Por exemplo, segundo a ALB, ao apontar-se a Causa Guerra, haveremos de admitir um motivo, nova causa, desencadeante, a qual, comumente encontrar-se-á fundamentada em interesses políticos, o que se nos apresenta como a causa da causa da causa. E se aprofundarmos um pouco mais, observaremos que esta causa, interesses políticos, conta suas bases, com circunstâncias de disputas econômicas e territoriais, o que mais uma vez remete-nos a um novo fator que também devemos considerar como causa. Contudo, neste momento, antes de um aprofundamento maior, listemos as demais Causas, excetuando-se aquelas as já citadas: Recursos Naturais; Conflitos Civis; Acesso aos Recursos e Meios de Produção; Planificação Agrícola; Estruturas Fundiárias; Destruição de Colheitas; Bloqueios Econômicos; Endividamento dos Países mais Pobres; Cultura; Fome Crônica e Desnutrição; Pobreza; Fome Moderada; Políticas Agrárias; Demografia; Causas Naturais e Sociais; Petróleo; Biocombustíveis; Instabilidade Política; Planos Econômicos Falhos; Proliferação de Vírus; Doenças; Dependência Econômica; Cereais Destinados à Alimentação Animal; Desperdício de Alimentos.
Certamente, não esgotamos as Causas, bastando a proposição de avançarmos um pouco mais e novas causas se apresentam, como o fator idade avançada, em idosos, têm se apresentado com significativos percentuais de manifestações da desnutrição. Isto ocorrendo, nesta causa em especial, mesmo diante a recursos financeiros fartos. Mas, isto sim, pela distância de familiares que se lhes preparem alimentos e ou mesmo que lhes sirva. Não obstante, que auxiliem o idoso a levar à boca os alimentos.
Avancemos ao estudo isolado das Causas da Fome no Mundo. Ainda exista a possibilidade de, ao longo de nossas pesquisas, algumas para as quais apontamos inicialmente como causas, não se firmem como tal, exigindo-nos sua refutação.
Estudos das Causas Humanas
Aprofundaremos o tema Causas Humanas, utilizando-nos de publicações disponíveis no sítio (www.academialetrasbrasil.org.br) oficial da (Academia de Letras do Brasil [ALB] 2009). Onde, aponta para estas causas, Humanas, da fome, prioritariamente como desdobramentos decorrentes das causas políticas, perfazendo um elo entre variáveis interdependentes, iniciando pela improbidade administrativa que dá margem aos desvios de recursos e instabilidade da economia.
Diante aos desvios econômicos, propiciados pela má administração, haveremos de observar, segundo a ALB, resultados repercutirem-se na falta de recursos a serem aplicados em programas de desenvolvimento e sociais, enfraquecendo-se os estímulos e incentivos à produção interna, fonte de divisas quando utilizados os excedentes ao comércio internacional. Desdobrando-se necessariamente, em maior empobrecimento das classes menos privilegiadas da população e falta de alimentos; rotulando-se o país como de alto risco aos investimentos dos mercados internacionais.
Na falta de investidores e capitais externos, são elevados os juros, objetivando desaquecer a economia, com consequente diminuição de acesso das populações aos alimentos e demais gêneros de consumo, o que refletirá na elevação dos índices da miséria e fome.
Este tema, além da fonte supra citada, encontra sustentação e fundamentação em discussões na disciplina de Economia Internacional, ministrada pelo Prof. Dr. Fábiam Alejandro Monges Ojeda I Macedo (2008, julho) titular da cadeira no curso de Mestrado em Relações Internacionais da Universidad Autónoma de Asunción, Paraguay.
Segundo a ALB (2008) como Causas da Fome, ainda sob o paradigma político-administrativo deficitário, onde são observadas a corrupção e improbidade política e administrativa, leva a um sucateamento dos serviços essenciais de educação, saúde e transportes; estagnação do desenvolvimento científico e tecnológico, com elevação do número de mortes por falta de acesso a alimentos e saúde, além da elevação dos sem teto pela falta de investidores no sistema imobiliário e consequente falta de linha popular de crédito à aquisição da casa própria.
O enriquecimento de minorias políticas por crimes de corrupção, ainda segundo a ALB (2009) resulta na manipulação e manutenção do poder, reproduzindo-se pelas populações em corrupções em menores proporções. Porém, generalizadas, seguindo o exemplo dos governantes, registrando-se paralelamente a elevação de furtos e aumento da criminalidade por desrespeito em confrontação com a corrupção política. A elevação das necessidades estruturais policiais e a descredibilidade generalizada na justiça, são pontos também destacados pela ALB (2009).
Sob as bases supra, firma-se e eleva-se a descredibilidade na justiça, por permitir ou dar margem a continuidade da corrupção pela falta de critérios seletivos ao acesso dos políticos corruptos ao poder. Como bem se pode observar, como exemplo, o Brasil, evidenciando-se a corrupção publicamente no Governo Collor de Mello, com redução no Governo Fernando Henrique Cardoso, voltando a acentuar-se no governo Lula da Silva, partir dos anos 2002.
