ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

A escritora Vânia Diniz é cumprimentada pelo presidente da ALB, professor doutor Mário Carabajal, recebendo votos de continuidade da atual linha de escrita, fundamental à conscientização e evolução politizacional das populações.

A escritora Vânia Diniz visitou o site da ALB brindando-nos com o artigo Guerra Urbana, bem refletindo a trágica situação das populações, reféns da impunidade, criminalidade e desgovernos. Vânia Diniz é uma entre poucos escritores e escritoras que dedicam-se a reflexão comprometida e crítica sobre o atual estágio da organização humana. A autora inicia o presente artigo com um forte apelo àqueles que governam sem a devida atenção à promoção da paz. Pede-lhes para que se humanizem e voltem-se ao cuidado das milhares de futuras vítimas das guerras hurbanas... Guerras estas que teem invadido nossas cidades, tornando-nos reféns, tanto da criminalidade, quanto peôes de um jogo de xadrez, nas mãos de homens inconsequentes que se fazem líderes sem o serem verdadeiramente. Pois o estar não significa ser. (...) esta linha de escrita de Vânia Diniz é de fundamental relevância à elevação constante do estágio de politização das populações. Quanto mais escritores comprometidos nas múltiplas áreas do saber e fazer das organizações sociais, maiores se farão os horizontes da consciência humana, colocando-nos naturalmente em novos e melhores estágios sociais de organização... Parabéns Vânia Diniz! (Mário Carabajal/Pres. ALB, 22fev2009).

 

Guerra Urbana

Vânia Moreira Diniz

Falamos tanto na paz, lutamos, resistimos, pedimos, imploramos àqueles
que podem evitá-la que se humanizem, e não permitam que milhões de
pessoas inocentes sejam mortas, que não façam justiça pelas próprias
mãos ou melhor, usando jovens para lutarem, matarem e morrerem.

Mas a verdade é que estamos lutando pela paz e esquecendo que também
estamos em guerra nas ruas, nas esquinas, nas nossas casas, nos ônibus,
nos carros, em qualquer lugar em que estejamos porque a violência está
matando mais do que a guerra.

Os fatos tenebrosos que vemos aí, exibidos nos meios de comunicação,onde
a maldade e frieza fazem dos seres humanos animais esfomeados e
sanguinolentos, devorando a sua presa, é realmente estarrecedor.

Essas pessoas não podem ser normais, estão desvairados por um tipo de anomalia cujo
vírus é a maldade insana. Não acredito nessa teoria que por ter sido infeliz na
infância, alguém seja capaz de virar um canibal. Pelo contrário, no meu modo de
entender, isso deveria humanizar as pessoas tornando-as mais compreensivas com outro
ser humano que está sofrendo.

Nós estamos diante de uma escandalosa guerra e parece até que já nos
acostumamos com esse tipo de luta hedionda.Olhamos, assistimos as
notícias como se tivéssemos vendo um capítulo de novela ou uma peça de
teatro. Estarrecidos, mas sem reação e os bandidos ainda se transformam
em figuras famosas quando a mídia passa a falar todo dia em suas
barbaridades e assim muitas vezes acabam se transformando em heróis.

Estamos numa batalha árdua e me parece que as vítimas são maiores do que
na própria guerra. Não há mais limite para a truculência de seres
humanos que se matam nas cidades e ainda atingem quem não estava nem no
meio das rivalidades atrozes que eles defendem.

A vida está aí com essa beleza da natureza, um planeta maravilhoso que
nos foi ofertado onde doentes e acidentados lutam para prolongar seu
caminho e, no entanto outros se matam voluntariamente sem pensarem em
nada mais do que em agredir, atacar matar, trucidar, maltratar.

Estamos em guerra oficial e extra-oficialmente. É um momento muito
difícil em que os jovens morrem e matam, ferem e são feridos e ambas as
categorias são dignas de pena. Quem se vai, anula toda a sua estrada
ainda no começo e sem apelação, deixa a família estarrecida e
desesperada. Quem fica, se for um ser humano realmente, não poderá
deixar de levar consigo durante toda a existência, o remorso e o
sentimento de culpa que são as sensações mais tristes que alguém poderá
suportar.

Precisamos de empregos, de uma vida digna para cada cidadão brasileiro,
porque a fome só aumentará a revolta , fazendo com que tenha efeitos
nefastos mesmo que nada justifique a violência. Está havendo uma luta
contra a fome, eu sei, mas não basta. As pessoas, as famílias, as
crianças e os jovens precisam sentir que a esperança de um futuro real e
legítimo existe

Estamos em guerra nas ruas de nossas cidades brasileiras, uma guerra
atroz, violenta, cruel, tirando a vida de inocentes e de gente que além
de tudo fará falta ao próprio país como cidadãos que lutariam,
trabalhariam por uma nação mais justa, amena e livre. E, no entanto
assistimos a tudo e parece que não temos mais reação, fruto talvez da
impotência que transtorna.

Lutemos desesperadamente pela paz, mas saibamos que nessa luta deve
estar incluída uma reação justa contra a barbaridade que existe nas
ruas do nosso país, onde a violência impera, prevalece, frutifica,
domina, encontrando guarida na impunidade e complacência diante de
bandidos que muitas vezes tornam-se heróis.Os direitos humanos dos
presos e dos que praticaram algum crime é alardeado, mas parece que
está sendo esquecido o mesmo direito para as vítimas inocentes da
guerra urbana que morrem ou sofrem inutilmente e sem esperanças de
resgate.

Você poderá encontrar mais artigos da escritora Vânia Diniz nos sites infra:

http://www.vaniadiniz.pro.br

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=3889