Sob o mesmo paradigma da má Política administrativa, sob o contexto maior de Causas Humanas, encontramos ainda os Recursos Naturais.
Recursos Naturais
Quando da ineficácia na utilização dos recursos naturais ou por suas más administrações e ou mesmo por interesses econômicos em suas explorações, resultam também em fome, o que soma às causas de sua origem.
Guerras
As guerras, como causas que somam a disseminação da Fome, são motivadas por ambições territoriais, domínios econômicos, submissão de sistemas, distúrbios mentais de líderes, etc., que somados seus resultados determinam desorganizações dos sistemas produtivos, de comércio e distribuição dos alimentos, além do sucateamento dos meios de produção. Daí, a elevação do número de necessitados, tanto por mutilações, incapacitando-os ao trabalho, como pela geração de órfãos e ou mesmo por distúrbios e neuroses provenientes de conflitos existenciais, decorrentes dos horrores da guerra. A dita simples coleta de lixo, em sua ausência, soma-se decisivamente à desordem e proliferação de doenças, superlotando e incapacitando os sistemas de saúde.
Conflitos civis
Os conflitos civis são motivados por: desorganização interna dos países; governos autoritários e corruptos; sistemas e regimes conflitantes com os interesses populares; ideais de independência por grupos insatisfeitos com os respectivos governos; divergências religiosas; interesses sobre terras; demarcações autoritárias sem a observância de fatores históricos. Resultando em mortes e elevação do número de necessitados.
Acesso aos Recursos e Meios de Produção
Sejam trabalhadores rurais, sem-terras ou mesmo populações, diante a falta de acesso aos recursos e meios de produção, são colocados em condições de
precariedade subsistencial, somando-se como causas da fome.
Planificação Agrícola
Na falta ou se deficiente a planificação agrícola, são observados resultados em mais fome e distanciamentos sociais.
A priori, não encontramos em todos os sistemas de buscas, quaisquer referências a planificações de Municípios, Estados ou Nações, no tocante a distribuição geográfica agrícola de produção por região de natural desenvolvimento, excetuando-se as hortaliças, que em qualquer lugar sempre exigem cuidados especiais. Mas, isto sim, cereais, tubérculos e frutas. Se no Norte do Brasil, Roraima, encontramos: pupunha, jaca, maracujá, caju, buriti, carambola, jambo, açaí, manga, pinha, goiaba, acerola, taperebá, limão, cacau, graviola, mamão, mandioca, arroz, banana, coco, abacaxi, desenvolvem-se naturalmente, sem auxílio de agrotóxicos e fertilizantes, enquanto no sul, encontra-se naturalmente a laranja, bergamota, butiá, banana, uva, ameixa, pêssego, goiaba, araçá, amora, pêra, maçã, pitanga, abacate, jabuticaba, mandioca, limão, marmelo, mamão, melão, morango, pinha, romã, batata doce, pinhão, amendoim, entre outras frutas que facilmente se desenvolvem em regiões, podendo ser encontradas no sítio: (www.colegiosaofrancisco.com.br) premissa esta capaz de nos proporcionar uma visão de mundo, onde em suas regiões, plantas e sementes adaptem-se naturalmente, com super produções de alimentos. Da mesma forma em cada Estado. Uma divisão por região agrícola de potencial de produção, com posteriores trocas e exportações das colheitas que excedam às necessidades internas, significa planejamento, isto sim, produção alimentar.
Estruturas Fundiárias
A má distribuição de áreas produtivas e a concentração por poucos sobre os bens de produção, são também fatores determinantes à motivação de mais fome e desequilíbrios sociais.
Destruição de Colheitas
Observância especial deve-se à destruição de colheitas, como causa consciente de geração de fome em detrimento a manutenção de economias, com fim na manipulação dos preços e lucros pessoais. Práticas estas observáveis por grandes empresários agrícolas, comumente orientados por políticas oficiais de governo.
Bloqueios Econômicos
Os bloqueios e sansões econômicas, comuns aos cidadãos por imposições dos governos como forma coercitiva de capitação de impostos e ou por empresas à garantia manutenção dos volumes financeiros acumulados, e ou mesmo àqueles praticados pelos países contra os Estados e estes contra os municípios e não obstante todos estes contra os trabalhadores, para exigir-lhes responsabilidades, somam-se todos as causas da fome. Sobretudo quando impostos por sistemas internacionais como medidas de retaliação política a uma Nação. Os resultados se refletem como diminuição da alimentação das populações trabalhadoras, sem no entanto atingir a mesa dos governantes, seus familiares e grupos próximos.
Endividamento dos Países mais Pobres
Não apenas os países, mas também os cidadãos, empresas, indústrias, municípios e Estados, haverão de pagar juros e dividendos aos donos do capital, restringindo o alcance de suas ações, a quantidade e a qualidade dos alimentos que consome. Aos países endividados, restará o pagamento de dívidas em detrimento à produção.
Cultura
Culturalmente, como causas da fome, observa-se a influência de hábitos errôneos alimentares, muitos impostos pela mídia a serviço e interesse de multinacionais, capazes de manipular a vontade humana por força de rótulos e mesmo formação de hábitos de seus interesses. Uma das formas como isto ocorre, se faz a partir da doação de alimentos por um determinado período, para posteriormente usufruir a preferência forjada pela dependência, com imposição de preços, tanto pela venda dos produtos alimentares, quanto pela transferência de tecnologias e meios de produção.
Análise da Fome Sob Aspectos de Geração Humana
Segundo o sítio da ALB (2009), não é incomum atribuir-se ao crescimento populacional a responsabilidade pela existência da fome, Malthus assim o fez. Da mesma forma, às adversidades do clima e do solo.
Apesar da responsabilidade que pesa sobre todos os seres no tocante a fome no mundo, e a assertiva da significativa influência destas variáveis sobre a questão da fome, apresentam-se de forma a reduzir o problema, acomodando em parte as populações, para que não pensem. Assim, não exercem pressão sobre os governos, permitindo-lhes o exercício do poder sem um comprometimento maior. Dessa forma, são ofuscadas ou ocultas outras variáveis, com não menos complexidades de contundentes efeitos de manutenção e elevação da fome no mundo.
Respostas acomodadoras sobre a problematização em tela, oportunizam tão somente uma solução imediata e rápida, de alguma forma, descomprometida, como se a extensão do problema não ultrapassasse os limites destas variáveis: demografia, clima e solo.
Uma análise mais detalhada permite-nos constatar que a fome é uma criação humana. Ela existe e maltrata bilhões de pessoas, formando-se de crianças as principais e mais numerosas vítimas, atingindo a 61% da totalidade dos casos. Ao se organizar em sociedade o homem criou uma desigualdade. De um lado, uma minoria rica, dispondo de tudo quanto necessita para viver com qualidade e, de outro, a grande maioria despojada de riqueza, sem contar sequer com o mínimo a sua sobrevivência, nem mesmo com o que comer, imagine-se material de higiene, moradia, vestuário, transporte, utensílios domésticos, móveis, cultura, educação e lazer.
Entre as causas da fome o processo de colonização pelos europeus, na América, Ásia e África é genitor para os demais. Ao chegar nesses continentes introduziram seus costumes e alteraram profundamente a organização social dos nativos. Exploraram suas terras ao máximo. Implantaram propriedades agrícolas destinadas à exportação.
Com o desequilíbrio gerado pelos colonizadores, a produção de subsistência caiu e os problemas de subnutrição e fome surgiram.
Os problemas decorrentes da inadequada utilização da terra também pesam na explicação da fome. Os países subdesenvolvidos têm, geralmente, um passado colonial. Dentro da atual ordem econômica mundial, a maioria desses países não conseguiu livrar-se do colonialismo econômico que ainda predomina nas relações internacionais. As suas economias estão estruturadas de forma a atender as necessidades do mercado externo em prejuízo do mercado interno. Dá-se maior atenção a uma agricultura para servir de exportação do que para atender o mercado interno. Em vista disso, ocorre escassez de alimentos básicos para o mercado interno ou o seu preço é tão elevado que dificulta a sua aquisição por grande parte da população de baixa renda.
O problema da fome no mundo certamente não ocorre por falta de produção de alimentos, mas sim devido a causas sócio-econômicas. Acontece que a maior parte da riqueza, especialmente nos países pouco desenvolvidos, onde ocorre a maior parte do problema, está concentrada nas mãos de uma minoria, assim os que podem comprar comida o fazem, mas os que não têm condições para isso passam fome.
A política da moeda da troca de alimentos por dinheiro está arraigada no mundo, não contando com quaisquer perspectivas, a priori, de evolução. De serem retirados os alimentos da linha de lucros e especulação. Também pela falta de uma política mundial voltada para o alimentar indiscriminado humano.
Alimentos e água não devem constar das políticas especulativas como se moeda fossem, uma vez que atrás dos alimentos existem vidas que deles necessitam para atender necessidades vitais, ímpares de desenvolvimento biopsicofísicos, para só então desenvolverem-se socialmente. Senão todo alimento, ao menos que seja eleito um gênero, como as frutas, retirando-as da linha comercial de capitação de recursos e lucros.
Observamos desde o início dos anos 2000 os governos cada vez mais empenhados em promover privatizações sob todas os meios de produção e serviços, eximindo-se cada vez mais de responsabilidades, preocupando-se somente com as arrecadações. Os governos podem trabalhar, assumindo para si, as responsabilidades sobre as condições essenciais, mínimas de sobrevivência das populações. Uma imensa lacuna no tocante a serviços essenciais encontra-se em aberto. Considera-se somente o serviço de saúde como essencial. Contudo, a saúde é decorrente de uma melhor ou pior condição alimentar unida a exercícios físicos, higiene e satisfação pessoal. Cada um destes elementos abre suas próprias variáveis, com dimensões calculáveis e presumíveis, segundo os ideais individuais dos seres. Em realidade, o que na década de 2000 se diz serviço de saúde, é isto sim, um serviço e assistência sobre a doença depois de gerada, iniciada, em desenvolvimento, o que a torna bem mais onerosa. Pois, sob uma aparentemente simples assertiva interpretativa do fim à seguir, com aplicação e correto direcionamento de posturas ao objeto fim da problematização, poderá resultar no redimensionamento da questão, redirecionando-se esforços que, sob nova óptica e balizamento, poderão abreviar, em dias, meses, anos, décadas ou mesmo séculos e milênios, toda uma trajetória de esforços, se bem direcionados, e efetivamente voltados, sob uma linha de assertiva entre, uma vez existindo o problema, ele e a efetiva solução.
Se a questão for acabar com a fome, havemos de despender maiores esforços e preocupação ao transporte, armazenamento e distribuição dos alimentos. Cuidados pré, durante e pós-colheita, uma vez que somente nas colheitas perde-se 20% das safras. Rever-se Leis, como ocorre no município do Rio de Janeiro, que se proíbe a distribuição popular das sobras diárias de alimentos dos restaurantes. Se na Lei consta o risco de intoxicações alimentares, que se preveja o correto armazenamento e distribuição com segurança. Assim, além de se salvar vidas, se evitará desperdícios de alimentos.
Outro fator é a padronização dos produtos para comercialização, fazendo com que parte da produção que não obedece a esses critérios, como produtos feios, pequenos ou grandes demais ou manchados, seja condenada, também sendo totalmente perdida. Deixando de ser redirecionada àqueles que mais necessitam.
Quem passa fome não se importa com tamanho ou cor de um alimento. Existem ainda os excedentes de produção que costumam ocorrer, e ao invés de se fazerem doações desses alimentos, os deixam estragar, como ocorreu com o soja, que teve excedente de produção e empresas pagaram para ele não entrar no mercado, porque se entrasse seu preço cairia. Então por quê não pagar para distribuí-la aqueles que não têm o que comer? Isso mostra que as grandes empresas não querem alimentar os famintos, mas sim vender suas sementes usando a fome no mundo especulativamente. Existe também o aumento da dependência do produtor, que passa a ser um fantoche da empresa, pois precisa estar sempre comprando suas sementes, porque elas não podem ser reproduzidas a partir do que foi plantado, pagando um preço alto.
Como se não bastasse este tipo de cultura geralmente está associada ao uso de produtos químicos produzidos pela mesma empresa.
Mesmo que se considere que a produção alimentar deva aumentar para aliviar a fome mundial, então porque não são produzidas sementes com capacidade de crescer em solos pobres, com maior conteúdo protéico por hectare, sem necessidade de fertilizantes, pesticidas, regas ou maquinária cara, com características baratas e próprias para alimentar pessoas acometidas pela fome crônica e desnutrição?
Fome Crônica e Desnutrição
A fome crônica e a desnutrição ganham atenção especial pela FAO (2007). Além de ser a pobreza apontada como responsável direta pela multiplicação e geração da fome.
Segundo a FAO (2007), entre 5 e 20 milhões de óbitos são registrados anualmente no Mundo em decorrência da falta de alimentos. A fome extrema é uma fome onde o necessitado não come hoje, amanhã, depois e dias seguintes. Dentre os mortos, 61% são crianças. Se considerarmos a média entre 5 e 20 milhões como 12,5 milhões de mortes ao ano, chegaremos ao número diário de 34.246 mortes, dentre as quais, 20.890 são crianças.
Um grande avanço é observado no relatório da FAO (2007), uma vez que a problematização da fome e desnutrição ganham assertivas em definições de suas causas, sobre as quais, a seguir, avançaremos em estudos.
Principais Causas da Fome e Desnutrição
Pobreza. Como condicional agravante observa-se a concentração das rendas nacionais nas mãos de poucos, em detrimento de grandes massas populacionais, gerando pobreza e consigo a fome. No relatório da FAO (2007), como principal causa responsável pela fome e desnutrição, encontramos:
A pobreza é a principal causa da fome e da desnutrição: os pobres não podem comprar comida suficiente nem prover a si mesmos uma dieta balanceada. Produtores agrícolas pobres não estão em posição de produzir comida em quantidade e qualidade suficientes para a própria subsistência (online).
Políticas agrárias. Deve-se primordialmente à concentração de terras em grandes latifúndios, com subsequentes falta de recursos e meios de produção e escoação; subsídios e ou protecionismos a mercados econômicos.
Demografia. O crescimento populacional quando não acompanhado de equitativa capacidade produtiva, resulta também como causa da fome. O que não pode ser confundida com a teoria multhusiana (Baade, 1856/1963): “(...) os homens têm tendência para se multiplicarem por forma mais rápida que os seus alimentos (...)” as guerras, as epidemias, a miséria e a elevada mortalidade infantil são necessárias para se restabelecer o equilíbrio entre a população e os alimentos (p. 9).
Variável de equilíbrio. Ao equilíbrio alimentar, Malassis (1993/1994) faz referência (cf) a identificação da variável fundamental: “Quando as superfícies cultivadas são mais ou menos equivalentes às superfícies cultiváveis (...) a produtividade da terra torna-se a variável fundamental de ajustamento ao crescimento da população” (p. 58).
No sítio (www.academialetrasbrasil.org.br) da ALB (2009), no tocante à produtividade, encontramos: “Necessariamente à produtividade da terra, além de superfícies cultiváveis, deve ser considerado também as variáveis: recursos, meios de produção e clima. Sobretudo à germinação em adaptação aos solos”.
Para o ajustamento dos alimentos ao crescimento populacional, deve ser considerado, além dos meios de transporte ao escoamento dos alimentos, armazenagem e, sobretudo, a capacidade econômica, de aquisição dos alimentos pelas populações, variável esta, determinante da capacidade alimentar humana, considerando-se a organização comercial das nações e sistemas econômicos mundiais em 2009. Ainda, há que se considerar as causas naturais e sociais como agravantes da problematização.
Causas Naturais e Sociais
Cornelius Walford (1978-79, citado por Chonchol, 1987/1989) apresentou à sociedade estatística de Londres em 1878, dois importantes comunicados sobre a fome no mundo, nos quais analisava as causas de mais de 350 surtos de fome que haviam flagelado os povos ao longo dos séculos. Ele classificava como:
Causas Naturais. “(…) secas, inundações, gelo, tremores de terra, tifo, ataques de predadores, na forma de pragas, gafanhotos e ratos, infestações parasitárias” (p. 7) como a que destruiu as colheitas de batatas na Irlanda em 1845/47 e;
Causas Sociais. “(…) guerra, baixa produtividade agrícola, ausência de vias de comunicação, perturbação do comércio e especulação, desvio de cereais do consumo direto para uso em cervejaria” (p. 7). Se em 2008, Walford não omitiria desta lista os biocombustíveis, que: “(…) para a produção de 50 litros, utiliza matéria prima equivalente a alimentação de uma pessoa por um período de um ano” (ALB, 2008, online).
Segundo Carabajal (1996), no tocante a produção de biocombustíveis, como parte das causas sociais, antes do milho e cana de açúcar, deve ser utilizada à produção de etanol, a mandioca gigante, naturalmente encontrada a exemplo do Brasil, como na região do Apiaú em Roraima. Segundo o pesquisador, escritor e humanista venezuelano, Robles Máximo (1996, citado por Carabajal, 1996): “A mandioca gigante oferece 300 litros de álcool em 1 tonelada de matéria prima”, enquanto a cana de acúçar, segundo o especialista Wilson Mota Figueiredo (1996, citado por Carabajal, 1996), diretor da única usina da Região Norte do Brasil, Abran Lincoln, localizada no municipio de Medicilândia no Pará, “oferece no máximo 80 litros para 1000 kg de matéria prima” (p. 42). Não se resumindo, no entanto, ao aspecto energético a partir de biocombustíveis a nossa problematização.
Causas Conjugadas, Sociais e Econômicas da Fome Mundial
O petróleo também exerce significativa influência sobre os problemas alimentares. O barril do petróleo com preços elevados arrasta consigo os preços dos combustíveis que por sua vez encarecem os transportes dos alimentos, refletindo-se nos preços dos mesmos, aumentando o número de pessoas na linha da pobreza.
Como exemplo da conjugação de causas sociais e econômicas da fome, em relatório datado de novembro de 1998 elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e o Programa Mundial de Alimentos, surge um elemento de explicação à crise de 1990 da agricultura norte-coreana, ligando-a à crise do petróleo, sucateamento do maquinário agrícola e falta de caminhões. A agricultura norte-coreana, altamente mecanizada, enfrenta à época uma restrição séria. Isto, devido ao fato de cerca de quatro quintas partes de seu maquinário e equipamento agrícola motorizado se encontrar totalmente fora de uso. Devendo-se, tal agravamento, em razão à obsolescência ou falta de peças sobressalentes e combustíveis. De fato, devido à falta de caminhões, muitas colheitas permanecem nos campos durante largos períodos de tempo.
Com base nas informações supra, podemos observar a tamanha complexidade dos múltiplos elementos e fatores que resultam em Fome no Mundo, entre os quais somam-se: máquinas agrícolas ultrapassadas; falta de peças de reposição; falta de caminhões para o transporte das colheitas e a própria falta de combustíveis, interferem decisivamente no problema mundial da fome, assim como a instabilidade política, encontrada na origem das causas da extrema pobreza, a exemplo da África.
Instabilidade Política e Dependência Econômica como Causas da Fome
A exemplo do que ocorre na África, a conjugação da instabilidade política e dependência econômica, se apresenta como a principal causa da pobreza extrema no Continente africano (ALB, 2009).
Segundo a Organização Causa Operária (2009, online) a pobreza extrema da África vem diretamente do fato de que países como EUA, Inglaterra, Japão e Alemanha, promoveram e promovem o saqueamento de todas as riquezas do continente.
A busca da burguesia imperialista pelo lucro, por mercados consumidores e principalmente por mão-de-obra barata resultou em centenas de golpes militares e ditaduras ao longo do século XX, dos quais, entre 75 e 90% foram apoiados por países imperialistas, responsáveis estes também por impor divisões arbitrárias entre a população do continente. Essa instabilidade política aliada à dependência econômica gerou a infinidade de guerras e conflitos internos, agravando significativamente as causas da fome da população, com morte, sobretudo de crianças, somando-se às causas geradoras da miséria e fome, entre as quais encontramos endemias, epidemias, pandemias, além da crescente concorrência das indústrias de cerveja, produção de etanol e alimentação animal.
Alimentação Animal como Causa da Fome no Mundo
Em 1970, segundo Chonchol (1987/1989) quando houve a Primeira Conferência Alimentar Mundial, concluiu-se que os animais dos países ricos consomem mais cereal que toda a população da China e da Índia juntas, que sozinhas representavam, no mesmo ano, 40% da população mundial. Tal fato, explica Chonchol, pela disponibilidade monetária dos países ricos e a diversificação de seus sistemas alimentares, o que lhes permite adquirir os cereais com prioridade, e usar a maior parte na produção de proteína animal. Esse fenômeno que se iniciou nos Estados Unidos, grande produtor mundial de cereais e onde se destina a maior parte do consumo animal, penetrou a Europa e vai se infiltrando nos países então socialistas desenvolvidos, mormente a União Soviética. Por isso se explicam as enormes compras da URSS a partir da década de 70. Não é que lhes falte trigo para comer. Esse país é o principal produtor de trigo do mundo. As imensas compras de 30, 40, 50 milhões de toneladas se destinaram a melhorar o nível de consumo de proteína animal da população.
Nos países da Europa Oriental e URSS, nos anos 60, gastavam-se 70 milhões de toneladas para o consumo humano e nos anos 70 a cifra era a mesma. O consumo animal era de 60 milhões de toneladas e em 1985, segundo Chonchol (1987/1989) é de quase 150 milhões de toneladas anuais. Esses países têm uma política de absorção em proporção crescente da venda de cereais no mundo, destinada a sustentar um regime alimentar muito mais rico em proteínas. Tal atitude é sustentada por um nível monetário que lhes permite comprar com prioridade, em detrimento da falta de cereais à milhares de pessoas, levando muitos à morte.
Cereais Destinados à Alimentação Animal
A cada dia morrem 24.000 pessoas por causa da fome, enquanto isso um imenso número de terras ficam nas mãos de poucos fazendeiros que ao final do processo exportarão a maior parte daqueles alimentos; um grande número de cereais, somando 60,6%, que serão utilizados na alimentação animal dos países desenvolvidos, à transformação de calorias vegetais em animais – um total contraste em relação aos países subdesenvolvidos.
Transformação de Calorias Vegetais em Animais
Adentremos sucintamente nas relações das Causas da Desnutrição Humana em razão da transformação de Calorias Vegetais em Animais.
O pesquisador Ladislau Dowbor, co-autor na obra Raízes da Fome, (Silva et al, 1985), após analisar a distribuição dos cereais entre humanos e animais, fez a seguinte observação:
(...) ficando mais de 60% para a alimentação animal, transformando as calorias do real em alimentação mais nobre, como carne, queijos, leite, ovos, o que significa o uso de 3 a 10 calorias vegetais para cada caloria de alimento animal produzido (...). Inversamente, os países subdesenvolvidos estão consumindo 70,1% dos seus cereais sob forma direta, pois não podem se dar ao luxo de desperdiçar o seu valor alimentício na redução do cereal (p.78).
Essa inequívoca concorrência pelos alimentos, estende-se à perdas e desperdícios, não animais, mas pelo próprio trato humano.
Desperdício de Alimentos como Causa da Fome no Mundo
Segundo o sítio da (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios [APTA] 2008) desperdícios marcam todas da fazes da produção de alimentos. No Brasil, demonstra a APTA (2008) 20% dos alimentos são perdidos só na colheita. Percentuais significativos se perdem também no transporte, devido a utilização de embalagens inadequadas. Em outras partes do mundo essa perda pode chegar a 70%.
No Rio de Janeiro há uma perda de 40 toneladas diárias de alimentos. Alimentos estes que vão direto para aterros sanitários. Ainda, se perdem também, todas as sobras de alimentos dos restaurantes. Por força de Lei são proibidas suas distribuíções para os seres necesitados, carentes e famintos de alimentos.
Muitas pessoas têm buscado explicar o porquê de tanto desperdício. Também se detém nas razões de pessoas passarem fome, chegando a resultados sempre incompletos, devido as múltiplas variáveis responsáveis pelas causas do problema. Isto, por encontrar-se na base de cada variável, novas variáveis que levam a novos elementos. Todos, responsáveis e determinantes do problema.
Tamanha se faz a complexidade que não bastaria simplesmente promovermos o plantio de três mudas de árvores frutíferas frente a cada residência no mundo, sendo disponibilizadas árvores frutíferas em ruas, avenidas, praças e logradouros públicos, bem como ao longo das estradas públicas, municipais, estaduais e federais. Somando tudo isto ao plantio de mudas frutíferas em um ou dois terrenos por quadra, transformado as cida em verdadeiros pomares. Ainda que tudo isto avançássemos no combate à fome, onde todo o ser, criança, homem, mulher ou idoso, ao simples erguer de um braço, tivessem acesso a um alimento natural, saciando a fome, onde quer que se encontrassem, ainda assim, contaríamos com as guerras, mutilando seres, arrancando-lhes pés, pernas, mãos e braços, levando-os a dependência de ações de solidariedade e políticas públicas de auxílio.
À evolução, e consecuentemente alimentar, haveriamos de arrancar o ser do individualismo intrínseco que o conduz, da ganância que o completa e o impulsiona, dos múltiplos valores impostos pelo capital por centenas de anos e, sobretudo, levá-lo a uma nova óptica de Pátria, de amor a uma bandeira ou idioma, conscientizando-o que para subsistir a Nação, antes, é preciso existir o Mundo, onde a soberania do planeta, se imponha à soberania das Nações individualmente.
Hipóteses como Causas da Fome no Mundo Refutadas por Alberto Garuti
Segundo Garuti (2008, online) a situação da fome precisa ser enfrentada, pois uma pessoa faminta não é uma pessoa livre. É necessário, segundo o pesquisador, em primeiro lugar, serem conhecidas as causas que levam à fome.
Comum se faz a idéia de conhecimento sobre a fome, no entanto, quando a estudamos com maior comprometimento, observamos que, como em um círculo, continuamos a repetir antigos chavões, que encobrem e desviam das verdadeiras causas que a compõem.
Em realidade, pouco ou quase nada se sabe sobre o que é ou não verdade, senão sob a máxima da estrita ciência. Ainda assim, sempre passíveis de refutações por evoluções dos paradigmas científicos. Segundo a ALB (2009) encontramos em Popper a assertiva de inexistência de uma verdade acabada.
A Fome é Causada Porque o Mundo Não Produz Alimentos Suficientes
Segundo Garuti, a afirmação supra é refutável, afirmando que a terra conta com recursos suficientes para alimentar a humanidade, aponta para o sítio www.fao.com àqueles que busquem confrontar os números de oferta e demanda, para o contingente demográfico presente e futuro.
A Fome é Devida ao Fato de que Somos Demais
A afirmação supra, de ser a fome decorrente de altas taxas demográficas também é refutada por Garuti (2008): “Há países muito populosos, como a China, onde todos os habitantes têm, todo dia, pelo menos uma quantidade mínima de alimentos e países muito pouco habitados, como a Bolívia, onde os pobres de verdade padecem de fome!”(online).
No Mundo Há Poucas Terras Cultiváveis
A existência de poucas terras cultiváveis no mundo, no mesmo artigo, também é refutada por Garuti, alegando, “(...) por enquanto, há terras suficientes que, infelizmente, são cultivadas, muitas vezes, para fornecer alimentos aos países ricos!”. E como já pudemos também estudar, para alimentar sobretudo a criação animal dos países ricos.
Para uma pequena formação de opinião e reflexão sobre esse ponto, saiba-se que o Brasil, em 2009, conta com pouco mais de 190 milhões de pessoas e, paralelamente, com esse mesmo número em cabeças de gado (ALB, 2009). Sendo que o gado transforma em média 10 calorias vegetais que recebe, em apenas uma caloria animal.
Do ponto de vista econômico, a transformação de calorias vegetais em animais, representa um investimento 10 vezes maior. Isto, sem se considerar os aspectos financeiros sobre tais divisões da energia alimentar.
Causas da Fome no Mundo por Alberto Garuti
As verdadeiras causas da Fome no Mundo segundo Alberto Garuti (2008), relacionam-se as: Monoculturas; Diferentes Condições de Troca Entre os Vários Países; Multinacionais; Dívida Externa; Conflitos Armados; Desigualdades Sociais; Neo-Colonialismo. Causas estas que interagem conjuntamente frente à miséria do país.
Extratificamos a seguir, cada uma das Causas, sob a óptica e visão do pesquisador Alberto Garuti:
As Monoculturas
O produto interno bruto, Pib, de vários países é dependente, de uma só cultura, como acontecia a décadas atrás com o Brasil, cujo único produto de exportação era o café. Sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do preço do produto, é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma boa colheita.
Diferentes Condições de Troca Entre os Vários Países
Alguns países, ex-colônias, estão precisando cada vez mais de produtos manufaturados e de alta tecnologia, que eles não produzem e cujo preço é fixado pelos países que exportam.
Os preços das matérias-primas, quase sempre o único produto de exportação dos países pobres, são fixados, de novo, pelos países que importam.
É comum ocorrer que a totalidade das produções agrícolas dos países pobres ganhem o status de moeda à amortização de suas dívidas externas.
Muitos países pobres comercializam no mercado de futuros suas produções alimentares ainda nem mesmo plantadas, amortizando suas dívidas externas, em prejuízo das populações.
Multinacionais
As Multinacionais são organizações em condições de realizar operações de caráter global, fugindo assim ao controle dos Estados nacionais ou de organizações internacionais. Elas constituem uma rede de poder supranacional. Querem conquistar mercados, investindo capitais privados e deslocando a produção onde os custos de trabalho, energia e matéria-prima são mais baixos e os direitos dos trabalhadores, limitados. Controlam 40% do comércio mundial e até 90% do comércio mundial dos bens de primeira necessidade.
Dívida Externa
No sítio da Organização para a Alimentação e a Agricultura, FAO (2008) (www.fao.org/) encontramos referências à dívida externa dos países pobres, como entraves a importação de alimentos, como também se colocando como obstáculo ao desenvolvimento agrícola. A dívida, segundo o sítio da FAO, está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais precisam ou, de dar à própria produção agrícola o necessário desenvolvimento. A dívida é contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta.
Conflitos Armados
O dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde e habitação de maneira suficiente para todos, durante um ano, corresponde a quanto o mundo inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas. Além disso, os conflitos armados presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu sistema produtivo primário.
Desigualdades Sociais
A luta contra a fome é, segundo Garuti, uma luta contra a fome pela justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a sofrer por sua falta. Entre a maior parte dos países, é mais fácil encontra-se pessoas que passam fome em contextos rurais do que em contextos urbanos. Os pequenos produtores obrigam-se a vender suas produções a preços inferiores aos de mercado, forçados por carências e necessidades pessoais e familiares.
Neo-colonialismo
Em 1945, através do reconhecimento do direito à autodeterminação dos povos, iniciou o processo de libertação dos países que até então eram colônias de outras nações. Mas, uma vez adquirida a independência, em muitos continuaram os conflitos internos que têm sua origem nos profundos desequilíbrios sociais herdados do colonialismo. Em muitos países, ao domínio colonial sucederam as ditaduras, apoiadas pela cumplicidade das superpotências e por acordos de cooperação com a antiga potência colonial. Isso deu origem ao neocolonialismo e as trocas comerciais continuaram a favorecer as mesmas potências.
Análise do Conjunto das Causas da Fome Apontadas por Alberto Garuti
Quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas causas estão agindo ao mesmo tempo e estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando e se o mesmo país conseguir um verdadeiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país em desenvolvimento, e sim da situação nos níveis internacionais.
A realidade supra refere-se às condições desiguais de troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, ao peso da dívida externa e ao neo-colonialismo.
As assertivas supra significam dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, a não ser que mudanças verdadeiramente importantes aconteçam no relacionamento entre essas nações e as mais industrializadas (Garuti, 2008).
Neste capítulo, pudemos acompanhar a evolução do pensamento global de combate à Fome no Mundo, bem como, identificamos e localizamos as Principais Causas da Fome no Mundo em dois grandes grupos, sendo: as Causas Naturais e as Causas Humanas.
Nas Causas Naturais encontram-se o Clima, que pode refletir-se em Secas e Chuvas prolongadas, Inundações, Furacões, Tsunames, Maremotos. Ainda, neste grupo encontram-se os Terremotos; Gelo; Tifo; Predadores: insetos, ratos e gafanhotos; Enfermidades de Plantas; Solos Inadequados, Germinação.
Nas Causas Humanas encontra-se tudo quanto, pelas ações ou falta de ações humanas, possam resultar em Fome à Humanidade, como: Acesso aos Recursos Naturais; Guerras; Conflitos Civis; Acesso aos Recursos e Meios de Produção; Planificação Agrícola; Estruturas Fundiárias; Destruição de Colheitas; Bloqueios Econômicos; Endividamento dos Países mais Pobres; Cultura; Pobreza; Políticas Agrárias; Demografia; Variável de Equilíbrio; Sociais; Econômicas; Instabilidade Política; Dependência Econômica; Alimentação Animal; Desperdício de Alimentos; Produção; Monoculturas; Condições de Troca Entre os Países; Multinacionais; Neo-colonialismo.
As Causas da Fome apresentadas pela FAO, OMS, Bird, pensadores e pesquisadores, são muitas, passíveis, ao longo de nossos estudos, de maiores aprofundamentos, análises e conclusões sobre suas participações no problema.